O tesão em mim se mistura com preocupação
E ambos me mantém alerta, assim
estímulos me irritam
preciso deles para me distrair de mim
Mas canso de me distrair
e quando tento fechar os olhos
não há para onde fugir
Isso me apavora
Não um medo agudo
Mas um medo como quem está em um pântano
Um medo de quem tentou tudo
Deserto, e falo e as pessoas aparecem como notificações
E tato e hálito parecem miragens
E os sons tornaram-se paisagens
Nesse deserto afaste-se de mim
Está calor de derreter os ossos
Estão poluídos não adianta
Cavar novos poços
Com os pés cheios de bolhas umidos
Os sapatos esgarçados furados
Ignoro desconfortos súbitos
Acostumado meio anfíbio estou
Indiferente reptiliano sou
Desventura se desdobra
Me olham com olhos gatos
Respondo com sangue de cobra
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