nada faz sentido
e a tristeza corrói meus ossos
o cansaço de existir
num mundo em que se estupram bebês
tento resistir mas não dá
tudo é chamar atenção o tempo inteiro
e quero morrer como uma árvore cai na floresta
calada, em silêncio
de que adianta ter ambições pessoais se
falhamos enquanto comunidade
de que adianta querer ir além com ego
com bilionários pedófilos ditando as regras
de que adianta ter amigos se eles te apunhalam pelas costas
de que adianta viver mesmo
é só um breve momento
em que tentamos nos entorpecer com substancias
tentamos sugar o sangue uns dos outros
e não tem mais sangue sou um cadáver-vivo
a esperança é manchada pelo sangue que marcou minha história
abraçar que a falha é a verdadeira triunfal vencedora
dessa infindável batalha
ás vezes se cansa de lutar
ás vezes, dormir não é o suficiente
ás vezes acho que o meu interior vai se rebelar contra o exterior
e torcer todos meus intestinos e orgãos
até que eu mesmo seja um piano feito de pele e fibras
e que me toquem e meus dentes serão as teclas
e que peguem um martelo e quebrem todos os meus ossos
até que não de mais para emitir um único som.
e a pessoa que quebra esse piano humano
triste pela dissolvição de eu-objeto, torna-se ele então objeto junto
e com o mesmo martelo manchado de sangue, se quebra por inteiro, ele também objeto,
sujeito é a arma
sujeito é a aniquilação pela qual almejo
sujeito é o caos que se apodera do meu ser me faz gritar mas não sai som algum
porque só consegue ouvir quem se importa
e ninguém se importa comigo porque sou só um piano quebrado sem som sem sopro sem vida
uma mancha de sangue na calçada até alguém vir lavar
um caco de vidro no pé
incomoda
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