terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

piano quebrado sangrando na calçada

  nada faz sentido

e a tristeza corrói meus ossos 

o cansaço de existir

num mundo em que se estupram bebês

tento resistir mas não dá 

tudo é chamar atenção o tempo inteiro

e quero morrer como uma árvore cai na floresta

calada, em silêncio 

de que adianta ter ambições pessoais se 

falhamos enquanto comunidade

de que adianta querer ir além com ego

com bilionários pedófilos ditando as regras

de que adianta ter amigos se eles te apunhalam pelas costas 

de que adianta viver mesmo 

é só um breve momento 

em que tentamos nos entorpecer com substancias

tentamos sugar o sangue uns dos outros

e não tem mais sangue sou um cadáver-vivo 

a esperança é manchada pelo sangue que marcou minha história 

abraçar que a falha é a verdadeira triunfal vencedora

dessa infindável batalha

ás vezes se cansa de lutar

ás vezes, dormir não é o suficiente 

ás vezes acho que o meu interior vai se rebelar contra o exterior

e torcer todos meus intestinos e orgãos 

até que eu mesmo seja um piano feito de pele e fibras

e que me toquem e meus dentes serão as teclas

e que peguem um martelo e quebrem todos os meus ossos

até que não de mais para emitir um único som. 

e a pessoa que quebra esse piano humano 

triste pela dissolvição de eu-objeto, torna-se ele então objeto junto

e com o mesmo martelo manchado de sangue, se quebra por inteiro, ele também objeto,

sujeito é a arma

sujeito é a aniquilação pela qual almejo 

sujeito é o caos que se apodera do meu ser me faz gritar mas não sai som algum

porque só consegue ouvir quem se importa 

e ninguém se importa comigo porque sou só um piano quebrado sem som sem sopro sem vida 

uma mancha de sangue na calçada até alguém vir lavar

um caco de vidro no pé

incomoda

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