Mas seu ego é grande demais
Diferente de outras coisas
O tesão em mim se mistura com preocupação
E ambos me mantém alerta, assim
estímulos me irritam
preciso deles para me distrair de mim
Mas canso de me distrair
e quando tento fechar os olhos
não há para onde fugir
Isso me apavora
Não um medo agudo
Mas um medo como quem está em um pântano
Um medo de quem tentou tudo
Deserto, e falo e as pessoas aparecem como notificações
E tato e hálito parecem miragens
E os sons tornaram-se paisagens
Nesse deserto afaste-se de mim
Está calor de derreter os ossos
Estão poluídos não adianta
Cavar novos poços
Com os pés cheios de bolhas umidos
Os sapatos esgarçados furados
Ignoro desconfortos súbitos
Acostumado meio anfíbio estou
Indiferente reptiliano sou
Desventura se desdobra
Me olham com olhos gatos
Respondo com sangue de cobra
" eu dei a minha buceta"
e o cara deu o penis
ou a outra pessoa deu a outra buceta
em troca?
como se fosse um acordo comercial
como se fosse uma questão de dominação
dar, comer
como se houvesse o que come e o que é devorado, o passivo e o ativo
não é porque você tem um objeto fálico e inserível
que o objeto a moldar, acatar, englobar deixe de ser também ferramenta
sei lá o que ah comi fulana, como se fosse um grande campeonato para quem fosse mais gordo
eu fico cansado disso.
é muito difícil pro sujeito ter respeito com os corpos alheios
mas o capitalismo materializa tudo até a última instancia
se descreve o objeto através da sua embalagem
se conquista
e depois há a consumação
após isso, o cansar o enjoar
de algo que seria a promessa de um novo modelo do "novo"
o novo e o velho são faces da mesma moeda
se eu lhe dei algo, não tneho mais?
o que não tenho? o brilho viçoso da conquista
o buraco abissal onde estaria o mistério
sou um submarino e ás vezes não aguentam a pressão
e eu não gosto disso, ah ela vai dar para ele
como se nesse momento houvesse um julgamento moral
foda-se com quem se transa
literalmente
acho que nunca escrevi um pleonasmo tão divertido
enfim
o meu corpo está nesse mundo
para ser amado
e consumado
mas não consumido
como um prato de refeição
por isso escolho com quem fico
por isso declino dezenas de mãos ansiosas
todos querem dar com a chama na babilonia
mas poucos pensam em reconstruí-la
as pessoas querem sexo rápido
mas não pensam em amizades
não pensam em manutenção
somos um exército de pais ausentes
um exército de robôs imediatistas buscando por serotonina em meio ao fim do mundo
e parece que o cara pega isso e gamifica
transforma em troféu nesse exato momento
o ato é a linguagem do início ao fim
a história contada é mais presente e importante mesmo
diante da ineficiencia de nós sairmos do discurso
precisa-se avisar que chegou no prazer máximo....
essa tensão pra gozar sempre me deixou ultra nervoso
parece que tudo é um ultimato para tudo
e só quero respirar.
enfim
nessa ótica héterocentrada, não há o discurso invertido " eu comi ele" e isso me irrita, porque só atesta os velhos lugares ativo-passivos conferidos na identidade de genero. Em vez de dizer isso , por que não pensar com carinho e respeito pelas pessoas com quem você se relaciona, e penso, se a pessoa diz assim sobre quem está perto de si, uma parte dela não se respeita também.
chega
você
pode ser a minha distração
me distrair com orgasmos
mas se não quiser também
eu tento não me sufocar
com o ar embaçado dos meus traumas
aqui em casa corre bastante ar
a ânsia de ter corrói minhas visceras
que bom que não bebo álcool
amo o silêncio e amo estar só
gosto de você porque me distraio de mim
queria ler mais livros da sylvia plath
e ela deixou tão pouco
Como é frágil o coração humano —
espelhado poço de pensamentos.
Tão profundo e trêmulo instrumento
de vidro, que canta
ou chora.
lindo