" eu dei a minha buceta"
e o cara deu o penis
ou a outra pessoa deu a outra buceta
em troca?
como se fosse um acordo comercial
como se fosse uma questão de dominação
dar, comer
como se houvesse o que come e o que é devorado, o passivo e o ativo
não é porque você tem um objeto fálico e inserível
que o objeto a moldar, acatar, englobar deixe de ser também ferramenta
sei lá o que ah comi fulana, como se fosse um grande campeonato para quem fosse mais gordo
eu fico cansado disso.
é muito difícil pro sujeito ter respeito com os corpos alheios
mas o capitalismo materializa tudo até a última instancia
se descreve o objeto através da sua embalagem
se conquista
e depois há a consumação
após isso, o cansar o enjoar
de algo que seria a promessa de um novo modelo do "novo"
o novo e o velho são faces da mesma moeda
se eu lhe dei algo, não tneho mais?
o que não tenho? o brilho viçoso da conquista
o buraco abissal onde estaria o mistério
sou um submarino e ás vezes não aguentam a pressão
e eu não gosto disso, ah ela vai dar para ele
como se nesse momento houvesse um julgamento moral
foda-se com quem se transa
literalmente
acho que nunca escrevi um pleonasmo tão divertido
enfim
o meu corpo está nesse mundo
para ser amado
e consumado
mas não consumido
como um prato de refeição
por isso escolho com quem fico
por isso declino dezenas de mãos ansiosas
todos querem dar com a chama na babilonia
mas poucos pensam em reconstruí-la
as pessoas querem sexo rápido
mas não pensam em amizades
não pensam em manutenção
somos um exército de pais ausentes
um exército de robôs imediatistas buscando por serotonina em meio ao fim do mundo
e parece que o cara pega isso e gamifica
transforma em troféu nesse exato momento
o ato é a linguagem do início ao fim
a história contada é mais presente e importante mesmo
diante da ineficiencia de nós sairmos do discurso
precisa-se avisar que chegou no prazer máximo....
essa tensão pra gozar sempre me deixou ultra nervoso
parece que tudo é um ultimato para tudo
e só quero respirar.
enfim
nessa ótica héterocentrada, não há o discurso invertido " eu comi ele" e isso me irrita, porque só atesta os velhos lugares ativo-passivos conferidos na identidade de genero. Em vez de dizer isso , por que não pensar com carinho e respeito pelas pessoas com quem você se relaciona, e penso, se a pessoa diz assim sobre quem está perto de si, uma parte dela não se respeita também.
chega
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