domingo, 4 de junho de 2017

Asepredos

Depois de me convencer a ligar para você, lá vem com seu papinho batido que ouvi muitas vezes
Eu sei, para você é simples dizer que se eu estou mal, é só eu parar de me sentir mal.
Para passar, é apenas eu parar de me sentir mal
Rápido assim, em um piscar de olhos, tudo muda, tudo passa
É só eu dizer
SORRIA MARIANA,COMO SOU FELIZ
SAIREI, VEREI O SOL, SEREI FELIZ
AGORA VOU LEVANTAR DESSA CAMA E VIVER A MINHA VIDA, FELIZ E PLENA
Ótimo.Tenho vontade de chorar, vou suprimir isso
E SER FELIZ
Unicamente porque é muito simples
ME DIZ COMO FAZ PARA VOCÊ ARRANJAR ENERGIA DO NADA
Pera ai, já sei, das suas orações
Respondendo : Pois então mãe, não sei se você sabe
Olha... EU NÃO ACREDITO
Basicamente, eu não acredito que eu falando um mantra
Literalmente vai me fornecer energia
E é isso
Maravilha, você foi tao forte
Acredito, você realmente foi, levou muito mais porrada que eu
Sim, mas eu não consigo nem me levantar na cama
E eu não sou você
Respeito suas ideias mas não são suas palavras de incentivo que vão me ajudar
Inútil, irresponsável, estúpida, idiota, escuto isso todo dia
O meu espírito vai mudar apenas se eu disser que nada vai me abalar mais?
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Sabendo disso, tento mudar sozinha
Orgulhosa? Não mais, peço ajuda aos meus amigos
Como a minha família inteira não acredita em depressão
Ou talvez seja só exagero
Rá rá, eu nunca fui a um psiquiatra mesmo
Ria da minha tragédia, ou tenha pena
Ou tenha raiva, raiva mortal/ Da pessoa que tudo tem, menos estabilidade emocional/ e se sente mal

domingo, 28 de maio de 2017

Utopia, autismo e conforto

Sabe, pensando aqui, eu queria viver em ignorância, em um universo utópico e totalmente isolado de nossa realidade. Tomar leite com toddy e ver desenho animado, desenhar garranchos e brincar com meus pokemons. Não se preocupar com problemas de gente grande, preconceito, machismo, política, economia, essas coisas chatas. Não, eu queria me botar em uma bolha, ignorante ao mundo exterior, apenas sobrevivendo com minhas pequenezas e meu mundinho, bem autista. Eu, com meu cabelo preso, comendo besteiras, deitada em minha cama confortável, com roupas confortáveis, sem expectativas ou decepções, sem a ideia de um passado que me atormenta ou um futuro que me atordoa, apenas um corpo que quer absorver arte e cultura e aventuras sem me deslocar, uma vida fácil. Eu nem precisaria comer proteínas ou carboidratos, apenas leite adoçado com mel, e assim eu ficaria gordinha como um cordeiro, meu conteúdo seria macio como a carne de vitela. Eu tomaria banhos demorados, quentes, fervendo, e iria para minha bolha, ser uma feliz telespectadora, em meu ninho sem muita iluminação. Eu não teria preocupações, seria uma vida dopada, passiva, entorpecida. O silencio e a solidão em si me entorpeceriam, deixando dormente todo meu corpo. Dormir, eu dormiria quatorze horas por dia, em uma cama confortável, com cobertores e travesseiros. Eu apenas teria de tomar cuidado para não afundar nessa cama, de tanto que minha silhueta se encaixaria. Escutaria apenas ás musicas mais dóceis, mais calmas, e remanesceria eu na bolha, flutuando, com meu comodismo, minha preguiça. Eu não teria conflitos em relações sociais pois não me relacionaria com ninguém, apenas observaria em televisão e livros o que acontece com as pessoas, e tentaria entender, feliz por nada disso ser vivido por mim, minha mente seria imaculada, meu emocional não afetaria nada. É como se fosse um útero gigante, acho que é isso que eu quero dizer. O conforto, a segurança, a paz, a calidez, a felicidade de não ter nada com que se preocupar... Até que seu manto de alegria se desfaz em um segundo, te deixando com frio em um lugar que antes era acolhedor e agora está vazio e te empurra para encarar o mundo, e você chora...

terça-feira, 23 de maio de 2017

Para quem for fazer ENEM e os outros também

         Você quer passar no ENEM. Eu quis passar no ENEM. Qualquer estudante de ensino médio, hoje, foca em uma meta, e apenas uma. E não dá para dobrar.
         Cursinhos pré-vestibulares, que ensinam musiquinhas, entre muitos outros métodos para você decorar absolutamente tudo dessa prova de inúmeras questões e tempo contado. Não vou mentir, para passar, eu assinei um curso pré-vestibular online, fiz um presencial durante um mês mais a escola focada absolutamente apenas no ENEM. Veem o problema?
            Não estamos mais preocupados em formar cidadãos pensantes, que tem uma vida, não. Somos máquinas, dizem para fazermos a prova e nos sairmos bem, e depois... Não há vida após o ENEM? Pois é. Olhem que legal: eu passei, e estava tão acostumada a mandarem em mim, a me dizerem o que estudar, a despejar conteúdo na minha cabeça que eu, como em uma síndrome de Estocolmo, comecei a me convencer de que gostava do que me empurravam.
        Não tive muito tempo para pensar, para escolher. Acabei escolhendo errado e quebrando a cara. Acontece. O que preciso enfatizar é o seguinte: Onde está a humanidade das escolas? Pilhas de simulados, um em cima do  outro, em fins de semana, alunos com problemas psicológicos graves, e tudo com  que se preocupam é uma prova que, na verdade não prova absolutamente nada.
        Estamos mais preocupados com uma prova que vai durar dez horas, em média, que todo esse tempo que o aluno deveria estar se formando como um cidadão do mundo. Cidadania, direitos humanos, conscientização; onde está? Queremos formar pessoas melhores? Como? Botando-as para decorar as múltiplas fórmulas de matemática? Ou decorar todo o esquema da geografia física do Brasil e do mundo, mesmo se a pessoa não quiser trabalhar com isso? Ou sabendo as funções da mitocôndria. De cor, sempre. Pra que a pessoa precisa disso? Nem mesmo ela sabe.
       O aluno está tão desnorteado que, como eu, sente-se incapaz de fazer escolhas, incapaz de ser ele mesmo. A máquina Mariana deu defeito outra vez, olhe só, não consegue mais estudar o que foi programada para, não consegue se forçar mais. A máquina Mariana quer artes, olha que falha enorme no sistema!
       O cidadão não é visto como um ser vivo pensante, e sim mais um operário nesse formigueiro enorme. Me disseram que eu tinha que passar nessa prova, que essa era a etapa mais difícil, mas não foi. Não foi pois eu sabia o que fazer, eu tinha metas, eu tinha apoio, eu dizia ás pessoas:
-Não vou passar...
E as pessoas diziam que eu ia sim. De fato, ponto pra vocês. Passou o vestibular todos os apoios se retiraram, me deixando sozinha com as minhas escolhas. Eu ainda sei pensar? Porque acho que o sistema tentou me encaixar em uma caixa retangular apertada, e me fazer pensar pequeno e dentro do que os outros consideram padrão.
         Fico feliz que tenha toda essa enfase em passar e dar um salto em sua vida, ó coleguinha que está lendo esse texto e pretende cursar alguma faculdade ano que vem, e aqui envio minha mensagem: estude, decore essas desgraças, mas pense no depois. Pense no que você quer para sua vida, peça ajuda a quem faz o curso que você tem interesse, busque saber, pesquise, acredite em mim, ISSO É IMPORTANTE, não faça como eu, caí de cabeça em um curso que NÃO TINHA IDEIA DE COMO SERIA. Não adianta você fazer a prova maravilhosamente e depois desnorteado e escolher algo por pressão, ou algo que você ache que "dá dinheiro".
          O que o sistema não diz, pois não é proveitoso para ele, é que você pode SIM fazer algo que ama, e deixe sua família berrar e fazer escândalo pois o filhinho não quis fazer medicina, direito ou uma engenharia. O que o sistema não diz é que você pode ser feliz sim. Você ainda consegue pensar?Então faça o que você GOSTA DE VERDADE, e não o que você foi induzido a estudar mecanicamente durante todos esses anos.
      A prova importa, mas você importa mais, a sua escolha, a sua pessoa, a sua opinião. Você não precisa ser uma máquina.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

RESISTIR

Quem me conhece sabe o quanto eu amo o caos.
18/05/17. Cinelândia, centro do Rio de Janeiro. Nas ruas, manifestação pacifica contra nosso presidente interino Michel Temer. Alguns brandindo bandeiras, gritando, esmurrando os punhos no ar, outros apenas acompanhando silenciosamente, dando corpo ao movimento. Lá estava eu, de calcas, blusa preta regata e minha mochila preta de praxe. Eu e mais três amigos. Marchávamos junto aos outros manifestantes pacíficos, até que eu vejo eles, atrás de nós, com seus casacos negros, alguns com máscaras respiradoras, escudos, garrafas, munidos de suas armas caseiras e sabe-se lá o que mais. Eles marchavam juntos, com suas camisas enroladas na cara, e eu só conseguia admirar a tamanha coragem que eles tinham de enfrentar a polícia assim, cara a cara, enquanto a maioria corria. Chegamos no ponto final, a praça da Cinelândia, onde fica o Theatro Municipal, o Cinema Odeon, a Biblioteca Nacional, dentre outros. Lá, começaram a discursar em um carro de um partido político qualquer, e eu estava plenamente entediada, embora sempre reagindo aos gritos e bramidos da população, unindo minha voz ás demais. Até que chega uma garota, também com uma blusa amarrada, e pergunta para um cara: -E então? E ele responde: "-Calma que vai começar..." Não sei quem iniciou, só sei que mais ao norte havia uma ruazinha com muitos fardados, e o tumulto começou de lá.
Ao estourar da primeira bomba, o povo se dissipou com uma rapidez impressionante. Foi bizarro, uma hora a praça estava cheia de gente aglomerada, outra hora ainda estava cheio, mas uma grande quantidade de pessoas foi embora. Eu não iria embora, eu não recuaria perante o som de bombas, eu lutaria, e, se não fosse minha amiga, lutaria mais ainda. Quando eles atiraram as bombas em nós, nos assustamos. O impulso era sair correndo para algum lugar calmo. Mas não fizemos isso, eu disse a mim mesma que resistiria, que não deixaria o movimento morrer, que não estaria lá para nada, que não me assustaria com barulhinhos. As bombas explodiam, saía gás lacrimogênio e de efeito moral, -POE A CAMISA NA CARA, eu gritava para meus amigos que ainda não haviam o feito. Segurei a mão de minha xará e cantávamos em coro :"Não adianta, me reprimir, esse governo vai cair". E mais, estávamos em uma praça enorme, a praça lá da Cinelândia, e chegou um momento em que a polícia realmente estava se aproximando. Diziam para não corrermos, para não se dissipar tanto, e assim o fizemos, aguentamos firme, vimos o caos se aproximando e lá fomos nós para uma rua apertada em direção a um beco com saída para três ruas. Nada de tumulto por lá, apenas seguimos, nesse ponto eu já tinha me separado de cinco dos meus amigos, agora recebi a informação de que um deles está machucado. Chegando a encruzilhada, vi quebrarem as vidraças de um banco aleatório, quebrarem lixeiras, tacarem seu conteúdo no meio da rua, tacarem fogo na porra toda e ver as chamas subindo, mas não foi muito alto não. Mesmo assim foi uma imagem linda de se ver, atearam fogo em vários pontos, aquelas imagens negras, inclinadas em direção das chamas, que cresciam, tudo isso com o gás por trás, pronto para fazer nossos olhos lacrimejarem. A polícia nos cercou por trás e pela esquerda, só havia a direita para ir, e mesmo assim , eles estavam nos pressionando, sem cessar com as bombas, mas meus olhos se recusavam a fechar, minha boca não ardia pois a blusa estava sempre na frente, cobrindo-a e meu nariz também. Enquanto alguns queriam fugir, desesperados, eu queria seguir o fluxo, estava confortável no olho do furacão, no limiar do caos, com todos gritando a minha volta e com corações disparando, e eu apenas me deliciando com aquilo, estava me sentindo viva como não me sentia há muito.Quando estávamos encurraladas, não sabíamos para onde ir, eu peguei na mão dela e disse para seguirmos onde está mais gente, que se nos dispersarmos seria pior. Fomos para a direita e fomos em direção a mesma praça de antes, demos uma volta. O ar estava muito impregnado com o gás, tinha gente passando mal nas calçadas, nas bordas. Meus olhos estavam começando a me incomodar bastante, e os da Mariana também, estavam vermelhos, lacrimejavam, ardiam, e eu sabia que não poderia colocar as mãos nos olhos em hipótese alguma, nessa hora estava bem difícil de seguir em frente. Houve um momento em que eu respirei fundo, pela boca, com a camisa abafando, e senti tudo queimando, boca, garganta, pulmões. Mas só essa vez. Comecei a ficar levemente desesperada, pedi a um cara que borrifasse leite de magnésio nos meus olhos e nos da Mariana, e deu tudo certo, estava sentindo que meus olhos estavam maravilhosamente bem novamente. Gritamos que resistíamos, mesmo encurralados, mesmo com toda a pressão da polícia, nós andávamos e gritávamos e cantávamos e... andávamos rápido novamente. Fato curioso: em uma de nossas escapadas, passamos por um bar, onde as pessoas estavam se amontoando lá dentro com um desespero crescente, e alguém responsável pelo bar estava LITERALMENTE, ESCALANDO AS PAREDES PARA TENTAR FECHAR O LUGAR, foi engraçado de se ver, ahhh o caos estampado no rosto das pessoas.... chegamos a praça novamente, com as caras brancas, levemente cansadas, sem saber para onde ir. Ficamos uns cinco minutos tentando nos decidir, pegamos uma direção, gritaram conosco dizendo que não deveríamos ir por lá, pois a polícia estava cercando novamente, e fomos seguir o fluxo, novamente, em direção a Carioca. Chegando lá, eu ainda queria presenciar o tumulto e a baderna, e a Mariana apenas queria ir embora. Quando começaram a correr na nossa direção, e o barulho das bombas e o gás acompanhando-os, Mariana disse para irmos logo ao Metro, e lá fomos nós, e assim acaba a aventura.
Não sou anarquista, mas também estou longe de apoiar quaisquer governos. Eu só quero ver o caos mesmo.

DEEM ATENCAO ÁS CRIANÇAS

        Estou no aeroporto, refletindo acerca da vida, até que me deparo com a seguinte cena: Uma criança de cerca de quatro anos, dançando para seus pais. Ela está toda arrumada, emperiquitada com vários acessórios, os pais adoram fazer isso, deixar as crias como pequenas árvores de natal. Ela está dançando, cantando com aquela voz aguda de criança, não conseguindo dizer nada muito coerente, tudo por um propósito apenas... Chamar a atenção dos pais. É evidente. Ela tenta botar a mão esquerda no pé direito, sem se curvar muito, e os pais continuam estáticos, sentados, conversando. Eles nem olham para a criança. A minha vontade é de parar tudo que eu estou fazendo e ir dançar com ela, dizer que tem alguém que se importa. 
        Não posso julgar de maneira tao direta, pode ser apenas um momento, uma situação inusitada nessa família, sei lá. Mas cabe ao raciocínio, tentem me acompanhar: Eu vejo isso e me sensibilizo na hora, sei como é isso, essa falta de atenção pela qual as crianças estão passando. Quando eu era criança, digo, quando tinha de quatro a dez anos, eu fazia o mesmo. Tentava chamar atenção dos meus pais, mostrando desenhos a eles, tentava interagir ao máximo com eles, eram meus heróis. Minha mãe sempre tentou ter o máximo de contato comigo, a despeito de não morar comigo, e meu pai tentava também, mas entrou em depressão e isso me afetou também, mas é papo para outro texto.
       O que importa é o seguinte: eu me sentia ligeiramente abandonada quando criança, eu com meus desenhos, desenhando sozinha em meu quarto fechado, eu perguntava ao meu pai: -pai, o que eu desenho agora? e ele me respondia: - Não sei, filha... quando na verdade eu só queria ouvir sua voz, eu só queria me envolver com essa pessoa que se tornou tao distante. Eu ficava com meus probleminhas de criança, com ninguém para me ouvir, escrevia em diários que eu guardo até hoje, e, com a distancia da minha mãe, comecei a esconder coisas dela, e... voilá. Cresci uma pessoa extremamente sensível, insegura e ferrada emocionalmente, carente e meio desesperada por atenção.
       Eles não me ouviram, e hoje eu ainda acho que eu não tenho valor algum. Eu sei, eu sei, vocês vão me dizer: ''ah não, você vale muito sim". Estou tentando me convencer disso a cada dia, mas é difícil.
       É assim  que vocês, futuros pais, querem ver seus filhos crescerem? Prestem atenção nos seus filhos. Parem de se importar tanto com a aparência deles, ajeitar seus cabelos e roupas, é importante, mas nao essencial. Conversem com eles, perguntem como foi a aula, insistam para que a conversa nao seja assim:
-Como foi a aula?
-Legal.
Se interessem, porra, eles são pessoas também, parem de menosprezar as descobertas de seus filhos, liberem um pouco desse seu tempo e ouçam, aconselhem , deem apoio, sejam os alicerces que vocês deveriam ser como pais, e não como adultos que fornecem água, comida, e roupa lavada. Seus filhos não são bonequinhos em uma estante para você exibir e dizer" -Meus filhos tiram ótimas notas.", mostrem que eles tem valor, larguem os Smartphones um minuto e ARRANJEM TEMPO para eles. Eles precisam disso, de verdade. Sejam humanos, abracem, beijem-os, estejam presentes, no futuro isso vai fazer diferença. Independente de você ser mãe ou pai solteiro, avó, avô, primo, prima, tio, tia, a questão não é de quem dá atenção a criança... SEJAM HUMANOS. 

terça-feira, 9 de maio de 2017

Pó. Redes. Sad.

Vou aproveitar que a internet está ruim e tentar descrever minha situação dramática. Será que é dramática mesmo? Será que eu estou inventando coisas apenas para chamar atenção? Enfim, vamos lá.
Pó. É isso que há no meu interior. Vazia. Estou sem propósito. Cursando algo que eu não estou afim, não me dá vontade de sair da cama e ir lá comparecer á faculdade, nem os meus amigos conseguem me deixar para cima. E olha que eles são maravilhosos. Estou com problemas para comer, perdendo o apetite o tempo todo, ficando muito em casa, ficando a mofar em meus pensamentos destrutivos, só afastando as pessoas ao meu redor, me distanciando de propósito, saindo de fininho, me ausentando sem ao menos dizer tchau. De novo. Toda a energia com que eu comecei o ano está se dissipando, não tenho forças para levantar da cama, quanto mais para estudar. Eu penso em estudar já me dá vontade de chorar, sei lá. Não gostei do curso, definitivamente, não é para mim. E nisso, estou ficando enclausurada, queria modificar minha situação mas nada adianta, estou um caco só.  Sinto que não tenho energias para lutar contra isso.
Redes. Eu não tenho vontade de fazer nada, eu fico nessa cama e espero mais um dia acabar, e mais um dia, e são apenas reclamações atrás de reclamações por parte de mim, e me sinto sozinha, abandonada, cada vez mais vazia, um aglomerado de sentimentos ruins que não consegue se extinguir, não acho paz, acordo cansada, durmo cansada, acordo triste, durmo triste, presa nessas redes maléficas no meu cérebro, que se voltam contra mim, me apertam, me sufocam, me poem contra mim mesma, uma mosca presa em uma rede, imóvel, debilitada. Essa sou eu.
Sabe, me diziam, com treze anos, que isso não era nada, que era apenas tristeza. Eu desenhava pessoas se matando, se mutilando, chorando, era apenas tristeza. Aos quatorze, mesma coisa. Aos quinze, idem. Aos dezesseis comecei a beber, e não bebia pouco. Quando percebi que estava tentando me enganar ingerindo álcool, parei. Demorou para eu parar. Agora estou eu, com dezessete, com esse vazio que me importuna e não me dá prazer em nada que eu faço, é uma tristeza constante, que, embora eu tente suprimir saindo com alguns amigos, sexo, jogos, ou até mesmo meus desenhos e textos... Não vai embora. Está sempre lá, e quanto mais eu fico nessa cama, que me enraíza e me puxa mais pra baixo, mais eu não tenho vontade de fazer nada.
Até quando vocês vão me dizer que isso não é nada? Que é da idade? Que é só tristeza? Me disseram que eu tinha que me acostumar com a tristeza, que ela é constante mesmo. Mas isso está me matando, me deixando em um estado deplorável.
O motivo desse vazio? Não sei. Tenho uma família que me dá dinheiro para ir a faculdade, tenho amigos que me fazem rir e ter com quem contar, e gosto muito deles. Tenho comida, moradia, tive educação. Alguns me chamariam de ingrata. Agradeço muito por ter tudo isso, mas essa gratidão não abafa a tristeza e o vazio e a agonia constante que eu passo por.
Minha energia? Foi sugada, levada embora, não há mais a Mariana sorridente e divertida do começo do ano. Não, apenas uma Mariana cansada, sempre cansada. E com apenas dezessete anos. É engraçado como as pessoas me condenam pela minha idade, VOCE TEM 17 ANOS, NÃO PODE ESTAR CANSADA, NÃO PODE ESTAR TRISTE, NÃO PODE TER PROBLEMAS. Genial.
Sad. Ligeiramente muito triste, levemente muito cansada, exausta.

Cambio desligo. 

terça-feira, 2 de maio de 2017

Novamente Sinking

Mais ou menos
Eu não gosto muito da minha pessoa, pois...
Me acho irritante, chata. Acho que já comentei aqui alguma vez. E sei que tem muitos que concordam comigo. Perdoem todos os meus exageros, e eu falando alto, e eu sendo hiperbólica o tempo todo, querendo chamar atenção. É maior que eu.
Tentem entender o meu lado.
Os outros falam que eu sou engraçada, acho que eu sou só um pouco, ás vezes chego a ser palhaça e me detesto por isso.
Sei desenhar, mas não desenho MUITO bem a ponto de usar isso para alguma coisa útil, é meramente decorativo.
Sou inteligente, mas não MUITO inteligente, no meu curso posso citar uma gama de pessoas muito mais inteligentes. E, no caso, nem me considero realmente inteligente, só capaz de decorar coisas e interpretar paradinhas, que, no final não vão servir para muita coisa. Inteligência é superestimada.
Falo alguns idiomas, mas o único que falo realmente BEM é inglês, e isso todo mundo fala. De qualquer jeito, não serve para muita coisa também, além de eu ver algumas séries sem legenda.
Não sou feia, mas não sou bonita, não sou aquela pessoa que você vai dizer: ela é bonita, nem aquela que comentarão: ela é feia de doer. Não, meu pai é feio, minha mãe é bonita, eu saí a média entre eles, mais uma vez, mediana, mais uma vez insuficiente.
Queria ser boa nos esportes, mas, de novo, sou bem mediana, não consigo correr muito, por exemplo, em basquete ou futsal, porque respiro apenas de um lado, fico arfando logo, enfim, sou bem mediana também, não faço besteira mas também não sou elogiada.
Escrevo bem, acho, mas não escrevo MUITO bem. Sou uma pessoa média, que fica perambulando por aí. Tendo ser carinhosa e afetuosa, mas acho que excesso disso é ruim, tento calibrar, nunca dá certo, me perco entre minhas muitas médias.
Não tenho dons, não tenho atributos legais, sou uma média ambulante que pernoita por aí, tem alguns amigos que me circundam e me divertem, mas... Não sei. É meu vazio existencial falando mais alto, novamente.
Para terminar, citarei um trecho de uma conversa ontem:
-Mariana, você vai ficar sozinha aí? (em uma rua escura e não movimentada)
-Não tem problema, o único pertence que realmente vale alguma coisa é meu celular.
-Nossa, e a sua vida?
-Sou desapegada a ela. Tem oito bilhões de pessoas no mundo, um a menos não faz diferença. Se eu morrer, se você morrer...
E então a pessoa diz algo que me deixa meio mal:
-Claro que não, se eu morrer como fica o basquete? E o futsal? Se não for eu, a gente não ganha premio, eu sou importante.
Me calei. Realmente, ele faria diferença. Pois ele faz essas coisas bem , as pessoas precisam dele. Ele é útil.
Eu... Não. Não sou útil. Sou substituível. Sempre. Uma pessoa média, sem muita coisa a oferecer, eu não faria diferença. Seria apenas mais uma.
Queria fazer alguma coisa muito bem. Lutar por isso, entrar nessa causa de coração e não abandonar nunca mais, parar de ser um ponto entre extremos, eu sou uma congregação de semi-rótulos infinitos que se misturam e me fazem uma pessoa confusa, sem saber o que quer ou do que gosta.
Não tenho mais o que dizer, acho que é isso.
Mentira, eu sempre tenho o que falar. Eu falo TANTO, que as pessoas ficam enjoadas de mim, falam que eu falo demais, e é verdade. Por isso, eu escrevo, e está aqui para quem quiser ler, mas o que eu sei é que isso, acima de tudo, é para eu botar para fora tudo isso que me aflige o tempo todo.
Ah, e para quem não sabe: Mau humor é apenas você transmitir o seu estado de vida ruim para os outros, é a tristeza impressa no seu rosto e na sua fala e em tudo que você faz. O meu bom humor não tem a ver com ausência de tristeza, eu apenas a escondo bem.

Até mais, assinado pela espectadora da vida.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Xereta

Mariana, quarta-feira de sol. Em um ônibus lotado, normal. Em pé, com a mochila entre as pernas, segurando a barra do veículo para não ser arremessada para todos os lados. *Muda para primeira pessoa*. Estava sem meu celular, no caso, sem bateria, e por isso, ativei meu senso de observação, dedução e indução. Comecei a analisar as pessoas do ônibus, e vi que a maioria delas estava entretida em seus aparelhos. Nisso, observei um indivíduo em especial:
Fulano. Não sei o nome dele, vai ficar fulano mesmo. Aparentemente de estatura baixa (estava sentado), com uma barba grande, cabelos pretos, um semblante comum. Uma tatuagem do símbolo comunista em vermelho no braço esquerdo ( olhe que coincidência) , com uma frase ao lado. O que me chamou atenção foi basicamente a conversa dele.
Fulano conversava, entretido, com alguém. Não sei, a imersão dele no assunto me chamou a atenção. E então a xereta começou a fuxicar o que o mesmo estava fazendo.
Ele conversava com uma garota, uma mulher chamada Fernanda, apelidada no WhatsApp de ‘’Fernandinha bb”. Por um segundo, comecei a ponderar se eles são aquele tipo de casal que se chama de coisas fofinhas e faz voz melosa falando um com o outro, mas agora, em casa, penso que pode ter sido Baixo Botafogo, onde ele pode ter a encontrado. Mas então, lendo sua conversa de maneira bem discreta, vi que ela disse algo como “Bom dia bombonzinho, ou bonzinho”, ou alguma coisa do tipo, e comecei a pensar que eles eram namorados. Mas não, não eram.
Ele falava com ela, mandava suas mensagens, e enquanto ela respondia, ele aguardava ansiosamente, sempre com o celular na mão, não abaixava o aparelho nem a pau, ficava encanando a tela brilhante, esperando a mensagem de retorno de Fernandinha bb. Teve um momento em que, tomado pela saudade, ele abriu as mídias que havia compartilhado com ela, e lá havia uma foto da mesma, vestida de índia, com uma linha vermelha atravessando o rosto horizontalmente, cabelos negros lisos, pele amendoada, olhos negros. Achei bonitinha, digna do apelido de “Fernandinha”. Fulano está um nome muito feio, vou chamar o cara de Flávio. Flávio perguntou, uma hora, qual era o tipo de literatura que ela gostava, o que me fez presumir que não eram namorados. Ela lhe disse que gostava de ação, comédia, romances...  e Flávio respondeu o que ela achava do romance que eles estavam vivendo, ela respondeu que era o melhor, ou seu favorito, ou algo do gênero, e ele respondeu:
 -Nhooooooooooo (coração)(coração com um ponto embaixo).
Achei bonitinho. Queria estar vivendo isso também, e por um segundo achei muito interessante o fato de que ele parecia totalmente estático por fora, concentrado e sem emoções, mas estava digitando de maneira cheia de júbilo. As pessoas fazem isso, rindo por dentro, mas uma máscara por fora que esconde quaisquer mudanças de humor.
Flávio perguntou a Fernanda quais os autores que ela gostava de ler , e a garota respondeu:
-Machado de assis, Graciliano, Lima Barreto... clássicos brasileiros, e chegamos ao momento ápice da história, transcreverei a conversa:
-(...)
Flavio:
-Quer ouvir uma piada?
Fernanda:
-Manda.
Flavio:
-Quem castrou Castro Alves?
Eu ri daquilo internamente. Não iria rir de verdade pois ele me acharia maluca e intrometida.
Ela riu, mandou várias carinhas risonhas. E entao comecei a ponderar sobre como algumas pessoas não conseguiam ser expressivas em suas respostas, e pensei que se fosse eu respondendo, iria dizer mais coisas, mostrar que gostei da piada. E tinha mais.
Fernanda:
-E você tem a resposta?
Flávio:
-Tenho.
Fernanda:
-Qual é?
Flávio:
-Machado de Assis.
Ela riu, eu ri.

Depois disso, ele foi ver outras mensagens, seus grupos, Facebook e afins, mas apenas focado em Fernanda, em sua resposta, todos os outros eram irrelevantes perto dela. Pensei que estivesse bom de fuxicar  a vida dos outros, deixar Flávio ouvindo seu Gonzaguinha, e eu ouvindo vários nadas no meu fone de ouvido quebrado. Sentei na cadeira atrás de Flávio e não pude mais ler suas mensagens, e quando descemos do ônibus, nem ao menos me despedi visualmente dele... Espero que o romance com Fernandinha bb vingue, que eles falem muito de literatura e piadas ruins, e vivam muitas aventuras, eu apoio esse casal.

domingo, 9 de abril de 2017

Não quero coroa

Sábado, 09/04/2017. Estava eu andando pelas ruas de Copacabana, vestida de maneira totalmente tosca, é o melhor adjetivo possível. Blusa largada, laranja, shorts jeans gastos, de 2012, chinelos, meu cabelo preso com uma caneta em um coque no alto de minha cabeça, e para completar meus óculos. Andava pela avenida principal, a qual dá nome ao bairro, quando passo por um prédio onde há dois homens conversando, um aparentemente sendo o porteiro,  o outro não sei. Passo por ele, que me encara o mais profundamente possível em meus olhos, um homem com aparência de idoso, cabelos grisalhos, fora de forma, praticamente do meu tamanho. Ele me encara, e fala, exasperado, de uma vez, como se estivesse suspirando:
-Princesa!
A primeira coisa que eu penso é:’’esse cara tem idade para ser meu avô’’. Mas depois eu começo a filosofar, eu em meu silencio, na noite abafada de outono.
Querido homem que eu nunca vi na vida, você está equivocado. Não me compare com uma princesa, eu fico ofendida.
Eu não quero ser a que fica esperando um príncipe me salvar, impecável, trancada em uma torre.  Eu quero ser a que conhece cada canto de seu território, quero por a mão na massa, me sujar, nem que eu tenha cicatrizes, que elas tenham uma boa história.
Não quero ter unhas pintadas, impecáveis, me vestir com joias ( detesto joias, leiam os outros textos) e tecidos maravilhosos, para ser comparada a estátuas, deusas, ser mais uma musa do público masculino alheio (a.k.a alvo de diversas homenagens). Não, eu não quero ser um objeto decorativo, a princesinha, arrumadinha, em busca de seu cavalheiro encantador. Ou o idoso estranho da esquina, vai saber. (Cof, cof, nada a Temer).
Eu não sou agradável de olhar, um não mais tão amigo meu comentou há um ano que minhas feições eram grosseiras. São. Eu não sou uma moça recatada que fala baixinho e ri como uma doninha, não, minha voz é grossa, clara e alta. A graciosidade em mim não existe, qualquer traço de meus desenhos é brutal, concreto, eu não sou uma pessoa leve, setenta quilos de muita consistência.
Eu não danço bem, não canto, não sei seduzir, não sei encantar, não sei ser qualquer coisa que não pareça grosseira . O máximo que eu faço é fazer as pessoas rirem ou chorar com minhas piadas e meus textos, aqui desse blog mesmo. Eu sou um livro aberto, não tenho segredos que escondo por trás de um leque.
Não tenho uma pele perfeita, olhos azuis cristalinos, cabelos louros, pés e mãos pequenos, não, tenho extremidades grandes, funcional, prático, mas nada gracioso como uma princesa. Tenho a minha mínima delicadeza para fazer castelos de cartas e cuidar de animais, mas para por aí, eu não sou a daminha perfeita e fofa, se esse homem ouvisse quando eu falasse algo, mudaria de ideia.

Não sou a princesa, sou a ogra. 
Mas essa ogra tem mais a oferecer, ela tem um coração, e ele não é pequeno. 
Alimente-a com chocolate que é só sucesso.

sábado, 8 de abril de 2017

era para ser um texto fofinho mas ficou triste

TEXTO BONITINHO PARA NÃO TER PESADELOS
Vi e absorvi umas coisas que não esperava hoje, foi bem ruim, só de lembrar, me dão arrepios, me deixaram bem mal.
Eu sou muito visual, tenho pesadelos mesmo, as imagens, a mensagem por trás de tudo, não saem da minha cabeça.
Estou com medo de dormir agora.
Por isso eu escrevo agora um texto bonitinho, para não ter pesadelos.

Era uma vez, no vale dos unicórnios, um unicórnio que se chamava Coração. Coração tinha um chifre lindo e muito colorido, com todas as cores do arco-íris, e as cores eram brilhantes, seu corpo era de um lilás muito claro, quase branco, que praticamente reluzia no sol, crina e rabo roxos. Seus cascos eram do mais puro dourado, e, seus olhos eram da cor do mais profundo amor. Ele brincava com seus amigos pelos campos floridos do vale. Coração tomava água das mais puras cachoeiras que se encontravam no meio de florestas encantadas, com árvores de frutos infinitos, que não apodreciam nunca. Ele era feliz, tinha sua cama de feno junto de seus amigos, nunca estava sozinho. Ele tinha um espírito de aventureiro, curioso e entusiasmado.
Mas seu poder era diferente. Coração absorvia os sentimentos dos outros unicórnios, tentando confortá-los quando estavam tristes, e os potencializando quando eram felizes, conseguindo sentir as mesmas emoções, era como se as emoções penetrassem em sua alma, se infiltrassem lá e refletissem para os outros unicórnios.
Um belo dia, Coração sentiu vontade de beber água, disse a seus amigos que já voltava, e resolveu ir a um lugar não convencional, ao outro lado da floresta, também bem frequentado pelos unicórnios. Trotando por entre as árvores, se deparou com um poço. Esticando o pescoço para visualizar o que havia lá dentro, o unicórnio viu um espelho d’água, que logo se tornou turvo. Ele não entendia o que estava acontecendo, nunca tinha visto nada igual antes.
Do outro lado do espelho d’água, imagens começavam a se formar. Imagens nítidas, perfeitas, de uma resolução impecável.
Era um espelho que mostrava as outras dimensões contidas no espaço-tempo, e, por um momento, passou a de um planeta azul bastante conhecido. Por um instante, o unicórnio se perdeu em imagens: havia seres gigantes, com temperamento agressivo, e ele institivamente recuou, mas depois voltou a ver as imagens. Muitas criaturas desconhecidas, coloridas, mas todos pareciam em harmonia, em meio a paisagens diferentes da que conhecia. Depois de alguns minutos assistindo, houve um clarão, e de repente não havia mais criaturas. Ele já não tinha entendido muito antes, agora ficou perdido.  Coração ficou intrigado com uma raça diferente que surgiu no espelho, seres meio claros meio escuros, estranhos, com uma quantidade abundante de pelos em polos concentrados, e mais, eles não andavam em quatro apoios, como assim? Por que a tela estava focalizando tanto nessas criaturas, quando havia outras mais interessantes?
E então ele observou a formação de tribos, aldeias, sociedades. Esses seres tinham algo em especial, eles conseguiam predominância, como se mais importantes. Em suas mãos, surgiam pedras e folhas e cordas e conseguiam fazer... coisas pontudas? Qual seria a funcionalidade daquilo? E pela primeira vez, Coração testemunhou a violência dessa raça. Conforme o tempo ia passando, ele via que esses seres eram quase que mágicos, mas muito ambíguos, eles construíam grandes abrigos de pedra, para depois derrubá-los, pareciam tão sábios, mas também tão tolos, e Coração testemunhou a morte pela primeira vez, visto que os unicórnios são imortais. Ele não conseguia entender porque aquilo acontecia, a vida era retirada de um ser de maneira tão abrupta, e o unicórnio cheio de perguntas sem respostas, mas muito sentido pela raiva que era transmitida por esses seres meio pelados, meio cabeludos.  Ele ficou lá, prostrado, olhando para aquilo, e ficou com muito medo, e muito triste, conforme o tempo passava. Ele via grandes descobertas de substancias mágicas sendo convertidas para violência, mais sentimentos ruins sendo transmitidos, e ele sentia aquilo como facadas, nunca havia se envolvido com uma corrente tão negativa. Até que chegou a um ápice, em que as imagens estavam passando tão rápido, mas com um conteúdo muito denso. Via sangue, mortes, estupros, assassinatos, guerras, e não compreendia, e quanto mais sentia a tristeza emanando através de água no que parecia ser as faces deles, ele chorava o choro mágico dos unicórnios, que é uma espécie de água que faz flores nascerem instantaneamente. E ele chorava, conforme ele via os filhotes dessa espécie sendo arrancado de suas famílias, conforme muitos desses seres eram exterminados, como um sentimento muito amargo de individualidade tomava conta deles e os tornava parecidos com monstros, monstros assustadores que poderiam assombra-lo por toda uma vida.
Ele via esses seres serem nocivos, atacarem toda outra forma de vida, seja por diversão, seja para subsistência, seja para trocas. Ele via uma mudança absurda no cenário, que antes era verdejante, agora era cinza. E, se antes havia outras criaturas, agora só havia os bípedes estranhos controladores.
Mas apesar disso, ele também sentia a compaixão na alma de muitos deles, de como os seres eram divergentes, alguns com muito mal concentrado, outros muito bons. Porém, o lado mal lhe mostrou coisas muito impactantes, instrumentos de algum metal que lançavam outro metal e estancavam a vida para fora de outras criaturas,  substancias tóxicas usadas de propósito para a aniquilação de seus semelhantes. Por quê? Por que tao cruéis? E essa crueldade era diretamente absorvida em Coração, e cada vez mais ele ficava pior, mais triste, cabisbaixo, e mais flores iam crescendo em torno de seu perímetro.
 A lua já estava alta no céu quando Coração saiu de perto do poço, e havia um grande campo de flores ao redor do mesmo. E ele não parava de chorar, estava muito triste, não sabia que existia tamanha dor, tamanho sofrimento, queria ajudar mas não sabia como, era somente um unicórnio. Ele não podia se comunicar com essa espécie desconhecida, não poderia ensinar aos que não conheciam o amor, que essa era a melhor forma de prosperar. Mas nada adiantava, a frustração se acumulava no unicórnio, e ele não sabia nem se conseguiria se mover desse lugar, tamanho o choque dessa outra realidade que ele não conhecia.  Com muita força de vontade e tristeza emanando do pobre ser místico, ele foi, aos poucos, até onde estavam seus amigos.
Chegando lá, seus companheiros estavam  preocupados com seu paradeiro, e ele não tinha vontade de falar, de comer, nada. Só disse-lhes que se espetou em um espinho e precisava de tempo para sarar, nada que uma soneca não bastasse. Seus amigos insistiram, queriam ajudar, queriam saber se havia algo a mais de errado, mas nada acalmaria Coração.
Ele chegou a seu leito, descansou a cabeça na árvore inclinada que se encontrava a frente, e deixou suas lágrimas caírem, uma vez mais. As lágrimas de toda a dor, todo o sofrimento, todas as mortes desnecessárias, toda a avareza, toda a crueldade, todo o ódio, toda a perversão, todo o mal. Ele sentia que não conseguiria suportar tudo aquilo.
Adormeceu, com um lindo campo de flores vermelhas resplandecendo em seu redor.
Ele acordou  de um sono sem sonhos nem pesadelos, ligeiramente melhor, mas mesmo assim, não era o suficiente. Com habilidades telepáticas de unicórnio, ele pegou grafite refinada do minério mágico, e uma folha branca, caída, da árvore-neve, que se encontrava no centro do vale. Pressionando telepaticamente o grafite contra a folha, ele escrevia na caligrafia mágica e perfeita dos unicórnios.
Ele precisava escoar esses sentimentos, transmiti-los para algum lugar, para que o conteúdo não ficasse denso em sua memória, mas nas memórias de vários materiais e substancias.

Então, ele escreveu. E escreveu mais ainda.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

NÃO INTERPRETE A PRIMEIRA LINHA LITERALMENTE

Estou grávida.
Entendem a gravidade disso?
Gravíssima gravidez.
E não é só um filho.
São cinco, dez, vinte.
Na minha cabeça.
Seria eu minerva?
Meus filhos são minhas transposições
Meus pensamentos indo para o papel
Eles ficam no meu crânio, na minha mente,
Que faz papel de útero
Conforme o dia passa, eu dou nutrientes a eles
E eles ficam mais fortes
E eu quero que eles saiam, que eles vão para o papel
Mas há duas substancias tóxicas que consomem
O nutriente vital dos coitados
Responsabilidade e procrastinação.
Elas consomem o Tempo, e com isso, meus queridos pensamentos
Somem. São esquecidos.
Como poderia uma mãe esquecer de seus filhos?
Eu queria poder escrever, ao mesmo tempo, tudo que me passa na cabeça
Mas eu perderia minhas digitais, em uma espiral infinita de escrita
Ficaria com olhos vermelhos, ardidos, encarando a tela branca que me tortura as retinas
Então, seleciono poucos filhos para mostrar ao mundo
Eles saem e ficam expostos e crescem e florescem e pessoas falam deles
Mas, ao contrário de nós humanos, eles são imortais. Que eles espalhem
A palavra do caos e do amor por aí

#pas

As angústias do jovem Ino

 Me perco em mim  Me afundo em mim  Perco meu corpo de vista  O oceano é um universo  Me perdi e talvez não queira me encontrar  Quando eu c...