domingo, 17 de junho de 2018

Poema de 10 reais

ESSE POEMA É DE UM LIVRO
e eu fiz só para vender mesmo
Viva o capitalismo
Em plácidos braços achei abrigo
Sincero sentimento partilhei contigo
Enquanto em corpo e alma me despia
Tua boca dizia, teu semblante desmentia
Sobre romântica história
Fiz fábula, e nela embarcava
Pela minha pele, arrepio
Teu rosto tornou-se sombrio
Procurava vã glória
Me preencher de teu vazio    
Tudo que me oferecia
Era duro objeto e obsessão
 Sobre desconfiado e embriagado olhar
Pôs fim a teu falso reinado   
Capturado pela mais vil chaga
Corpo corroído e desmanchado
Febril, contorcendo-se ao gritar
Pelo teu abandono hei de lamentar
Tua alma paga
Por solitária aqui me deixar
Entre demônios incandescentes
Dívidas, inconsistências
Obrigada, cuspo entredentes
Uma vida, uma eternidade
De aparências

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Barata

Vi uma barata na cozinha
Ela estava lá, exposta
De costas para o mundo
E de cara na bancada
Eu olhei para ela
E disse
-O que pensa que está fazendo aqui?
E ela respondeu:
-Eu moro aqui.
E eu disse:
-Você é uma invasora!
Ela:
-Se você tentar me tirar daqui, vou voar na sua cara, você vai ficar com medo, porque eu sou feia, horrenda, pavorosa.
Eu retruquei:
-Eu posso pedir ao Vinicius para te matar.
E ela replicou:
-Você não vai interromper o exímio estudo do aluno de medicina da empresa medicina só para matar um ser tao insignificante quanto eu. Isso é uma afirmação, eu venci.
E eu, com raiva, tentei dar minha cartada final:
-Eu posso te matar!
Ela, sem pestanejar, indagou:
-Você tem coragem? Tem o espírito de caçadora impiedosa e selvagem, que persegue e abate a presa, simplesmente por puro prazer, simplesmente por invadir teu território? Você tem o sangue nos olhos, ao acabar com uma vida, em meio a chineladas, dilacerando meu corpo e me deixando estatelada com todos meus fluidos e órgãos boiando pelos azulejos?
Eu olhei para ela
Ela olhou para mim
Apaguei a luz e fui embora

domingo, 10 de junho de 2018

Milkshake de Oreo

Virei um milkshake de Oreo
Espessa
Grossa, mas gostosa
Gostosa ou gordurosa?
Um mar de leite e de fluidos
E minha fala fluida
Mas demais '
Açúcar e gordura
E biscoitinhos quebrados
Sempre tenho algo a te oferecer
Estimulo suas papilas gustativas
A ponto de você não sentir gosto de mais nada
Te abafo e te mato com tanto doce
Eu era normal antes
Meteram açúcar e me trataram como sobremesa
Estou aqui, estirada
 Vai querer mesmo me experimentar?
Eu não sou servida numa bandeja
Uma porção pequena só para degustar
É uma avalanche de sorvete misturado
Só vou caber eu no teu estomago
Mas é muita coisa, caloria demais
Grande demais
1,77 de milkshake
Em um dia de calor, acha que vou te aliviar
Acabo te deixando com mais calor
A ponto de se cansar e suar e não querer mais
Tarde de mais
Já estou lá
Melosa
Me deixa em cima da mesa que daqui a pouco surgem as formigas
Me suga pelo canudo, mas eu venho com tudo
Mais rápido que você pensa
Uma vez só enjoa
E te lembra porque você não toma todo dia
Uma tentação
Que te faz pensar
Ou te enojar
Te dá um calafrio
E uma amargura na língua depois
E você pensa
Vou ficar mais seis meses sem tomar essa merda
Por isso
Vou deixar de ser Milkshake
E voltar a ser suco de laranja


quinta-feira, 7 de junho de 2018

Nervo

Nervo
Osso
Músculo
gordura
E tudo que me comporta
Vida
Mas cansaço
energia
Descaso
Escasso
Tremor
E mais umas coisas
Olhos marrons
Cabelos marrons
Pele branca meio manchada
Unhas ferradas
Tentei absorver
Virei esponja
Virei espelho
Virei ar
E agora estou virando
Me
revirando
olhos
Me revirando
Na cama
Sem dormir
Nem sonhar
Nem sentir
Flutuar
No mais escuro
Nada
Falando sem dizer
Escovando cabelos
Os quais preciso cortar
E unhas
preciso cortar
e doces
preciso cortar
e pulsos
deixar eles lá
Drama é bom
Bom bem longe
Chega de vida de cinema
Quero realidade
E aprender
a lidar com pessoas



sexta-feira, 1 de junho de 2018

``Não sou uma pessoa
  Sou um ser``
Fuck logic e argumentos

REM 1

Antes que eu cuspa todas as vísceras
E postergue o gosto desse veneno
Quanto menos enceno
Mais condeno
O torturar das formas
E os quadrados mal-formados
Os silêncios reprimidos
Os olhares não dados
os caminhos tomados
Os escuros protuberantes
E os desgastantes claros
Pelo verso vértebra cor
Veria peito, sangue
Vejo cinzas, poeira
Desce tua insuficiente ladeira
Para que trepa as árvores
Quer apenas a madeira
Para o bem dos teus bens
Dorme, acorda, inquietante
Tremor
Lhe sacode os pés, perturba a casca
Asco
De enfiar até a cabeça 
Grande, demais
Enche, transborda, inunda
Vai? eu vou
E a minha
Afunda
Tamanha escuridão
Me enfio nessa caverna
A culpa minha
Não trouxe lanterna



terça-feira, 15 de maio de 2018

Dormir 2

Preciso
Voltar pra casa
Preguiça
Por isso escrevo
Ó, faculdade
Preciso
Fazer dever
Geometria discritiva
Coisas chatas
Coisas retas
Cilíndricas
Preciso
Ver sarau(s)
Ver chapa caeba
Ver LARP
Preciso
Fazer trabalho de história da arte
Terminar meu dragão de papelão
de plástica
Pensar em um trabalho para arte digital
E então
O que hei de fazer?
Título

gandapropa

PROPAGANDA 
da propaganda 
COMPRE
e se você levar agora
GANHA UM BRINDE
E PESQUISAS AFIRMAM
QUE VOCÊ QUER
VOCÊ SABE QUE QUER
NÃO SE REPRIMA
E NÃO ESQUEÇA
ESTÁ A VENDA
A PROPAGANDA
MUITO MAIS LEVE
MUITO MAIS MACIA
MUITO MAIS EFICIENTE
MUITO MAIS INTERESSANTE
MUITO MAIS CHEIA
MUITO MAIS CONTRADITÓRIA
MUITO MAIS SOBRESSALENTE
MUITO MAIS MAIÚSCULA
mas minúscula também
Tem pra todos os gostos
E SE VOCÊ LIGAR AGORA
GANHA MAIS MEIA HORA DE ANÚNCIOS
SOBRE COMO USAR SUA PROPAGANDA
NOS MOMENTOS DE VAZIO E TRISTEZA
DISTRAIA-SE DA VIDA CHATA E CINZA
LIGUE JÁ
ADQUIRA AGORA SUA PROPAGANDA
E VIVA NA EXPECTATIVA
VIVA O SONHO
SONHE
MAS NÃO VIVA
PROJETE TUA FELICIDADE NA PROVA
TUA FELICIDADE NO ANÚNCIO
ANUNCIO TUA LUZ
VENDO SUA FELICIDADE
Vendo de olhos vendados
Mãos abertas esperando teu dinheiro
Boca aberta, grito o tempo inteiro
Compre, mente branda
Abrace, mas feche-se
Atraia-se você também
Ela manda
Pensas que controlas teu impulso
Tarde demais
Te vendi
Roubei teu tempo
Ele inteiro
a propaganda vende sem moeda
Tempo é dinheiro

nós sabemos

eu te quero muito e você já sabe
eu te queria e você sabia
você me queria e eu sabia também
a gente se quer
será que se quererá?
Só sei que se quer
Quero olhar nesses olhos
Das cores que já sabemos
E que nos façamos um só
Uma peça
Fora do quebra-cabeça
Porque contigo não quebro
Contigo restauro
Contigo vivo
Da maneira que é nossa e apenas
e ninguém pode tomar
Das suas brincadeiras
Dos meus trocadilhos
De você me dando a mão
E nós parados
Se olhando
Te quero, te quero muito
Contigo acerto
E lembro que não sou quebrada
Contigo conserto
E andamos por essa estrada
Nem que seja por pouco tempo
Eu anseio pelo teu toque
E pelo teu falar
Anseio pelo teu sotaque
E tudo que dá para ansiar
Te quero
Mas isso você já sabe
Me receba
Me beba
Me consuma
Porque contigo , não dá para algo se extinguir
Minha chama junta com a tua
Não preciso de droga, remédio
Saudades do nosso
Incêndio

segunda-feira, 14 de maio de 2018

dia das mães

Trecho de uma propaganda brasileira dos anos 40
Mamãe
``As compras, os ``rapazes``, as visitas! Quantas coisas, Deus meu, quantas coisas a attender! Naturalmente há dias em que a pobre Mamãe se irrita, fica nervosa e acaba com uma tremenda dor de cabeça e molesa em todo corpo. Com que anciedade recorre ella então á ASPIRINA.
Dois comprimidos, um copo d`água e eil-a de novo, mamãe tao bem disposta, risonha e activa como de costume. ``
Mãe não é nova em folha.
Não é risonha.
É sofrida e ferida por julgamentos.
É diminuída pela idade
Mãe não é máquina de fazer filho
Nem assexuada por conta da maternidade.
Mãe é lidar com pessoas
E sentir, sem precisar de palavras
É guerreira que viveu guerra de sangue, urina e suor.
É quem cria, é quem guia.
Não é troféu, nem estátua de beleza.
É quem não abriu mão da cria
E ajudou a mostrar o principio do mundo
A beleza dela vai muito além da estética
Por dentre as olheiras roxas
Há o zero arrependimento pela vida que gerou
Parabéns, mães
Parabéns pela paciência
Pela resistencia
E pela força inerente
Que nenhum comprimido consegue repor
Parabéns
Pois quando o mundo está em caos
Você simplesmente não cessa de lutar
Pelo teu filho, e legado
Por não virarem as costas
Enquanto o pai dá presente
E nunca se apresenta
Por serem pai, mãe, médicas, psicólogas
Conselheiras, amigas, entre tudo
Parabéns por tratar bem
Quando seu mundo está colapsando
Pelo seu zelo excessivo
por se entupirem de remédios por filhos
Por se abdicarem do corpo e do sangue por filhos
Por abrir mão de sonhos por filhos
Por carregar todas essas preocupações
Em um mundo movimentado pelo dinheiro
Parabéns pelo amor
E que te garante tanta dor
Parabéns por sentir
Parabéns por continuarem existindo
E não abdicarem da concepção da vida
Por mais que esse mundo já esteja atulhado de pessoas

domingo, 13 de maio de 2018

virando espelho



Virando espelho
Sorriso vermelho
Sangue mal circula
Olhar tremula
Olhe, acabo 
De tornar
Transfigurar 
De tanto pensar
Refletir
Pronto, meu agir
É teu
Se havia um eu
Se escondeu
Nas sombras há medo 
Mais estúpido segredo
Gesto não original
Não mais identidade
Meu nome
É teu
Meu riso
É raso
Meu voo não mais rasante
Pequeno, cair
E sorrir 
O doce já foi amargurado 
Querida queda
Quebrada
Mas não
Enquanto permanece liso vidro 
E polido
Enquanto raio refletido
Anjo, demônio caído 
Vês meus olhos
Te encaram e vê
Nada 
Muitos nadas
Vazio 
Arrepio
Engaiolada
Alma de tanto atormentada
Virei pedra sem mais caminho
Virei medroso pássaro
Caído do ninho 
Virei espelho, nada passa 
Virei espesso, nada passa
E te aconselho
Continue tendo ideias 
Antes de serem rasgadas 
Sejam fonte de luz
E não condutor
Porque uma hora 
Cessa Passa Acaba 
Amor
E transforma-te em marionete novamente

As angústias do jovem Ino

 Me perco em mim  Me afundo em mim  Perco meu corpo de vista  O oceano é um universo  Me perdi e talvez não queira me encontrar  Quando eu c...