sábado, 16 de maio de 2026

é um idiota

por ser tão idiota mas tão bonito

por ser tão estúpido mas tão gostoso

 imbecil como uma porta

beijável, maravilhoso

o sorriso me dilacera

não precisa falar nada, não importa

porque ai me lembro

é idiota como uma porta

gostoso que nem um guerreiro espartano versão espanhola

olhos derretedores de qualquer miolo

que fosse me condenar

por ficar com alguém idiota como uma porta

e eu quero gozar com você e suas mãos dentro de mim

enquanto a gente sua e rola no chão 

quero a sua boca me engolindo 

e a sua ferocidade e devassidão

imbecil como uma porta

selvagem como um leão


extase

 sinto como se 

fosse flutuar

é uma merda você fala merda

mas é delicioso 

não te mostro 

Porque você é egocêntrico 

sua saliva tem gosto de ambrosia

e eu poderia nadar na sua barba

você é maluco por sexo

cheira a sexo 

exala

e agora meus dedos transbordam extase

coisas do mar

sou um redemoinho

atraindo embarcações para o meio

para que elas encostem na areia

da dimensão quilométrica do fundo do mar

e os polvos povoam as salas

e as madeiras se fundem ao mar

e os barcos carregam não mais

amparados no leito do mar

e os barcos cascas abraçados

pelos corais, enguias e lulas

pelas linhas fugidias das arraias

pelas mais lindas criaturas

sou o tubarão que sente cheiro do sangue

ou da carne em decomposição

mas você, não

você pegou o bote salva-vidas

antes de afundar a embarcação

anseio pelo cheiro de sangue

violento fumegante vulcão

perto de meu mortal redemoinho

ou os dentes do tubarão

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Vê a minha alma

 Ela sangra, bem, 

Ela não dança 

Pelo menos não agora 

Pelo menos talvez nunca 

Pelo menos talvez quando eu peguei tintas

As minhas olheiras fiquem menos roxas

Talvez quando eu cante 

Os cantos fiquem mais arredondados 

As quinas se abrandam

Quando escrevo tudo entra em combustão 

O fogo transmuta minha motivação 

Escrevo com metafórica pena, Franca

Minha ambição é faixa preta

Minha alegria é bater em faixa branca 


quinta-feira, 14 de maio de 2026

Minha sobrancelha tremendo

 Posso me entorpecer em você? Não?

Vai se foder então 

Que eu cave a minha cova

Não tenho mais carne 

Ou olhos ou ouvidos 

Sou o zumbi que repudia a própria carne

E os olhares não procuram nada

 ouvidos anseiam o silêncio 

mãos tateiam o escuro

Desejando não se espetar com espinhos

E as esperas, essas ásperas inimigas

Mate meu desejo de uma vez e fala que me repudia 

Tento tirar de dentro de mim as enguias que me angustiam 

Os vermes que me sugam, os caídos que me sigam

A comida, cheia de veneno, me enoja

O gesto obsceno me difere

E eu, semi digerido semi morto

Não consigo desligar essa incessante máquina

A vida é senão mácula

Manchados pela devassidão 

Mas o desejo, é um terreno arredio 

Se pede licença para assediar 

E com sede, eu cedo a beira do oasis 

Tudo é imagem 

Por trás há panos e atores mancos

Tenho sede do inexistente real, é uma moeda 

 Tenho medo do caráter verdadeiro da besta humana 

Do sádico, do masoquista, do desleal 

O delírio a beira do oasis 

Poluiram o ar e a água, mataram a fauna 

Não tem planta, nem céu, nem paisagem 

Era tudo uma miragem 

Eu quero um corpo mas quero o torpor

Dos sentidos apontando para algum lugar que não eu 

Esse eu angustiado diante da prisão 

Do fardo da existência que não cessa 

Das pálpebras tremendo e então 

Não me falta trabalho e metafísicamente me jogo no assoalho 

Não sou mais que espantalho

Quero espantar os pássaros 

Não voem perto de mim os seres humanos te aprisionam 

Vão onde não podem ser vistos 

Fama grana bonança nada me daria esperança 

Que esse mundo não é lugar de criança 

Esse mundo é lugar de monstros devoradores de almas e zumbis 

E os animais no meio tentando salvar as próprias peles 

Antes que virem bolsas de crocodilos ou casacos de madames 

O inferno é uma festa do banco master 

O céu está sujo demais para conseguirmos fazer a distinção 

Entre um lindo por do sol e uma nuvem densa de poluição 




quarta-feira, 13 de maio de 2026

Mas ai voltando

 ai eu fazia carinho na cabeça dele

e ele estava com o cabelo todo oleoso

e eu ficava com nojo

mas eu pensava, é isso né

não tem mais o que fazer

ele se sentia meio acuado e triste

e eu estava no sofá cama, perto dele

eu não o via, seu semblante

ou sua voz

mas ficava lá, passando a mão por cabelos embebidos em óleo

ao final da vida, ele se deteriorou muito

os dentes, quase todos amarelados e pequenos na parte de baixo 

e ele nunca fez uma tatuagem...

  quando acordei, me senti um pouco melhor 

por ele não ter brigado comigo no sonho

álbum de fotos

tinha sonhado com a larissa

 estávamos em algum lugar

viajando. e me sentia bem e eu vestia uma roupa amarela

eu gosto de vestir amarelo, embora ele não se encaixe tanto na minha paleta de cores

a gente precisava fazer alguma coisa e ela me perguntava se eu podia ajuda-la

e claro que eu quis ajuda-la, mesmo depois de tudo, eu amava aquela amizade mais do que tudo

ela foi uma das minhas primeiras decepções, talvez

mas tivemos memórias ótimas

memórias e fotos perdidas pelo orkut

e eu ja tive material suficiente para ter vivido uma vida

não fui a muitos aniversários

talvez eu não seja uma pessoa de tantas comemorações

estive rapidamente mergulhado em ópio

tentando dormir 24 horas

não desistam de mim, eu tenho depressão

meu namorado me ajuda sempre que pode

minha primeira foto era do budismo, em 2011, 

e eu só lembro que minha barriga roncava 

eu queria comer e ralar

e pintei um mini quadro de uma flor, no caminho

e eu e a giovanna tinhamos ido para uma apresentação

com a mesma roupa

nós duas filhas únicas

aquele momento foi especial

e nunca vai voltar

foi como uma viagem que  nós fizemos para o interior

nunca viveremos algo assim novamente, não do jeito que foi

tento não deixar a melancolia manchar minha visão

é difícil ás vezes pensar que precisamos nos projetar apenas para frente

hoje eu sonhei que eu ia para a facldade com o meu pai

e ele achava que faríamos alguma coisa mirambolante

mas ele senta em uma cadeira

e assistimos a uma aula em que os professores gravaram o que eles iam falar

meu pai deixou 26 processos

um celular

e algumas cuecas



terça-feira, 5 de maio de 2026

Animais

 O colapso climático 

Tá quente né? 

São seus olhos, gato

Somos covardes, se não controlo eu mato

Se não possuo, violo

E não há música, e ficam surpresos 

Pelos gansos não quererem olhar

Os corpos suspensos dos irmãos degolados

Nada disso toca vocês 

"Foi Deus que fez"

Um Deus de sangue e morte 

Dar soco na cara de tubarão 

Cada um a mercê da própria sorte 

Não grito, nem me entupo de remédio 

Em angústia, me contorcendo entre civis 

Quando ficamos tão imbecis?

Escravizamos o boi, então 

O porco, A galinha, incessantemente 

A forçamos a produzir ovos ininterruptamente 

Forçamos hormônios no bicho 

Fazemos testes e os jogamos no lixo 

"Ratos de laboratório"

O mesmo que nada, corpos marcados para morrer

Em um sistema exploratório 

Uma vida não é nada

E os crentes condenam o aborto 

Que eu me castre e me isente 

Da responsabilidade de, nesse mundo parasitico

Largar mais um ovo, um verme 

A perfurar as entranhas da terra 

Homens caçam por diversão

Homens escravizam o sexo

Fazem tudo por dinheiro 

O estupro é normalizado 

Pessoas em cativeiro 

No meio da africana savana, uma mortalha

Um tiro

E comemoro

 quando um elefante pisoteia o canalha

Os pássaros presos em gaiolas 

Para serem mini troféus do ser humano 

Os homens, subordinados a outros homens 

São o retrato mais perverso da barbárie 

Tenho vergonha de me incluir nisso

Para começar um dia na metade, 

Só um café expresso, 

Sob a desculpa do desenvolvimento, 

Caminhando rumo ao regresso,

Vejo as árvores, em seus quadrados-celas

Delimitados no cimento 

Impossível diante muros 

Se adequar ou sentir pertencimento 

Tão impotentes quanto detentos 

Por informações , sedentos 

É mais fácil estar sedado 

Sob a sobriedade, cedo

É tarde 

 


acordei ás uma da manhã

 aí acordei ás duas 

e estou com falta de ar.

é também porque estou com um livro de 1990 do meu lado

talvez eu devesse ter uma bombinha

preciso mudar de óculos, meus joelhos dão mini choquinhos

preciso de fisioterapia, meio urgente. 

preciso de tantas coisas

e a imprecisão da vida me deixa sem ar

tão fácil puxar um tapete

busco lugares confortáveis na minha cabeça

para tentar fugir de ansiedades

uns usam remédios

shakira veio tocar 

e todos os olhares se voltaram para copacabana

enquanto é impossível andar em paz em curicica

tenho pensado em deixar o rio de janeiro

estou cansado do calor

e também estou cansado dos barracos cariocas

de suas brigas e dos excessos

estou me sentindo minimalista

quero sentir pouco, viver o básico, nesse momento

a minha vida sempre foi um grande exagero 

ficar de boa e tentar calcar meu caminho de estabilidade

e ás vezes eu sinto que tenho seis anos

na calada da noite, nessa noite silenciosa

talvez eu perceba que eu prefira o sulencio

o barulho entra pelos nossos ouvidos

e a informação visual de tudo querendo te vender tudo

ao mesmo tempo

é sufocadora. e ás vezes eu fico sem ar.

domingo, 3 de maio de 2026

espaço

 eu finalmente tenho o espaço

no maior quarto que já tive

e conquistei com minhas próprias mãos 

meus cômodos e os espaços vazios do chão

eu amo os espaços vazios do chão

que eles continuem vazios

pafa a casa conseguir respirar

e o gato é o fator supresa da casa

uma hora está carente

outra hora está implorando sache 

outra hora está maluco

saindo correndo brigando com absorventes internos

é muito bom ter espaço

é muito bom cuidar do espaço

e ter seus limites respeitados


buscando a fonte

 estava buscando adoidarado a fonte do meu teclado

e pensei: Vou revirar a casa inteira

irei ver nos cantos mais sombrios

neste caminho, acabei precisando matar uma barata pequena

antes que a barata pequena se tornasse uma barata grande

eu sese fosse uma borboleta

eu não mataria

mesmo que comesse minhas couves

e a barata come ... os lixos? 

será a barata um urubu inseto? 

enfim, procurei no armário

e a minha bexiga se contraindo de ansiedade

e a minha respiração ficando mais rápida

ao pensar

que eu não teria acesso 

ao júbilo de tocar o meu teclado

vi dentro de caixa de tintas, 

na gaveta toda desmontada do armário 

nas minhas duas mesinhas de cabeceira,

nos meus produtos de tatuagem

tirei a fonte do modem

peguei a fonte dos pedais

e nada

e na frente dos meus olhos

longe de todas as preocupações

quando minhas esperanças tinham quase cessado 

enroladinha e tímida em seu casulo

estava a fonte 

agora vou tocar baixo e mais tarde tocarei teclado

e des-revirarei a casa.

é um idiota

por ser tão idiota mas tão bonito por ser tão estúpido mas tão gostoso  imbecil como uma porta beijável, maravilhoso o sorriso me dilacera n...