[CRÍTICA]
MetroChoro
Ó, empresa privada maravilhosa, grande agencia que barra vendedores ambulantes e artistas, foi nos maiores perrengues de minhas odisseias pelo Rio de Janeiro que você... me deixou totalmente na mão. E olha que moro na Zona Sul, ás vezes simplesmente posso ir andando para casa, alguns quilômetros fazem bem ás pernas. Mas... tenho inúmeros, incontáveis amigos e colegas que simplesmente ficam desprovidos de transporte, ou seja, ou ficam a noite inteira fora, ou voltam cedo. Fecha meia noite, abre ás seis. Rio de janeiro não existe de madrugada, não há vida noturna, deve ser o que o pessoal desse incrível monopólio pensa. No carnaval? Estacoes fechadas, ahhh, a baderna, pessoas espalhafatosas, Carioca fechada, Glória Fechada, Cinelândia fechada, parabéns, MetroRio, olhe como vocês são elitistas e contentes! Barrando qualquer músico que surge com seu violão, fico pasma quando vejo pessoas precisando ESCONDER instrumentos. Esconder, fingir que não está lá. Não adianta, MetroRio, a linha se estende até a Pavuna, tem rico, tem classe média, tem pobre, aprende a lidar com a democracia, aceita a diversidade. ``Não colabore com o comércio ilegal``, E as suas propagandas chatas e tendenciosas, a gente engole calado , né? Sobre os ambulantes, que oportunidade você acha que essas pessoas poderiam agarrar? Sendo de ``periferia``( sendo que aqui é tudo misturado, risos), negro, com português que não é refinado e obedece á tao aclamada norma culta? O famoso ``Eu poderia estar matando, roubando, mas em vez disso estou aqui, pedindo o centavo do trabalhador```. PORRETE NELE, né, guardas. Esses mesmos guardas que ficam na estação, simplesmente tentando manter uma ordem, mas aqui está a questão: o que é desordem para eles? Música alta, pessoas cantando, pessoas tentando trabalhar? Bom, parabéns, estão conseguindo, muitas vezes só se ouve o silencio. Mas há os rebeldes ainda e eu acredito neles. Pagamos 4,30 para o silencio, para o ar condicionado e mais silencio. Banheiro? Não tem, nossos funcionários fazem na rua. Menos na general osório e na pavuna, mas é só abrir a porta que diz ``restrito``. Parabéns, MetroRio, seu melhor segredo é um banheiro, já diz muita coisa. Não culpo funcionários, estes que apenas cumprem ordens, muito menos os policiais. Sugeriria um boicote, mas, olhe que coincidência, vocês são monopólio, é isso ou os ônibus quebrados ( mas alguns com ar condicionado agora, EBA) daquela OUTRA MARAVILHOSA EMPRESA QUE É A RIO ÔNIBUS, detentora do Rio card com ultra biometria digital power para não haver fraudes, olhe como somos HONESTOS! Mobilidade urbana, a gente se liga em você!
Enfim, você merece o Tocantins inteiro, MetroRio.
domingo, 25 de fevereiro de 2018
Nao vou me embriagar
Não vou
Me deixar ganhar
Pegar uma garrafa
e ir fundo, entornar
Vou escrever
Que é o melhor que posso fazer
Não adianta
Querer erguer sobre mim
Grossa manta
Não adianta
Sair pedindo abrigo
Qualquer amigo
Vou ao mercado
Comprar coisas bonitinhas
Mas meu cartão está tremendo
Para eu comprar uma garrafa de vodca
Ou de vinho
Estou fraca hoje
Parece que toda a segurança deu uma brecha hoje
Que eu fique vulnerável
Queria poder estar sempre vulnerável
Sempre, livre
Sem máscara
Mas tenho essas roupas que me apertam
E esses sorrisos que eu finjo forjar
Isso me cansa infinitamente
E é por isso que eu saio durante a noite
Para não ficar doente
Desregulei meu horário de sono
Preciso voltar ao boxe, preciso voltar amanha
Independentemente do quanto eu fique na rua hoje
Preciso ajeitar as paradas
A vida não vai parar por mim
Que eu fique por aqui, e ajeite minhas coisas
Minha vida
Ah... que dia ruim. Mas ontem foi um dia bom.
Eles são necessários.
Para... sabermos apreciar os dias bons.
Se apenas houvesse dias bons, os transformaríamos em dias normais
Me deixar ganhar
Pegar uma garrafa
e ir fundo, entornar
Vou escrever
Que é o melhor que posso fazer
Não adianta
Querer erguer sobre mim
Grossa manta
Não adianta
Sair pedindo abrigo
Qualquer amigo
Vou ao mercado
Comprar coisas bonitinhas
Mas meu cartão está tremendo
Para eu comprar uma garrafa de vodca
Ou de vinho
Estou fraca hoje
Parece que toda a segurança deu uma brecha hoje
Que eu fique vulnerável
Queria poder estar sempre vulnerável
Sempre, livre
Sem máscara
Mas tenho essas roupas que me apertam
E esses sorrisos que eu finjo forjar
Isso me cansa infinitamente
E é por isso que eu saio durante a noite
Para não ficar doente
Desregulei meu horário de sono
Preciso voltar ao boxe, preciso voltar amanha
Independentemente do quanto eu fique na rua hoje
Preciso ajeitar as paradas
A vida não vai parar por mim
Que eu fique por aqui, e ajeite minhas coisas
Minha vida
Ah... que dia ruim. Mas ontem foi um dia bom.
Eles são necessários.
Para... sabermos apreciar os dias bons.
Se apenas houvesse dias bons, os transformaríamos em dias normais
Dia 202
Acordei mal. Acordei extremamente mal, solitário. Escuto vozes na minha cabeça, e estou melancólico. Tento dançar, sacudir meu corpo, mas ele é fraco. Gostaria de pegar as frutinhas para pintar tábuas, mas a comida aqui está escassa. Penso em meus parentes, em meu pai, fechado em seu semblante preocupado, em minha mãe, paranoica com meu comportamento... onde estariam eles agora? Em que mundo estariam eles? Pois eu sei que estou longe, longe em corpo e espírito. Estou com raiva, com raiva pela minha solidão, pela falta de interação. Se alguém aparecesse, se alguém lesse, se alguém mostrasse que sentisse. Apenas eu, nessa ilha, e meus fantasmas. Estou prestes a ressuscitar meus amigos imaginários, e assim eles poderiam falar comigo. Subo até um penhasco, no qual consigo ver toda a extensão da floresta e, mais a frente, a praia. Grito, e grito a plenos pulmões, grito até minha voz queimar minhas cordas vocais. Amigos, se existe angústia, estou vivendo-a agora. Impotência. Frustração. Sim, estou em paz, mas sinto falta dos sentimentos. Sinto falta de um beijo afetuoso, de uma carícia nas sombras, de um olhar apaixonado. Até mesmo dos sentimentos mais grosseiros, também sinto falta. Risadas saíram do meu semblante desde que estive aqui, animais não riem, salvo as hienas. O ser humano sem arte é um corpo vazio, que apenas existe, come coisas, defeca elas, e assim vai, até morrer. Saudades de meu estúdio e meus colegas artistas, por mais que eles não sintam minha falta. Na verdade, era um problema meu: exaltar muito certas pessoas, sem receber nada em troca. Por muito tempo, quis ser um Messias, quis ajudar o máximo a gente de bem, mas o problema é: pouca gente quis me ajudar, de verdade. Tive épocas sombrias de minha breve vida, companheiros. Era só me fechar um pouco em meu quarto, e parecia que todas as almas vivas evaporavam. Quando eu achava que podia contar com algum amigo fiel, esse me deixava a deriva, com as moscas e urubus. Olhe que triste estou hoje. Vejo o tempo acinzentado, tenho vontade de cavar um buraco e deixar minha cabeça lá, como um avestruz. Me esconder de mim. Infelizmente, nessa ilha, sou só eu, preciso encarar meus problemas e, de certa maneira, na medida do possível, tentar consertá-los. Estou arquitetando planos de escrever histórias, prosas, poesias, quem sabe lembro-me como que é sentir novamente. Vou para o rio, vejo meu reflexo na água, tenho vontade de chorar. Por que? Pela miséria da vida, pelo sofrimento humano, inerente a existência. Maldito orgulho, gula e ambição, que faz com que queiramos cada vez mais, nunca é suficiente, só apreciamos as coisas quando se vão. Queria um companheiro mamífero aqui, algo como um gato, poderia ser um cachorro também. Suspiros, suspiros que só fazem o ar viciado sair do meu peito, e cá estou eu, em busca da paz interior. Ao ver que a maioria dos problemas que tenho agora são de minha cabeça. Preciso me abdicar desses prazeres mundanos para poder pensar com clareza e não enlouquecer. Queria ter uma tesoura e assim, cortar meu cabelo, como um monge. Mas aqui o sol é terrível e brutal, ficaria com a careca desprotegida, melhor continuar com a juba. Só sei meu idioma ainda pois escrevo todos os dias, do contrário, estaria apenas grunhindo. Eu falo coisas, mas mal reconheço minha voz. Eu falava coisas, como : -Bom dia! , -Está tudo bem contigo, cara? Quer ajuda? E quando digo isso em voz alta, ela ecoa pelo horizonte a minha frente, e além disso escuto o farfalhar das asas dos pássaros, que mal me temem mais. Estamos todos acostumados. Estou com fome, e com um péssimo pressentimento que não conseguirei pegar peixes hoje. É horrível como o ser humano se auto sabota. Se todos nós crescêssemos incentivados, familiarizados com os problemas e REALMENTE saudáveis, teríamos super humanos, humanos imbatíveis que saberiam lidar com qualquer coisa. Mas não, somos viciados em comportamentos destrutivos, e... sei lá, estou delirando. Sol na minha cabeça, vou mergulhar no rio, que, com suas águas geladas, consegue recompor um pouco de meu semblante, meu temperamento... Espero que eu consiga capturar algum peixe, e estava procurando temperos pela floresta, tentando relembrar os que minha mãe botava na comida, mas o pessimismo é grande, as memórias, parcas e nebulosas, está difícil de lidar com a vida e com a minha cabeça. Queria entretenimento, amigos. Taí a dica de hoje: Se permitam entreter. Esquecer tudo e todos e mandar o mundo aos infernos e simplesmente se deixar entreter. A vida pode ser levada menos a sério que muita gente leva, somos animais, e animais burros e orgulhosos. Coitados.
sábado, 24 de fevereiro de 2018
DIA 201
Bom dia, meus velhos amigos invisíveis. Mesma paisagem, acho que está na hora de eu me deslocar para outro canto dessa ilha, mas construir outro abrigo será um esforço... Bom, aprecio a ideia de ter tarefas. Se eu conseguir montar uma machadinha ou algo do tipo, já posso começar a entalhar, cortar um pouco da madeira, mas não muito, aproveitar com moderação o que a natureza dá de tao bom grado . Um canto com mais ar fresco, esse que estou agora é no meio das matas, fica úmido e quente, suo o dia inteiro. Estou reclamando da praia, mas se estivesse na montanha, estaria reclamando da mesma, dá-lhe homem, sempre insatisfeito, guloso. Acordei com fome e com saudade. Peguei as frutas, as tais amorinhas, as juntei em minha mão, vou levar para comer com os macacos. Só preciso achá-los. Nessa mata úmida e fechada, onde mal se vê o céu, volta e meia consigo ver as caudas deles aparecendo e desaparecendo, se pendurando em galhos, arremessando-se de árvore em árvore... Poxa. Queria ter essa habilidade, e ser super humano. Bom, ficarei aqui até, provavelmente, o fim de meus dias, acho que não custa nada... deixo as amoras no chão, e tento me firmar na árvore. Sua casca está escorregadia de tanto orvalho, tento me apoiar e o pé desliza para baixo. Talvez seja melhor procurar uma árvore mais seca para subir em, e depois me aventurar com os macacos. Sento, encostado nessa mesma árvore, ela pode não servir para eu subir, mas ainda dá conforto sob suas folhas grandes. Há algo estranho, me sinto meio.... coçando? Desgraça, sentei em um formigueiro. Sabe, quando criança eu achava que a solução para isso era destruir tudo. Acabar com formigueiros, cupinzeiros, colmeias. Eu os quebrava com pedaços de pau, e pensava: Agora eles nunca mais vão me aporrinhar. Pelo contrário, aí que incitava o ódio nos pequenos seres, e eles vinham atrás de mim, tenho uma pequena cicatriz atrás da orelha, antiga ferroada de vespas. Tao pequenas, mas tao injuriosas a nós, os grandes deuses de tudo. Hoje, sei que é apenas respeitar o espaço deles. Não faze-los sentirem-se ameaçados, conviver tranquilamente. Estou com sede, e acossando, lá vou eu para o maravilhoso rio, que mal nome tem. Já está na hora de arranjar o nome para o rio.... Rio Victória. Victória é a mulher que mais amei em vida civilizatória. Algum dia, quando tiver superado a dor no peito e o aperto de nunca mais poder senti-la, escrevo sobre. Por enquanto, o que mais me concerne é a água que preciso botar para ferver. Grandes maravilhas, o animal homem precisa tirar as bactérias pois seu estomago é fraco e simples, vejam só. Enquanto alguns mamíferos comem carne crua, com sangue e dentes afiados, e comem grama, folhas, frutas, sem pestanejar com gostos. E o melhor? Não comem coisas viciantes, como chocolate, gorduras... Creio que os animais possam ter virtudes, enquanto são desprovidos de vícios, tudo é instinto e busca pela sobrevivência. Entre os homens, eh... Essa competitividade capitalista me dava nos nervos, nossa , como é bom estar livre, sem ter um celular vibrando ao meu lado, como eu prefiro infinitamente a falta de informações comparando-se ao turbilhão de mensagens todo dia, é sempre alguém querendo alguma coisa, e vozes, muitas vozes repletas de agonia que me cercavam dia após dia. Hoje, apenas tenho o silencio. E os macacos.
Bebo a água, tomo meu banho de rio diário, rio, e rio muito, de felicidade pelas coisas simples, de como estar aqui me faz bem, me deixa melancólico e extremamente solitário, mas me faz bem.
Vou caminhando, rumo a algum lugar onde os macacos estejam. Procuro, começa a chover. Quer saber? Deixe os macacos lá. Vou ficar em meu abrigo, vendo a chuva cair.
É maravilhoso. Do meu abrigo, o qual cabe eu e apenas eu, um ser humano, consigo enxergar a praia, e as nuvens escuras, com vários tons de cinza, se aproximando. Vejo o mar se revirando, ele , tentando atingir a mesma cor que o céu. Mas meus amigos invisíveis, a noite desprovida de nuvens e chuva é a coisa mais linda que chegariam a contemplar como sociedade. É como olhando para uma cidade noturna, para paris, talvez, mas sem o rio poluído no meio, é somente brilho, somente um monte de purpurina jogado sobre um fundo preto que se mescla de tons incríveis de azul. Tenho pintado algumas coisas aqui, sabem... Com pedras, lasco madeira de árvores, e acabo pintando-as com o suco das frutas. Me orgulho deles, gostaria até de pendurar, mas não há paredes, não há pregos, não há nem quadros. E os cheiros... Nunca usei tanto o olfato quanto aqui. Sinto o cheiro da chuva três horas antes de ela chegar, sinto o odor dos macacos, e ao mesmo tempo de frutinhas, sinto a tensão no ar. Queria ter galinhas aqui, e então teria ovos e poderia fazer algum tipo de omelete, ou o mais próximo que eu conseguiria disso. Nós não valorizamos o que temos. O conselho de hoje é... Aprenda a amar o sol, ele é ouro e esquenta nossos corações . Mas ame também a chuva, a chuva é a prata, é o brilho sutil, é o presente e a coragem.
Bebo a água, tomo meu banho de rio diário, rio, e rio muito, de felicidade pelas coisas simples, de como estar aqui me faz bem, me deixa melancólico e extremamente solitário, mas me faz bem.
Vou caminhando, rumo a algum lugar onde os macacos estejam. Procuro, começa a chover. Quer saber? Deixe os macacos lá. Vou ficar em meu abrigo, vendo a chuva cair.
É maravilhoso. Do meu abrigo, o qual cabe eu e apenas eu, um ser humano, consigo enxergar a praia, e as nuvens escuras, com vários tons de cinza, se aproximando. Vejo o mar se revirando, ele , tentando atingir a mesma cor que o céu. Mas meus amigos invisíveis, a noite desprovida de nuvens e chuva é a coisa mais linda que chegariam a contemplar como sociedade. É como olhando para uma cidade noturna, para paris, talvez, mas sem o rio poluído no meio, é somente brilho, somente um monte de purpurina jogado sobre um fundo preto que se mescla de tons incríveis de azul. Tenho pintado algumas coisas aqui, sabem... Com pedras, lasco madeira de árvores, e acabo pintando-as com o suco das frutas. Me orgulho deles, gostaria até de pendurar, mas não há paredes, não há pregos, não há nem quadros. E os cheiros... Nunca usei tanto o olfato quanto aqui. Sinto o cheiro da chuva três horas antes de ela chegar, sinto o odor dos macacos, e ao mesmo tempo de frutinhas, sinto a tensão no ar. Queria ter galinhas aqui, e então teria ovos e poderia fazer algum tipo de omelete, ou o mais próximo que eu conseguiria disso. Nós não valorizamos o que temos. O conselho de hoje é... Aprenda a amar o sol, ele é ouro e esquenta nossos corações . Mas ame também a chuva, a chuva é a prata, é o brilho sutil, é o presente e a coragem.
BELAS ARTES
Esse é o poema
E prosa hei de recitar
Parece que dos abricós, resta o pomar
Mesmo com a chuva, não tema
Saudades da jade, de paisagismo
Que eu tive o prazer de desenhar
Dormindo, a desfrutar
O ar do pamplonao, vivo organismo
Saudades de minhas colegas de interiores
Comentando aulas de danusinha
A turma fazendo GD, tadinha
No Sketch-up botaram flores
Dos professores, hei de contar pouco
Há um mais rígido,
Outro mais louco
E outro chato
Quem conhece sabe
Há o legal, que elogia e estimula
E o que fala: Copia, é pro seu bem
De ferro, ninguém
Mas as pessoas de lá me deixam em paz
Como ninguém
Seja Natália, Esther, Carol, Bia
Rabiscando setas e caveiras
Fazendo poses e caretas
Não rimei nada agora,tá, isso é arte
Da escultura? Jéssica, Guilherme, Tuti
Esse último, penteando meu cabelo liso e caído
E o Gabriel com suas flores e flautas
Fico feliz por não termos te perdido
No meio da mata, quando fomos explorar
Essa faculdade tem muito o que proporcionar
Tudo correu bem, não morreu ninguém
Só fomos picados por mosquitos
Um beijo pra galera de pintura
Pretendo me mover um centímetro
E me juntar nessa aventura
E lá estarei eu, simples criatura
E cá estou eu, e sinto saudades, doce dor
Dos momentos divertidos, de ir ao museu
E a maior obra de arte que eu achei, senso meu
Foi um extintor
Fernanda, uma das primeiras pessoas que fiz contato
Que mesmo sem conhecer, já tive tanto tato
Fernanda, onde estamos indo?
Eu não sei, estava te seguindo
Tassiane, melhor piadista
Te adoro pelo que você é
Que artista!
Saudades de voltar contigo pelos meios mais toscos e simples para economizar moedas
Do pessoal da minha turma tenho muito a dizer
Pena até de introduzir esse enorme contexto
Para você, fulano do outro lado da tela ler
É um grande texto
Crislaine, com sua sensibilidade
E por onde eu me metesse
Sempre distinguia seu falar doce
Mentira, porque ela falava baixo
Enquanto eu era tormenta e ambição
Ela era calma, pacífica
Linda, causa comoção
De enxergar, sentir, alma rica
Lucas, com o olhar curvado
Sempre ligeiramente atordoado
Mas com o inquietante prestes a voar
E tua arte a se libertar
Da cabeça que tanto pensa
E da boca que pouco fala
Mas ele sabe que compensa
E é um bom amigo dessa que lhes escreve, essa mala
Victor, com os cabelos negros e olhos brilhantes
Parecem em ébano, diamantes
E exalam tanta paixao
Encanta de idosos a infantes
(menos quando fala rude com a danusinha)
Calú, sentiremos sua falta
Do seu semblante, da sua calma
E sempre irei me lembrar
De quando havia um galo ali
Lembra?
Wallace, com dois metros de timidez
É um homem de paciência
Que achava que tinha pelos números
O que a arte substituiu, e assim fez
Bruno e Cecília, o metaleiro e a gótica
Estar com vocês sempre é uma experiencia mágica
Olha como virei cliche
Mas com vocês, sei que posso contar
Como todos os outros, que eram de exatas
Amo a ciência, e meus colegas da química
Mas sou apenas artes, cabeça corpo e patas
Ainda saio com os químigos, fazemos mímica
(é sério, pergunta pra Hylana)
Erikson, lembra quando você leu minha mão?
E eu tinha esquecido
Que em meio a choppada
A sua eu também tinha lido
E o cebola, que enquanto eu era pranto
Não me olhou com espanto
Mas me cobriu com invisível manto
E disse que tudo ficaria bem.
O Caio, a Bruna, o outro caio e o carteado
Sempre no bar a conversar
Falando dos professores
E de como tem que ler e pesquisar
Iris, marcelo, ricardo, luis
A das formas digitais
O viking e tudo mais
O rebelde que muito faz
E o rei do RPG
Isaac, com seus figurinos a brilhar
Não dá para olhar em seu semblante
E não ser contagiado, hipnotizante
Tamanha alegria ao trabalhar
O Pablo não posso deixar de citar
Por ter sido o único, e primeiro
A me desenhar
Obrigada pela recepção
Desculpe-me, outros cursos
Mas a belas artes tem uma linda comissao
De trote, que é com educação
E em meio a tudo que me afligia
Meus conflitos internos eu apenas via
A galera de desenho industrial
Quebrar a cabeça na melancia
E prosa hei de recitar
Parece que dos abricós, resta o pomar
Mesmo com a chuva, não tema
Saudades da jade, de paisagismo
Que eu tive o prazer de desenhar
Dormindo, a desfrutar
O ar do pamplonao, vivo organismo
Saudades de minhas colegas de interiores
Comentando aulas de danusinha
A turma fazendo GD, tadinha
No Sketch-up botaram flores
Dos professores, hei de contar pouco
Há um mais rígido,
Outro mais louco
E outro chato
Quem conhece sabe
Há o legal, que elogia e estimula
E o que fala: Copia, é pro seu bem
De ferro, ninguém
Mas as pessoas de lá me deixam em paz
Como ninguém
Seja Natália, Esther, Carol, Bia
Rabiscando setas e caveiras
Fazendo poses e caretas
Não rimei nada agora,tá, isso é arte
Da escultura? Jéssica, Guilherme, Tuti
Esse último, penteando meu cabelo liso e caído
E o Gabriel com suas flores e flautas
Fico feliz por não termos te perdido
No meio da mata, quando fomos explorar
Essa faculdade tem muito o que proporcionar
Tudo correu bem, não morreu ninguém
Só fomos picados por mosquitos
Um beijo pra galera de pintura
Pretendo me mover um centímetro
E me juntar nessa aventura
E lá estarei eu, simples criatura
E cá estou eu, e sinto saudades, doce dor
Dos momentos divertidos, de ir ao museu
E a maior obra de arte que eu achei, senso meu
Foi um extintor
Fernanda, uma das primeiras pessoas que fiz contato
Que mesmo sem conhecer, já tive tanto tato
Fernanda, onde estamos indo?
Eu não sei, estava te seguindo
Tassiane, melhor piadista
Te adoro pelo que você é
Que artista!
Saudades de voltar contigo pelos meios mais toscos e simples para economizar moedas
Do pessoal da minha turma tenho muito a dizer
Pena até de introduzir esse enorme contexto
Para você, fulano do outro lado da tela ler
É um grande texto
Crislaine, com sua sensibilidade
E por onde eu me metesse
Sempre distinguia seu falar doce
Mentira, porque ela falava baixo
Enquanto eu era tormenta e ambição
Ela era calma, pacífica
Linda, causa comoção
De enxergar, sentir, alma rica
Lucas, com o olhar curvado
Sempre ligeiramente atordoado
Mas com o inquietante prestes a voar
E tua arte a se libertar
Da cabeça que tanto pensa
E da boca que pouco fala
Mas ele sabe que compensa
E é um bom amigo dessa que lhes escreve, essa mala
Victor, com os cabelos negros e olhos brilhantes
Parecem em ébano, diamantes
E exalam tanta paixao
Encanta de idosos a infantes
(menos quando fala rude com a danusinha)
Calú, sentiremos sua falta
Do seu semblante, da sua calma
E sempre irei me lembrar
De quando havia um galo ali
Lembra?
Wallace, com dois metros de timidez
É um homem de paciência
Que achava que tinha pelos números
O que a arte substituiu, e assim fez
Bruno e Cecília, o metaleiro e a gótica
Estar com vocês sempre é uma experiencia mágica
Olha como virei cliche
Mas com vocês, sei que posso contar
Como todos os outros, que eram de exatas
Amo a ciência, e meus colegas da química
Mas sou apenas artes, cabeça corpo e patas
Ainda saio com os químigos, fazemos mímica
(é sério, pergunta pra Hylana)
Erikson, lembra quando você leu minha mão?
E eu tinha esquecido
Que em meio a choppada
A sua eu também tinha lido
E o cebola, que enquanto eu era pranto
Não me olhou com espanto
Mas me cobriu com invisível manto
E disse que tudo ficaria bem.
O Caio, a Bruna, o outro caio e o carteado
Sempre no bar a conversar
Falando dos professores
E de como tem que ler e pesquisar
Iris, marcelo, ricardo, luis
A das formas digitais
O viking e tudo mais
O rebelde que muito faz
E o rei do RPG
Isaac, com seus figurinos a brilhar
Não dá para olhar em seu semblante
E não ser contagiado, hipnotizante
Tamanha alegria ao trabalhar
O Pablo não posso deixar de citar
Por ter sido o único, e primeiro
A me desenhar
Obrigada pela recepção
Desculpe-me, outros cursos
Mas a belas artes tem uma linda comissao
De trote, que é com educação
E em meio a tudo que me afligia
Meus conflitos internos eu apenas via
A galera de desenho industrial
Quebrar a cabeça na melancia
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018
Dia 200
Não sei como estou sobrevivendo. O instinto foi aflorado dentro de mim, e cá estou. Minha barba já está na altura do peito. Estou uns trinta quilos mais magro, benditos peixinhos que fogem meu alcance, escapolem pelas minhas mãos e me deixam de alma e estomago vazio. É. Faz mais de meio ano que estou aqui, nessa ilha no meio do pacífico... já gritei por ajuda, dancei, tentei mandar garrafas por aí, quase enlouqueci pois aqui não tem álcool... tenho que dizer, fico muito solitário. Meu caderno é a única coisa que ainda tenho comigo. Impressionante como tudo pode ser artificial, todas as suas relações podem ir embora com um único acidente. Meu mundo virou, literalmente, de cabeça para baixo. Se antes eu era artista, hoje sou um náufrago, mas feliz. Me sinto bem aqui. Claro, os mosquitos atacam minha pele se eu não me proteger com barro, e eu ainda não fiz amizade com os pássaros. Queria poder imitar o canto deles. Eu durmo em uma barraca mal feita, alguns galhos finos juntos, umas folhas de palmeira que eu lutei para arrancar, eita negócio difícil de tirar. Sinto saudades da música. Sinto saudades do soar de um tambor, dos acordes de um violão. Mas, ao mesmo tempo, não sinto saudades do barulho caótico do engarrafamento nosso de cada dia. Não sinto saudades das reclamações de minha família, ou das perturbações que giram em torno do ``preciso ter dinheiro``. Aqui, sou eu por mim e apenas isso. Uma aranha peçonhenta pode muito bem me picar durante a noite, e terei morrido, mas morrido bem, pleno. Há um rio aqui, sento em seu leito por horas e me ponho a meditar. Todas as pessoas que sempre disseram: Adoro seu trabalho, adoro sua pessoa! Fico feliz por ter pontuados poucos momentos na cabeça dessas pessoas. Já vivi muito do caos, agora vivo a calma. Levanto do meu pequeno abrigo, e penso: Privacidade. Que palavra maravilhosa. Sou eu, como animal, sem precisar de tangas ou todos aqueles artefatos que as pessoas gostam de romantizar. Sem vergonhas, pudores, nada, somente meu corpo nu, minha cara de mendigo e todo meu cérebro cheio de memórias, que, hoje parecem tao irreais. Sou eu, criatura branca e sem tantos pelos quanto os micos e macacos daqui. Eles sabem que aqui é território deles, eu sou um intruso, mas... Estou me adaptando. Creio que nos próximos dias vou levar umas frutas a uma toca deles, quem sabe posso ter amigos. Se bem que há alguns passarinhos, que, de vez em quando, vem me visitar, eles cantam, eu partilho minhas amorinhas, como eu as chamo (não morri ainda, então elas não são venenosas) e assim convivemos em harmonia, eles são vermelhos e verdes, com olhos dourados, lindos. Ah... tudo que eu mais queria agora, amigos. Pessoas que lessem minhas frases e simplesmente concordassem, ou discordassem, questionassem, me olhassem nos olhos e compreenderiam mais que apenas as palavras, mas todo o meu ser. Em vez disso, tenho parentes da minha raça, vamos aproveitar. Ansiedade? Nunca mais senti. Na selva, você espera os momentos certos como uma cobra, sem se mexer, sem gastar energia a toa. Não, aqui a energia é preciosa. Sinto saudades de minha mãe, mesmo que ela me sufoque bastante em vários aspectos, ela me ama incondicionalmente, e alguns amigos também o fazem. Espero que estejam bem sem mim, se divertindo á vera. Eu aqui, encarando o sol forte na cara e penso: -O que eu sei da vida?
Parece que o sol me responde:
-Nada, e menos que isso.
Bom. Encorajador. Dou um mergulho no mar salgado e frio, geladíssimo. O infinito pacífico, em que há as grandes Fossas Marianas. Já viu o tamanho daquilo? Eu nunca vi pessoalmente, pois deve ser uma escuridão sem fim... Mas as imagens são absurdas. E a biodiversidade que deve ter lá? Peixes iluminados por luz própria, junto com polvos e criaturas que nós nunca batemos o olho. Pobre ser humano, achando que já sabe tudo, há tantas espécies não documentadas, tanto conteúdo não averiguado... Adoro a sensação de molhar os cabelos, sentir cada fio sendo percorrido pela energia da água. E estou com fome, é difícil estar sempre com fome, meu estomago está do tamanho de uma ervilha, creio eu.
Mesmo assim, esse lugar me encanta cada dia mais. É acordar com os pássaros cantando e o mar com sua música tao característica. Olhe para mim, eu morava de frente para o mar, mas mal saía para aproveitar de seus recursos. Não sei o que é escovar os dentes mais. Não há nada em minha sábia ignorância que remeteria a flúor, então apenas jogo uma água do mar, lavou tá novo.
Sinto falta de uma mulher, ou um homem. Alguém. Sinto falta do toque, de beijos, sexo, de sensações boas que o corpo humano é capaz de proporcionar. Não quero nada com os macacos, seria doentio.
E por isso, fico aqui, em paz, em meu santuário, e não estou esperando que me resgatem. Estou vivendo uma vida desprovida de gula, avareza, orgulho, e tudo que contamina o ser humano, todos os sete pecados cristãos e mais todas as amarguras que destroem o homem.
Constantemente, em minha solidão, escrevo poemas, músicas, canto e canto alto, baixo, em todos os tons possíveis. Tento erguer castelos de areia em vão. Desbravo as florestas ralas aqui dessa ilha que mal sei o nome, besouros me atacam e mordem, e lá vou eu, para ``cama`` coçando da cabeça aos pés. Meu maior feitio foi ter conseguido matar uma cobra, tacando uma pedra em cima da cabeça dela, e só de lembrar do seu corpo se contorcendo em agonia, já sinto calafrios. Sim, a mata por muitas vezes não me permite dormir. Aqui se constrói o mínimo de conforto, e então, em um segundo, esse conforto se mostra ilusão.
Queria um livro, nossa, como queria! Como queria simplesmente erguer uma casinha de cimento, olhe a ambição do homem de concreto que necessita afirmar sua supremacia, e deixar lá uma rede, e uma pilha de livros. Além disso, inúmeras comidas, cheiros e especiarias, temperos, uma costela suína grelhada ao molho barbecue, um sorvete de amora com amêndoas, chantilly, e uma cereja no topo, olhe só meus delírios. O que eu faria por algo bem temperado? Por um petit gateau, um bolo de chocolate recheado com calda quente e uma bola de sorvete de creme ao lado... Minha boca se enche de saliva, meu coração acelera, e eu me pergunto: Será que isso é mesmo real? Minha realidade não é a mesma há duzentos dias!. Aqui se come cobra assada, peixe espinhento e algumas frutinhas. Pego um pedaço de madeira oca de minha cabana, tento fazer alguns furos na parte de cima, não obtenho sucesso. Sem facas, sem armas, sem metais, sem forja. Apenas as mãos, os dentes. Para fazer uma fogueira, então? Nunca encontrei algo mais desafiador! Esfregar desesperadamente as madeiras uma a outra, assoprar para a chama não morrer, só de lembrar das noites frias que já passei, me leva arrepios a pele. É isso, se alguém me ler um dia, esse foi meu ducentésimo dia, fazendo a mesma coisa que os últimos cento e noventa e nove dias, mas agora bem mais calmo. É... Meu conselho de hoje é: sejam gratos pelo que têm. Parem de brigar por coisas idiotas. Deixem as pessoas, aprendam a lidar com elas, não é tao difícil.
Parece que o sol me responde:
-Nada, e menos que isso.
Bom. Encorajador. Dou um mergulho no mar salgado e frio, geladíssimo. O infinito pacífico, em que há as grandes Fossas Marianas. Já viu o tamanho daquilo? Eu nunca vi pessoalmente, pois deve ser uma escuridão sem fim... Mas as imagens são absurdas. E a biodiversidade que deve ter lá? Peixes iluminados por luz própria, junto com polvos e criaturas que nós nunca batemos o olho. Pobre ser humano, achando que já sabe tudo, há tantas espécies não documentadas, tanto conteúdo não averiguado... Adoro a sensação de molhar os cabelos, sentir cada fio sendo percorrido pela energia da água. E estou com fome, é difícil estar sempre com fome, meu estomago está do tamanho de uma ervilha, creio eu.
Mesmo assim, esse lugar me encanta cada dia mais. É acordar com os pássaros cantando e o mar com sua música tao característica. Olhe para mim, eu morava de frente para o mar, mas mal saía para aproveitar de seus recursos. Não sei o que é escovar os dentes mais. Não há nada em minha sábia ignorância que remeteria a flúor, então apenas jogo uma água do mar, lavou tá novo.
Sinto falta de uma mulher, ou um homem. Alguém. Sinto falta do toque, de beijos, sexo, de sensações boas que o corpo humano é capaz de proporcionar. Não quero nada com os macacos, seria doentio.
E por isso, fico aqui, em paz, em meu santuário, e não estou esperando que me resgatem. Estou vivendo uma vida desprovida de gula, avareza, orgulho, e tudo que contamina o ser humano, todos os sete pecados cristãos e mais todas as amarguras que destroem o homem.
Constantemente, em minha solidão, escrevo poemas, músicas, canto e canto alto, baixo, em todos os tons possíveis. Tento erguer castelos de areia em vão. Desbravo as florestas ralas aqui dessa ilha que mal sei o nome, besouros me atacam e mordem, e lá vou eu, para ``cama`` coçando da cabeça aos pés. Meu maior feitio foi ter conseguido matar uma cobra, tacando uma pedra em cima da cabeça dela, e só de lembrar do seu corpo se contorcendo em agonia, já sinto calafrios. Sim, a mata por muitas vezes não me permite dormir. Aqui se constrói o mínimo de conforto, e então, em um segundo, esse conforto se mostra ilusão.
Queria um livro, nossa, como queria! Como queria simplesmente erguer uma casinha de cimento, olhe a ambição do homem de concreto que necessita afirmar sua supremacia, e deixar lá uma rede, e uma pilha de livros. Além disso, inúmeras comidas, cheiros e especiarias, temperos, uma costela suína grelhada ao molho barbecue, um sorvete de amora com amêndoas, chantilly, e uma cereja no topo, olhe só meus delírios. O que eu faria por algo bem temperado? Por um petit gateau, um bolo de chocolate recheado com calda quente e uma bola de sorvete de creme ao lado... Minha boca se enche de saliva, meu coração acelera, e eu me pergunto: Será que isso é mesmo real? Minha realidade não é a mesma há duzentos dias!. Aqui se come cobra assada, peixe espinhento e algumas frutinhas. Pego um pedaço de madeira oca de minha cabana, tento fazer alguns furos na parte de cima, não obtenho sucesso. Sem facas, sem armas, sem metais, sem forja. Apenas as mãos, os dentes. Para fazer uma fogueira, então? Nunca encontrei algo mais desafiador! Esfregar desesperadamente as madeiras uma a outra, assoprar para a chama não morrer, só de lembrar das noites frias que já passei, me leva arrepios a pele. É isso, se alguém me ler um dia, esse foi meu ducentésimo dia, fazendo a mesma coisa que os últimos cento e noventa e nove dias, mas agora bem mais calmo. É... Meu conselho de hoje é: sejam gratos pelo que têm. Parem de brigar por coisas idiotas. Deixem as pessoas, aprendam a lidar com elas, não é tao difícil.
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
Eu como ele
E se fosse
Penso e paro
Eu como ele?
Sem os dentes, é claro
No sentido mais puro
Onde o ``ser`` é espelhado
Por que entre nós ponho muro
Se a você sou associado?
E se me botasse
Eu como o do lado
Pouco me importasse
Mas ficaria eu culpado?
O pedófilo em corpo de criança
Que recebe amor
Que canta e dança
Curaria sua doença, sua dor?
O preconceituoso, ao viver a empatia
Em mais severo nível
Mais ouvia
E tudo se tornol crível
O que mata, é morto, vencido
E recebe a notícia, agora vendo a reação
Da mãe do falecido
Aprender a sentir alguma emoção
E se eu fosse ladrão?
O mesmo da roupa listrada
E do ``pistola na mão
Seria minha alma culpada?
E se eu fosse colina?
Nenhum julgamento, pecados seus
Onisciente, livre da doutrina
E SE EU FOSSE DEUS?
Welcome to the hotel california
Ontem ver o André desmaiado no topo da escada me fez me sentir um pouco menos indestrutível.
Pois bem, estava conversando isso com Evandro e um flash correu meus pensamentos antes que eu pudesse dizer qualquer coisa:
-Porra- interrompi da melhor maneira possível- cara, hoje deve estar com um puta por do sol bonito!
Evandro olhou para mim de maneira confusa, e eu simplesmente disse:
-Para de ficar noiando com o André, ele tá bem, dormindo lá, nada dele.
Vamos lá ver o por do sol.
Chegando no topo da pedra, consegui ver um cenário deslumbrante. Quilômetros de campo aberto, nosso querido planalto central, algumas fazendas mais ao fundo. As montanhas, tao escassas, permitiam todo essa contemplação. Alguns animais pastam cá e lá, mas a vermelhidão do por de sol tirava qualquer atenção para detalhes: O brilho era tao hipnotizante que nenhuma forma era possível de se distinguir propriamente, somente as silhuetas negras. Vermelho, laranja e amarelo se fundiam um a um, para dar origem ao espetáculo de cores ligeiramente semelhantes, mas fantásticas. Meu grande e fiél companheiro cochichou:
-Lindo né? E que silencio maravilhoso.
Eu assenti. E me pergunto porque pessoas precisam sempre noticiar e informar coisas boas, em vez de apenas aproveita-las.
-Sabe como pode ficar ainda melhor?- Perguntei eu.
-Como? Seus olhos se abriram com surpresa e expectativa.
Parei de falar. Entenda a mensagem, cabeção. Ah, como eu queria estar em meu fabuloso lar, e assim pudesse tomar um maravilhoso banho de mar. Daqueles geladíssimos, que, em um dia quente, podem te transformar, mudar totalmente seu humor, te acalmar como nenhum calmante pode fazer. Sinto saudade.
Os pássaros grasnavam... e o melhor... Nenhum barulho de carros. Adoramos fazer shows para poucas pessoas com dinheiro, porque aí podemos desfrutar de um pouco de silencio.
Subi as escadas, nada parecia muito novo.
Via as paredes, semelhantes a de um castelo.
Com seus tijolos sólidos, cinza...
E o cheiro. Era um cheiro misto de frango assado com o famoso cheiro de mofo, ou alguma coisa guardada há muito tempo.
Lá fui eu para o quarto, onde eu poderia descansar. Passei pelas portas, todas elas trancadas, e com plaquinhas de ``Não perturbe``.
Nem é da minha conta, nem conseguiria pensar no que os outros ``famosos`` estavam fazendo por trás das portas, elas eram isoladas acústicamente.
Os funcionários? Mal te viam. Te viam quando lhes era permitido ver. Pois é.
Eu me sentia um cavalo com uma viseira, olhando apenas para frente, focando. Sentindo um pouco de fome, admito, principalmente porque o jantar exalava cheiro pelo hotel inteiro.
Mas... era difícil. Era difícil concentrar com tantos pensamentos e alucinógenos na minha cabeça.
``Estou perdido, qual era meu quarto mesmo?`` Pensei.
Olho no relógio, parece que o tempo todo passa devagar.
Devagar e rápido, risos. Sento no chão e começo a divagar.
Olhe como o tempo é perverso: Ele sempre parece curto, correndo, e você se poe nessa frequência.
Você passa a correr junto. A não querer desperdiçar um segundo. E quando você para de correr, e apenas aceitar o tempo, percebe que ele lhe roubou cenas de teus olhos, roubou memórias da tua parca cabeça. Ele passa, pessoas nascem crescem e morrem. E você olha tudo isso, e tem alguém que olha isso através de você. Nada volta atrás, o tempo não pode ser controlado. E o melhor de tudo: Nós que o criamos. Por que? Invenção besta, deixa todo mundo paranoico.
O celular de alguém toca e me desperta do transe.
-Ei, Gus!
Escuto uma voz conhecida gritar meu nome, e no momento já esboço um sorriso. ``Lá vem aquele viking de novo``. Filho de irlandeses, Damian era o melhor. Guitarrista, com coração acalorado e um metro e noventa de altura, ele era um bom companheiro de viagens.
-Bora pr`uma rave que tá rolando no sítio de uma amiga!
Eu escuto ``rave`` e meu coração bate mais forte.
-Opa, só bora! Disse eu, eufórico. Estou mais de vinte e quatro horas acordado, chapado, bêbado, o que são só mais 20 horas de diversão?
(Fim do capítulo 1)
Pois bem, estava conversando isso com Evandro e um flash correu meus pensamentos antes que eu pudesse dizer qualquer coisa:
-Porra- interrompi da melhor maneira possível- cara, hoje deve estar com um puta por do sol bonito!
Evandro olhou para mim de maneira confusa, e eu simplesmente disse:
-Para de ficar noiando com o André, ele tá bem, dormindo lá, nada dele.
Vamos lá ver o por do sol.
Chegando no topo da pedra, consegui ver um cenário deslumbrante. Quilômetros de campo aberto, nosso querido planalto central, algumas fazendas mais ao fundo. As montanhas, tao escassas, permitiam todo essa contemplação. Alguns animais pastam cá e lá, mas a vermelhidão do por de sol tirava qualquer atenção para detalhes: O brilho era tao hipnotizante que nenhuma forma era possível de se distinguir propriamente, somente as silhuetas negras. Vermelho, laranja e amarelo se fundiam um a um, para dar origem ao espetáculo de cores ligeiramente semelhantes, mas fantásticas. Meu grande e fiél companheiro cochichou:
-Lindo né? E que silencio maravilhoso.
Eu assenti. E me pergunto porque pessoas precisam sempre noticiar e informar coisas boas, em vez de apenas aproveita-las.
-Sabe como pode ficar ainda melhor?- Perguntei eu.
-Como? Seus olhos se abriram com surpresa e expectativa.
Parei de falar. Entenda a mensagem, cabeção. Ah, como eu queria estar em meu fabuloso lar, e assim pudesse tomar um maravilhoso banho de mar. Daqueles geladíssimos, que, em um dia quente, podem te transformar, mudar totalmente seu humor, te acalmar como nenhum calmante pode fazer. Sinto saudade.
Os pássaros grasnavam... e o melhor... Nenhum barulho de carros. Adoramos fazer shows para poucas pessoas com dinheiro, porque aí podemos desfrutar de um pouco de silencio.
Subi as escadas, nada parecia muito novo.
Via as paredes, semelhantes a de um castelo.
Com seus tijolos sólidos, cinza...
E o cheiro. Era um cheiro misto de frango assado com o famoso cheiro de mofo, ou alguma coisa guardada há muito tempo.
Lá fui eu para o quarto, onde eu poderia descansar. Passei pelas portas, todas elas trancadas, e com plaquinhas de ``Não perturbe``.
Nem é da minha conta, nem conseguiria pensar no que os outros ``famosos`` estavam fazendo por trás das portas, elas eram isoladas acústicamente.
Os funcionários? Mal te viam. Te viam quando lhes era permitido ver. Pois é.
Eu me sentia um cavalo com uma viseira, olhando apenas para frente, focando. Sentindo um pouco de fome, admito, principalmente porque o jantar exalava cheiro pelo hotel inteiro.
Mas... era difícil. Era difícil concentrar com tantos pensamentos e alucinógenos na minha cabeça.
``Estou perdido, qual era meu quarto mesmo?`` Pensei.
Olho no relógio, parece que o tempo todo passa devagar.
Devagar e rápido, risos. Sento no chão e começo a divagar.
Olhe como o tempo é perverso: Ele sempre parece curto, correndo, e você se poe nessa frequência.
Você passa a correr junto. A não querer desperdiçar um segundo. E quando você para de correr, e apenas aceitar o tempo, percebe que ele lhe roubou cenas de teus olhos, roubou memórias da tua parca cabeça. Ele passa, pessoas nascem crescem e morrem. E você olha tudo isso, e tem alguém que olha isso através de você. Nada volta atrás, o tempo não pode ser controlado. E o melhor de tudo: Nós que o criamos. Por que? Invenção besta, deixa todo mundo paranoico.
O celular de alguém toca e me desperta do transe.
-Ei, Gus!
Escuto uma voz conhecida gritar meu nome, e no momento já esboço um sorriso. ``Lá vem aquele viking de novo``. Filho de irlandeses, Damian era o melhor. Guitarrista, com coração acalorado e um metro e noventa de altura, ele era um bom companheiro de viagens.
-Bora pr`uma rave que tá rolando no sítio de uma amiga!
Eu escuto ``rave`` e meu coração bate mais forte.
-Opa, só bora! Disse eu, eufórico. Estou mais de vinte e quatro horas acordado, chapado, bêbado, o que são só mais 20 horas de diversão?
(Fim do capítulo 1)
domingo, 18 de fevereiro de 2018
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018
Eu nao gosto de mandar
Os arrogantes procuram por aqueles que não se afirmam porque gostam de mandar, desmandar e irritar os outros
Eu preciso ser uma pessoa menos mandona. Preciso reaprender a dizer: Por favor. Preciso ter paciencia, preciso ser controlada e menos explosiva. ÉEEEEEAH, ter compaixao, humildade.
Eu preciso ser uma pessoa menos mandona. Preciso reaprender a dizer: Por favor. Preciso ter paciencia, preciso ser controlada e menos explosiva. ÉEEEEEAH, ter compaixao, humildade.
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018
Como ser contratado
Fácil
Leia o livro ''Como ser contratado em cinco passos''
Mas...
Os caras dos recursos humanos leram esse livro também
E percebem quando seres humanos estão atuando
''Haja descontraidamente''
Exatamente o que está fazendo, tremendo e suando
''Seja verdadeiro''
Minta que trabalhou em cinco companhias de poder
Dentre elas a google, microsoft, apple, youtube e mais alguma aí
Ah, eles vão acreditar!
Fale de si, o quanto gosta de si
O quanto é uma pessoa maravilhosa
E não a relação sua com as outras pessoas
Porque isso é irrelevante
Não precisa dizer que não fala com seu pai há sete anos
Por algum motivo
Diga o quanto é produtivo
O quanto é confiante
O seu maior defeito?
Ser ________(insira alguma característica positiva) demais.
Sempre.
UOPA, sou arrumado demais, as pessoas se irrriiiiiiiiiiiittam tanto
Nossa, elas piram, surtam
Perdem a cabeça
Elas, não você
Você é saudável, sempre
Você é o cara
Vista o terno e você...
Não é mais O cara.
Leia o livro ''Como ser contratado em cinco passos''
Mas...
Os caras dos recursos humanos leram esse livro também
E percebem quando seres humanos estão atuando
''Haja descontraidamente''
Exatamente o que está fazendo, tremendo e suando
''Seja verdadeiro''
Minta que trabalhou em cinco companhias de poder
Dentre elas a google, microsoft, apple, youtube e mais alguma aí
Ah, eles vão acreditar!
Fale de si, o quanto gosta de si
O quanto é uma pessoa maravilhosa
E não a relação sua com as outras pessoas
Porque isso é irrelevante
Não precisa dizer que não fala com seu pai há sete anos
Por algum motivo
Diga o quanto é produtivo
O quanto é confiante
O seu maior defeito?
Ser ________(insira alguma característica positiva) demais.
Sempre.
UOPA, sou arrumado demais, as pessoas se irrriiiiiiiiiiiittam tanto
Nossa, elas piram, surtam
Perdem a cabeça
Elas, não você
Você é saudável, sempre
Você é o cara
Vista o terno e você...
Não é mais O cara.
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