domingo, 1 de fevereiro de 2026

Eu engoli o mundo inteiro

 Eu engoli 

O mundo inteiro 

E agora

Estou com

In digestão

Inteiro



Com todo seu cimento 

Sem meus pés no chão 

Chamo não vem nada

Me sinto em erosão 

A cabeça 

Nunca desligada 

Vulcão em erupção 

Eu digo descansa

Meu cerne diz não 

Eu engoli 

O mundo inteiro 

Em suspensão,

Matei, alguns reis em 

Ascenção 

Engoli o mundo inteiro

E agora, 

Estou com indigestão 


Mascando 

Mascarando 

Me dispo de mim 

Desço ao inferno 

Terno, sem fim 

Me queimo e renasço 

Pereço, assim 

Sou sua ruína 

Me chama de heróina 

E como queria umas

Boas doses de morfina 


Eu engoli 

O mundo inteiro 

Em suspensão,

Matei, alguns reis em 

Ascenção 

Engoli o mundo inteiro

E agora, 

Estou com indigestão

O bicho da goiaba

 Eu tenho nojo do bicho da goiaba 

Quantos bichos da goiaba eu comi 

Se fundiram a mim 

Eu sou um pouco de bicho da goiaba do planeta 

É a parte que geme e se contorce em uma grande bola girando no universo 

O mundo é uma goiaba 

Eu tenho nojo de mim 

A goiaba é doce 

Mas o bicho da goiaba se contorcendo na minha boca não é doce

Será que é uma larva de mosca

Larvas de moscas são nojentas

Vou ter que congelar a goiaba

Matar a goiaba 

E comer o bicho da goiaba morto, de qualquer jeito?

Eu costumava partir a goiaba ao meio 

Para comer a parte sem bicho 

Quantos bichos da goiaba eu posso ter comido 

Quantos bichos da goiaba parti ao meio, sem querer

Quantos bichos da goiaba sobreviveram, quando joguei a parte do bicho fora

O bicho devora a goiaba mas sobra tanta goiaba 

O ser humano é muito mais egoísta que o bicho da goiaba 

Imagine se tivesse apenas um ser humano no planeta

Comendo o que encontra pela frente 

Mas não, somos 8 bilhões de bichos da goiaba 

E nós comemos os outros bichos da goiaba quando não há mais goiaba pela frente 

Eles, larvas

Eu, predador 

Eles, na esperança de nascer

Eu, ceifando sua existência a partir da raiz 

Mas agora não dá para comer 

Nem a goiaba, nem os bichos da goiaba 

Pois estou a alguns milhares de quilômetros do Brasil 

Os bichos da goiaba estão na minha memória, doce

Congelados

domingo, 18 de janeiro de 2026

 ele anda na minha direção

respirando rápido 

Estou no chão 

Só mais uma luta, não

um olhar meio perdido

meio: 

entra na minha vida e tenta reorganizar meus cacos

os cabelos suados caindo na testa 

parecendo um cachorro molhado

a desilusão no seu olhar

e lindas tatuagens

e umas pernas gigantescas que parecem que vão explodir 

lindas pernas

você olha nos meus olhos

e diz

" vou apanhar"

-vai, fala de novo.

era o que eu gostaria ter dito

meu bem, você não tem a técnica

mas tem uma paixão gritante que faz você vibrar

esse fogo que queima no seu peito

mesmo com a desesperança no olhar

é inspirador

um cara de mais de noventa quilos

quero lamber suas tatuagens 

Vamos nos divertir 

fala pra mim que vai apanhar, de novo

não deixe a cor da minha faixa te inibir


segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

chuva

 que a chuva

molhe a terra

que molhe meus cabelos, 

rosto,

que eu olbhe para cima e veja

como um foguete vindo em minha direção

uma gota d'água 

e ela encontra a minha cara

e a água se encontra com a terra e 

sobe um dos melhores cheiros do mundo

e a água escorre pelas minhas mãos

tudo tem cheiro de úmido

eu quero me jogar

do penhasco, 

em direção ao mar

ou a cachoeira

quero chover todos meus fluidos

e sei que nunca irei secar

pois o sangue continua a correr

essa água vermelha com cheiro de ferro

e eu paro

paro de correr, paro de andar

resspiro

olho para cima

fecho os olhos

que caiam mais gotas

que meu vestido vire água-viva

que eu flutue no oceano

nas profundezas abissais

te trago luz

mas sinceramente  

não mais quero dar conselhos

nem procurar a verdade

quero entregar nada, apenas marcar

me despir de vaidade

cravar em ônix-água memórias

para toda a eternidade finda 

em que está circunscrita a humanidade

a melhor companhia

 é a minha vaidade

eu sou um gênio

uma pessoa incrível

e vou ser tratado como eu quero ser tratado 

se não for o excepcional, pra mim, não presta

que eu fique só com meus pensamentos 

a casa arrumada o trabalho vai ok 

as pinturas ok hoje é meu dia de descanso.


sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Reptiliano

 O tesão em mim se mistura com preocupação 

E ambos me mantém alerta, assim

 estímulos me irritam 

 preciso deles para me distrair de mim

Mas canso de me distrair 

e quando tento fechar os olhos 

não há para onde fugir 

Isso me apavora 

Não um medo agudo 

Mas um medo como quem está em um pântano 

Um medo de quem tentou tudo 

Deserto, e falo e as pessoas aparecem como notificações 

E tato e hálito parecem miragens 

E os sons tornaram-se paisagens 

Nesse deserto afaste-se de mim 

Está calor de derreter os ossos 

Estão poluídos não adianta 

Cavar novos poços  

Com os pés cheios de bolhas umidos 

Os sapatos esgarçados furados 

Ignoro desconfortos súbitos 

Acostumado meio anfíbio estou 

Indiferente reptiliano sou 

Desventura se desdobra 

Me olham com olhos gatos

Respondo com sangue de cobra