Eu sei que se precisasse da sua ajuda
Eu nem um cuspe na cara levaria
Só o silêncio
bom dia Vietnã eu diria
mas a nossa guerra é menos brutal
a guerra é a correria
respirando sujeira
em meio a selvageria
em quase 27 anos que vivi
hoje entendi, por meio da experiência
trabalhar não é algo a atingir
é uma prova de resistencia
você pode esbanjar sapiência
ou fingir demência
vai ter meia duzia de abutre
pra ver se você pede desistência
você trabalha em pé
ou sentado, todo todo
trabalha mais de meio século
só para ter onde cair morto
e os que estão mais altos no altar
no antro das víboras a sibilar
ainda vão te julgar
pelas substâncias a entorpecer
pelas substâncias a confortar
o copo de cachaça para aquecer
o corpo e lembrar
que não vivo pra trabalhar
e só trabalhar não é viver.
sinto como se
fosse flutuar
é uma merda você fala merda
mas é delicioso
não te mostro
Porque você é egocêntrico
sua saliva tem gosto de ambrosia
e eu poderia nadar na sua barba
você é maluco por sexo
cheira a sexo
exala
e agora meus dedos transbordam extase
sou um redemoinho
atraindo embarcações para o meio
para que elas encostem na areia
da dimensão quilométrica do fundo do mar
e os polvos povoam as salas
e as madeiras se fundem ao mar
e os barcos carregam não mais
amparados no leito do mar
e os barcos cascas abraçados
pelos corais, enguias e lulas
pelas linhas fugidias das arraias
pelas mais lindas criaturas
sou o tubarão que sente cheiro do sangue
ou da carne em decomposição
mas você, não
você pegou o bote salva-vidas
antes de afundar a embarcação
anseio pelo cheiro de sangue
violento fumegante vulcão
perto de meu mortal redemoinho
ou os dentes do tubarão
Ela sangra, bem,
Ela não dança
Pelo menos não agora
Pelo menos talvez nunca
Pelo menos talvez quando eu peguei tintas
As minhas olheiras fiquem menos roxas
Talvez quando eu cante
Os cantos fiquem mais arredondados
As quinas se abrandam
Quando escrevo tudo entra em combustão
O fogo transmuta minha motivação
Escrevo com metafórica pena, Franca
Minha ambição é faixa preta
Minha alegria é bater em faixa branca
Posso me entorpecer em você? Não?
Vai se foder então
Que eu cave a minha cova
Não tenho mais carne
Ou olhos ou ouvidos
Sou o zumbi que repudia a própria carne
E os olhares não procuram nada
ouvidos anseiam o silêncio
mãos tateiam o escuro
Desejando não se espetar com espinhos
E as esperas, essas ásperas inimigas
Mate meu desejo de uma vez e fala que me repudia
Tento tirar de dentro de mim as enguias que me angustiam
Os vermes que me sugam, os caídos que me sigam
A comida, cheia de veneno, me enoja
O gesto obsceno me difere
E eu, semi digerido semi morto
Não consigo desligar essa incessante máquina
A vida é senão mácula
Manchados pela devassidão
Mas o desejo, é um terreno arredio
Se pede licença para assediar
E com sede, eu cedo a beira do oasis
Tudo é imagem
Por trás há panos e atores mancos
Tenho sede do inexistente real, é uma moeda
Tenho medo do caráter verdadeiro da besta humana
Do sádico, do masoquista, do desleal
O delírio a beira do oasis
Poluiram o ar e a água, mataram a fauna
Não tem planta, nem céu, nem paisagem
Era tudo uma miragem
Eu quero um corpo mas quero o torpor
Dos sentidos apontando para algum lugar que não eu
Esse eu angustiado diante da prisão
Do fardo da existência que não cessa
Das pálpebras tremendo e então
Não me falta trabalho e metafísicamente me jogo no assoalho
Não sou mais que espantalho
Quero espantar os pássaros
Não voem perto de mim os seres humanos te aprisionam
Vão onde não podem ser vistos
Fama grana bonança nada me daria esperança
Que esse mundo não é lugar de criança
Esse mundo é lugar de monstros devoradores de almas e zumbis
E os animais no meio tentando salvar as próprias peles
Antes que virem bolsas de crocodilos ou casacos de madames
O inferno é uma festa do banco master
O céu está sujo demais para conseguirmos fazer a distinção
Entre um lindo por do sol e uma nuvem densa de poluição
ai eu fazia carinho na cabeça dele
e ele estava com o cabelo todo oleoso
e eu ficava com nojo
mas eu pensava, é isso né
não tem mais o que fazer
ele se sentia meio acuado e triste
e eu estava no sofá cama, perto dele
eu não o via, seu semblante
ou sua voz
mas ficava lá, passando a mão por cabelos embebidos em óleo
ao final da vida, ele se deteriorou muito
os dentes, quase todos amarelados e pequenos na parte de baixo
e ele nunca fez uma tatuagem...
quando acordei, me senti um pouco melhor
por ele não ter brigado comigo no sonho
tinha sonhado com a larissa
estávamos em algum lugar
viajando. e me sentia bem e eu vestia uma roupa amarela
eu gosto de vestir amarelo, embora ele não se encaixe tanto na minha paleta de cores
a gente precisava fazer alguma coisa e ela me perguntava se eu podia ajuda-la
e claro que eu quis ajuda-la, mesmo depois de tudo, eu amava aquela amizade mais do que tudo
ela foi uma das minhas primeiras decepções, talvez
mas tivemos memórias ótimas
memórias e fotos perdidas pelo orkut
e eu ja tive material suficiente para ter vivido uma vida
não fui a muitos aniversários
talvez eu não seja uma pessoa de tantas comemorações
estive rapidamente mergulhado em ópio
tentando dormir 24 horas
não desistam de mim, eu tenho depressão
meu namorado me ajuda sempre que pode
minha primeira foto era do budismo, em 2011,
e eu só lembro que minha barriga roncava
eu queria comer e ralar
e pintei um mini quadro de uma flor, no caminho
e eu e a giovanna tinhamos ido para uma apresentação
com a mesma roupa
nós duas filhas únicas
aquele momento foi especial
e nunca vai voltar
foi como uma viagem que nós fizemos para o interior
nunca viveremos algo assim novamente, não do jeito que foi
tento não deixar a melancolia manchar minha visão
é difícil ás vezes pensar que precisamos nos projetar apenas para frente
hoje eu sonhei que eu ia para a facldade com o meu pai
e ele achava que faríamos alguma coisa mirambolante
mas ele senta em uma cadeira
e assistimos a uma aula em que os professores gravaram o que eles iam falar
meu pai deixou 26 processos
um celular
e algumas cuecas
O colapso climático
Tá quente né?
São seus olhos, gato
Somos covardes, se não controlo eu mato
Se não possuo, violo
E não há música, e ficam surpresos
Pelos gansos não quererem olhar
Os corpos suspensos dos irmãos degolados
Nada disso toca vocês
"Foi Deus que fez"
Um Deus de sangue e morte
Dar soco na cara de tubarão
Cada um a mercê da própria sorte
Não grito, nem me entupo de remédio
Em angústia, me contorcendo entre civis
Quando ficamos tão imbecis?
Escravizamos o boi, então
O porco, A galinha, incessantemente
A forçamos a produzir ovos ininterruptamente
Forçamos hormônios no bicho
Fazemos testes e os jogamos no lixo
"Ratos de laboratório"
O mesmo que nada, corpos marcados para morrer
Em um sistema exploratório
Uma vida não é nada
E os crentes condenam o aborto
Que eu me castre e me isente
Da responsabilidade de, nesse mundo parasitico
Largar mais um ovo, um verme
A perfurar as entranhas da terra
Homens caçam por diversão
Homens escravizam o sexo
Fazem tudo por dinheiro
O estupro é normalizado
Pessoas em cativeiro
No meio da africana savana, uma mortalha
Um tiro
E comemoro
quando um elefante pisoteia o canalha
Os pássaros presos em gaiolas
Para serem mini troféus do ser humano
Os homens, subordinados a outros homens
São o retrato mais perverso da barbárie
Tenho vergonha de me incluir nisso
Para começar um dia na metade,
Só um café expresso,
Sob a desculpa do desenvolvimento,
Caminhando rumo ao regresso,
Vejo as árvores, em seus quadrados-celas
Delimitados no cimento
Impossível diante muros
Se adequar ou sentir pertencimento
Tão impotentes quanto detentos
Por informações , sedentos
É mais fácil estar sedado
Sob a sobriedade, cedo
É tarde
aí acordei ás duas
e estou com falta de ar.
é também porque estou com um livro de 1990 do meu lado
talvez eu devesse ter uma bombinha
preciso mudar de óculos, meus joelhos dão mini choquinhos
preciso de fisioterapia, meio urgente.
preciso de tantas coisas
e a imprecisão da vida me deixa sem ar
tão fácil puxar um tapete
busco lugares confortáveis na minha cabeça
para tentar fugir de ansiedades
uns usam remédios
shakira veio tocar
e todos os olhares se voltaram para copacabana
enquanto é impossível andar em paz em curicica
tenho pensado em deixar o rio de janeiro
estou cansado do calor
e também estou cansado dos barracos cariocas
de suas brigas e dos excessos
estou me sentindo minimalista
quero sentir pouco, viver o básico, nesse momento
a minha vida sempre foi um grande exagero
ficar de boa e tentar calcar meu caminho de estabilidade
e ás vezes eu sinto que tenho seis anos
na calada da noite, nessa noite silenciosa
talvez eu perceba que eu prefira o sulencio
o barulho entra pelos nossos ouvidos
e a informação visual de tudo querendo te vender tudo
ao mesmo tempo
é sufocadora. e ás vezes eu fico sem ar.
eu finalmente tenho o espaço
no maior quarto que já tive
e conquistei com minhas próprias mãos
meus cômodos e os espaços vazios do chão
eu amo os espaços vazios do chão
que eles continuem vazios
pafa a casa conseguir respirar
e o gato é o fator supresa da casa
uma hora está carente
outra hora está implorando sache
outra hora está maluco
saindo correndo brigando com absorventes internos
é muito bom ter espaço
é muito bom cuidar do espaço
e ter seus limites respeitados
Eu sei que se precisasse da sua ajuda Eu nem um cuspe na cara levaria Só o silêncio