chuva
que a chuva
molhe a terra
que molhe meus cabelos,
rosto,
que eu olhe para cima e veja
como um foguete vindo em minha direção
uma gota d'água
e ela encontra a minha cara
e a água se encontra com a terra e
sobe um dos melhores cheiros do mundo
e a água escorre pelas minhas mãos
tudo tem cheiro de úmido
eu quero me jogar
do penhasco,
em direção ao mar
ou a cachoeira
quero chover todos meus fluidos
e sei que nunca irei secar
pois o sangue continua a correr
essa água vermelha com cheiro de ferro
e eu paro
paro de correr, paro de andar
resspiro
olho para cima
fecho os olhos
que caiam mais gotas
que meu vestido vire água-viva
que eu flutue no oceano
nas profundezas abissais
te trago luz
não mais quero dar conselhos
procure a vontade
quero entregar nada,
me despir de vaidade
cravar em ônix-água memórias
para toda a eternidade
página afogada no leito abissal
borra-se a tinta
não há verdade
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