Eles não fazem a céu aberto
Porque outros homens os algemariam
Mas se pudessem
Eles, com ódio das mães e irmãs
As estuprariam, e ririam
Diriam
Tenho todo o poder sobre o seu ser
Pois é isso que representa o meu gênero.
É a violência colossal de Akira
É o limite desrespeitado
Poder traçar uma nova linha de limite
É muito bom ser predador
Eu tenho câimbra no rosto
De tanto fechar minha cara para homens monstro
A gentileza é um convite para o olhar examinar seu corpo
Tal qual laboratório
Eles te estuprariam a céu aberto
Mas as leis e testemunhas estão muito atentas
Algumas nem tanto, ás vezes é preciso cinquenta
E mesmo assim eles não acreditam
E se não bastarem as mãos, há as armas
E se não bastarem as armas, há as bombas
Que melhor temporada para o estupro senão as guerras
Um corpo sem estado é um corpo sem lei
Ante o estado de exceção, a frieza e crueza da barbárie humana
Sentimento é história de dormir para criança
O psicopata não é diagnosticado, não
O violar é normal,
E se não o faz ainda questionam
Se não objetificarem te chamam de homossexual
E te estupram igual
O sorriso é a chave da subjugação
Te obrigam a ser agradável
E com asco cospem na tua imagem admirável
Encaro como os olhos cheios de sangue
Até os xingamentos são direcionados ás mães
Travando inconscientemente mil batalhas
Debocha e finja que nunca existiu dor.
Pois o escárnio sórdido do riso do inimigo
O sadismo cultivado ante sacrifício
Torna insuportável o circular
Essa rua tomada de parasitas
A pornografia ceifou o respeitar.
Essas ruas interditadas
Nenhuma esquina posso chamar de lar
Ante o peso pago caro meu espaço ao laborar
Carrego o ódio e o desprezo por onde for
Por essas ruas quem estuprariam a céu aberto se pudessem
Em nenhuma dessas ajoelho
Brinda um copo de cianeto
E foda-se o senhor.