sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Reptiliano

 O tesão em mim se mistura com preocupação 

E ambos me mantém alerta, assim

 estímulos me irritam 

 preciso deles para me distrair de mim

Mas canso de me distrair 

e quando tento fechar os olhos 

não há para onde fugir 

Isso me apavora 

Não um medo agudo 

Mas um medo como quem está em um pântano 

Um medo de quem tentou tudo 

Deserto, e falo e as pessoas aparecem como notificações 

E tato e hálito parecem miragens 

E os sons tornaram-se paisagens 

Nesse deserto afaste-se de mim 

Está calor de derreter os ossos 

Estão poluídos não adianta 

Cavar novos poços  

Com os pés cheios de bolhas umidos 

Os sapatos esgarçados furados 

Ignoro desconfortos súbitos 

Acostumado meio anfíbio estou 

Indiferente reptiliano sou 

Desventura se desdobra 

Me olham com olhos gatos

Respondo com sangue de cobra 

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