segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

chuva

 que a chuva

molhe a terra

que molhe meus cabelos, 

rosto,

que eu olbhe para cima e veja

como um foguete vindo em minha direção

uma gota d'água 

e ela encontra a minha cara

e a água se encontra com a terra e 

sobe um dos melhores cheiros do mundo

e a água escorre pelas minhas mãos

tudo tem cheiro de úmido

eu quero me jogar

do penhasco, 

em direção ao mar

ou a cachoeira

quero chover todos meus fluidos

e sei que nunca irei secar

pois o sangue continua a correr

essa água vermelha com cheiro de ferro

e eu paro

paro de correr, paro de andar

resspiro

olho para cima

fecho os olhos

que caiam mais gotas

que meu vestido vire água-viva

que eu flutue no oceano

nas profundezas abissais

te trago luz

mas sinceramente  

não mais quero dar conselhos

nem procurar a verdade

quero entregar nada, apenas marcar

me despir de vaidade

cravar em ônix-água memórias

para toda a eternidade finda 

em que está circunscrita a humanidade

Nenhum comentário:

Postar um comentário