segunda-feira, 5 de março de 2018

Dia 205

Acordei bem. Estou lidando com meus fanstamas, explorando mais a ilha. Fazendo amigos, os animais estão sendo fiéis. Eu ajudo os macacos com as comidinhas deles, e em troca, fico entre eles, fazendo barulhinhos. Acordei bem, meu dia hoje está bom, estamos nos divertindo. Maria, uma fêmea que tem um macaquinho, vem até mim, com suas duas pernas, e traz uma frutinha amarela. Já vi os membros do bando comerem essa frutinha antes, então é tranquilo. Eu não encosto nos macacos, e respeito a autoridade do líder do bando. Mesmo eu sendo maior e mais forte, eles são mais rápidos. Mas estou me divertindo, estive compondo músicas e vou cantar para os macaquinhos. Meus dias estão ficando serenos, estou aceitando de maneira maravilhosa a falta de outros da minha espécie. Estou ficando melhor em escalar árvores, sinto isso. Em breve, vou poder subir como o Tarzan fazia. Os macacos passam o dia procurando comida, eu tento ajudar, e eles brincam entre si, também. Volta e meia me escalam, exploram meu corpo e no final... Eles sabem que somos iguais. Só que eles tem mais pelos e são menores, além de seus olhos não terem a parte branca. Eles são lindos de se observar, eles, os pássaros coloridos que cantam e voam ao redor deles... É... O dia continua nublado, está quente, bizarramente quente, para dormir é um inferno, mosquitos e suor e desconforto, mas não importa, eu nado no rio, afundo meus pés no leito lamacento desse, é maravilhoso, parecem os sapatos mais confortáveis do mundo. Os peixes mordiscam a pele entre meus dedos, me fazem cócegas. Nado, e nado ao lado deles, e em um impulso, abro os olhos debaixo d`agua, sinto o correr do rio, me deixo levar. Sou um homem peixe. Sem nenhum ruído, somente o da água. Sem nenhum predador, nenhum jacaré ou nada que possa me tirar da segurança de um... Lar. Esse é meu lar, esse rio, essa ilha, meu bando de macacos. Amo essas árvores, amo essas águas, a chuva que vem e banha a terra, as frutas que me alimentam a cada dia, fico triste por ter que matar esses peixes de vez em quando, mas é a lei da natureza. Eu amo viver, mesmo que sem ter contato com os seres humanos, estou sendo mais humano que jamais fui antes, nunca na vida senti tanto, vivi tao intensamente, o presente, e não o  arrependimento do passado ou o medo do futuro, e esse é meu conselho, viva o agora, tenha em mente seus objetivos, coma coisas gostosas, faça o bem ao seu corpo, se cuide, ame o máximo, reclame menos, plenitude é uma coisa maravilhosa.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Dia 204


Não aguento mais. Essa ilha. Não aguento mais não ter com ninguém com quem compartilhar as coisas, não aguento mais esse vazio, que se preenche todo dia. Um monte de espaços vazios, um monte de nadas. Virei poeira, pó. Virei estatística. Morri para o mundo e o mundo morreu para mim, menos essas arvorezinhas e animais da ilha. Imagine que louco se elas fossem da minha imaginação também. É o abismo infinito, a mão invisível, meu grande inimigo. É a ausência de som, a ausência de entretenimento, faz muito tempo que eu não vejo alguém, que não escuto uma risada, que não aperto uma mão, que não sinto outra energia que não a minha. E penso: Preciso meditar, tentar focar em algo simples, como não fazer nada, apenas ser, sem pensar. Infelizmente, preciso comer, preciso me prover, e tudo isso é duro e difícil. Passar fome está sendo difícil, há dias em que tenho um mirrado porco selvagem, com a carne dura ``temperada`` com as amoras que coleto, mas há dias que preciso catar as plantas para conseguir qualquer coisa, e mesmo assim, meu estomago dói, e a ambição de coisas melhores me vem a cabeça. Tento compartilhar minhas poucas migalhas com os macacos, com os pássaros, mas eles de nada podem me ajudar, se não a me encantar com suas músicas doces e lindas penas. Essa dor que sinto é foda. É horrível. Sinceramente, queria que uma aranha viesse e me envenenasse, para que eu caísse duro aqui e esse sofrimento cessasse, mas... Eu sei que é tudo falso. É tudo ilusório. O sofrimento nunca acaba de verdade, cabe a você controla-lo. Me isolei de tudo e de todos, falo com vozes na minha cabeça, com seres humanos que tem máscaras e mais máscaras e no fundo, não consigo olhar em seus olhos. Se olhasse, o que poderia encontrar? Tenho medo, tenho angústias, sou um homem falho em sua natureza. Sou um homem quebrado, sou um homem transtornado. Não sei mais lidar nem comigo mesmo. As lágrimas caem, e elas caem pesadas, dois minutos e já secaram na areia, volta e meia molhada. Não aguento mais, não aguento mais essa pressão que eu exerço sobre mim, e sobre o que todos de fora da ilha devem estar sentindo, infernos, que uma cobra venha e me abocanhe o calcanhar. Tento gritar, mas não sai voz, tento qualquer coisa, um suspiro, nada. Como me sinto? Não sinto. É o contrário da plenitude, é o caos silencioso que me abala e me destroça e acaba com todos os meus planos, todas as minhas esperanças. A esperança é a última que morre? Pois bem, o último que vai morrer agora sou eu. Por que me mantenho vivo, se não tenho esperança? Por que? O conselho de hoje é : Estou muito mal para poder dar qualquer conselho, não sou rei, fantasma ou messias, sou humano, falho... destruído. Mentira, o conselho de hoje é: Não leve para o coração nada, você consegue lidar com tudo, nada é um problema realmente que vá te abalar para a eternidade, toda dor tem um fim, toda tempestade cessa, toda tormenta tem um fim, seja firme em seus propósitos.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

a FOTO

Mais interessante
Um cachorrinho
Uma comidinha
SENDO PREPARADA
EM MILIMÉTRICOS TAMANHOS
Muito mais interessantes
Para de botar expectativas sobre as coisas, Mariana
Você não é genia
Muito menos vale tudo isso
Você é uma pessoa normal
Que escreve paradas
E não tem tanta vergonha
Só isso
Para de se engrandecer
É, GALERAS
Essa é a minha terapia diária
Recomendo
Faz bem
Se uma pessoa gostou do teu texto
PORRA
ABRACA AQUELA PESSOA
NO MEIO DE TANTA FOTO E COISA SIMPLES
A PESSOA PAROU PRA LER TEU TEXTO
OBRIGADA PRA QUEM PARA E LE
AS PARADAS QUE EU ESCREVO
CES SAO FODA
Vou voltar a ler o livro da Rita Lee
e recomendo

O pote

Está na cozinha um pote
Ele é lindo
Ornamentado com o doce requinte da madeira
Mas ficou uns meses estagnado
Está empoeirado
Será que alguém vai abri-lo?
Pois é, fechado pote
Lacrado
Está lacrado
Será que está?
Ninguém sabe, parece que ninguém tentou abrir
Ou quem tentou abrir, morreu
Olhe só, que mistério
Com o que será que está preso?
Lava de vulcão?
Pregos, grampeadores
Cola?
Com o que está lacrado o pote?
O pote mede cerca de trinta centímetros
É redondo, sim, um pote redondo
UM PRISMA
Com a tampa redonda
O pote fica lá, a luz entra na janela
Ilumina-o
Em sua scores âmbar caindo para o castanho
Tao polido em madeira que parece ser feito de semente
Ou algum osso
Não se sabe a origem dele, não há assinatura
Ele só existe
Já disseram que para abrir o pote, precisariam de luvas
De descontaminadores
Qualquer coisa, bactericidas
Por que abrir o pote?
Por que o pote não pode ter privacidade?
Logo, uma multidão se aglomera ao redor da casa abandonada
Pessoas preparam estacas, e tochas
Querem desbravar a verdade
Descobrir o que há de tao importante no pote
Que está nas notícias, está nas artes, está no universo
O pote, que mal nome tem
Ele praticamente tomou o substantivo simples como próprio
E assim, chama-se ``O Pote.``
Pessoas se aglomeram ao redor da casa, A mídia pretende fazer uma contagem regressiva
E até vários Instagram Stories sobre O pote sendo aberto
As guerras no mundo todo cessaram
Todos queriam saber, a todo custo
O que diabos teria dentro do pote?
Mas, então, um meteoro atinge a terra e todo mundo morre

Dia 203

Estou sensitivo hoje, sei lá. A chuva passou, o sol despontou de baixo do mar. É lindo, sabe, ver as cores todas claramente depois de muito tempo vendo cinza. Eu, em meu silencio, consigo deixar fluir, e em um momento eu sou apenas energia que corre e nunca fica estagnada. Por um momento, eu queria não ter tido relacionamentos com meus pais, ou família em si. Eles ficam preocupados, estão sempre preocupados. Agora então? Fico até surpreso por não terem mandado helicópteros e buscas diversas, mas, colegas, devem ter acreditado que eu morri. Na verdade, devem ter acreditado que eu morri antes mesmo de embarcar no navio. Para os que ficam de saco cheio de minha rotina divertida na ilha, lhes conto um pouco de minha história, mas de trás para frente: A minha última fase foi de desapego total, tive que me distanciar de um monte de relacionamentos, sejam familiares, afetivos, enfim, precisei de meu canto, e assim, conheci muita gente, gente que nunca pensei que conheceria, oportunidades se abriram como flores se desabrochando, e eu fiquei imerso no mundo do trabalho, somado com o das drogas e da diversão. Festas na piscina hollywoodianas, escaladas na madrugada em picos nublados, pegar carona com caminhoneiros, cruzar fronteiras para se deparar com um amor de toda vida que durou dois meses, cruzar mais fronteiras para se deparar com o amor platônico dos meus devaneios infantis que costumavam me encher de sentimentos. Antes disso? Bom, antes... Coisas são ainda confusas para eu entender. Depressão, impotência, mas é aquilo, o homem teme o fracasso. A questão é: FODA-SE, AGORA ESTOU EM UMA ILHA, e NADA MAIS IMPORTA. Não preciso provar que sou inteligente, ou engraçado, ou caridoso. Eu simplesmente habito aqui, mais um animal no meio de vários, e a única coisa que me faz sentir especial são essas páginas que vos escrevo, e se perguntam onde arranjei, pois é, náufraga comigo veio minha mala, com alguns poucos pertences, infelizmente nenhum livro, mas felizmente um caderno envolto em uma sacola plástica, era como se eu pressentisse que algo poderia acontecer. E aqui vos escrevo, enquanto meus lápis puderem ser cortados brutalmente como lanças e minhas canetas, pobrezinhas, já com pouquíssima tinta, continuarem pulsando com energia colorida. Eu havia dito, anteriormente em minha pré-vida, que enquanto estivesse vivo, a arte ainda fluiria em meu sangue. Pois bem, cá estou eu, e se há ainda quem considere escrever, arte, pois é, contemplem a grande natureza humana em seu habitat não-natural e olhe, olhe bem para esse cenário: Aqui o homem não é dono de nada, não manda, precisa abdicar de todo seu orgulho, aqui nao há ``com quem está falando``, porque não se fala. O conselho de hoje é : Sente-se importante, animal? Olhe para uma formiga, e se imagine em um fictício mundo dela, pensando: Olha, mais um daqueles gigantes escrotos, espero que ele não me mate. Você tem importância somente enquanto puder dar algo em troca, se sua função social e econômica e tudo o mais colapsar, voce vira um zero a esquerda em um piscar de olhos. Leiam A metamorfose, se puderem.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

O Título tá no final do texto

M = Fui assaltada.
F=Como o cara era?
M= Bem... Sorridente.
F=SORRIDENTE? Tipo um palhaço?
M=Ele tem cara pintada, sim.
F=Como a polícia nao pegou ele ainda?
M=Bom, ele é branco. É só eu avisar a polícia que eles chegam e falam:
Minha senhora, a senhora está equivocada. Este homem é um cidadão de bem, olhe para suas roupas, olhe para seu jeito de agir.
F= Como assim? Nao consigo acreditar. Voce já tentou escapar? Correr, revidar, sei lá?
M= Ele corre atrás, bate a minha porta, ele está sempre lá.
A justiça? Ou eles nao acreditam, ou fingem que nao percebem. Afinal, ele meio que faz isso com bastante gente.
F= Que absurdo! Qual o nome desse cara?
M= Nao sei. Volta e meia ele aparece. Ele ria. Ria da minha cara conforme tirava notas dos meus bolsos. Sempre faz isso. Ri, pula, brinca com as notas. Uma vez, botou fogo em uma nota, assim, do nada, pegou seu isqueiro e a cédula se extinguiu nela mesmo, colapsou.
F=Caramba! Que doentio!
M=E tem mais.
Ele ainda me dizia:
``-Tudo que voce perde agora, eu vou devolver, er, er`` Pulava, e isso fazia soar os guizos de sua cabeça.
F=Como assim? Vai devolver?  Esse cara é louco!
M=Todos somos. ESPERA, TEM MAIS.
Ele me rouba quase que todo dia. E sempre cantando a mesma música. E sorrindo.
F= Vou catar esse desgraçado! Ele tá morto! Onde já se viu, roubar todo dia, pessoas que só estao fazendo seus trabalhos? Bandido bom é bandido na prisão! Qual a roupa que esse meliante costuma trajar?
M= Um terno.


domingo, 25 de fevereiro de 2018

Bem vindos a minha casa

Aqui, se ouve televisão das oito da manha até as dez da noite. E notícias trágicas.
Não se houve conversas.
As únicas vozes que se escutam são:
1- Minha avó
Extremamente frequente
Angustiada
Sempre com medo de algo acontecer, paranoica
Fico triste, ela é uma pessoa tao boa
Mas amaldiçoada pelo panico que a mídia e a cidade ``grande`` induziram nela
Ou reclamando
Reclama de tudo, dos detalhes dela nao estarem do jeito que ela queria
Poucas vezes a escuto elogiar alguma coisa, bem raro
Odeia animais
Só deixou eu ter um bichinho uma vez, e foi um hamster
2- Meu pai
Raro mas chato
Infelizmente, fala de política de forma extremamente parcial
Sem analisar, mas xingando e falando mal de políticos
Falando mal de pessoas, de presidente, de senadores
Falando mal de negros, de mulheres
E me tratando como uma criança de cinco anos
Sim, ele nunca soube me tratar como uma mulher
Porque desrespeita mulheres
3- Meu avo
Quase lendário
Minha avó fala tanto que o irrita
E ele bota a televisão alto
Para ela não precisar falar
E está em uma depressão terrível
A ponto de olhar a TV e não expressar nada
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Eu cresci como eles
Vendo televisao
Mas eu via desenhos
E os desenhos eram bem mais interessantes
Que todas essas tragédias que aparecem nas notícias dia após dia
Ouvir uma vez, ao jantar, tudo bem
Mas o dia inteiro, no mesmo canal
As mesmas notícias
E então fecho a porta do meu quarto
Fecho a janela com o transito e barulho dos carros
Ai ai, e é por isso, amigos
É por isso que eu nao gosto muito de ficar em casa
Me sinto mais confortável na rua
Onde posso ser eu mesma
Porque aqui em casa preciso usar uma máscara
Queria muito dizer a verdade na cara dos meus familiares
Mas não tenho energia para isso, são vícios profundos demais
Por isso, saio noite adentro
E preciso voltar ao boxe

Voce podia pedir ajuda

E perdoa ela, gente
Ela acha que sabe tudo, coitada

coisa simples

Contempla triste o homem 
Preso em vil torpor
Como podes querer ser águia
Estático no galho, nem canário 
Nem pombo, 
Condor.

Preferem ser máquinas

Esse é meu boneco de palito. 
Entendeu?
FAZ OUTRA COISA. 
PARA COM ESSE VÍCIO. Desenha caras, flores, prédios, animais, pessoas, desenha do seu jeito, como você acha que é.
``Eu só sei desenhar boneco de palito``
Você já tentou?
PARA DE TER MEDO
Já tentou pegar em um lápis da faber castel e simplesmente rabiscar qualquer coisa e ver como é bom?
Já tentou copiar seu personagem de desenho favorito?
Já tentou pintar uma tela toda de azul?
AIN MAS EU NÃO SEI PINTAR
NÃO IMPORTA
Você pode aprender
E aprender demanda prática
Eu desenho desde os três anos
A única diferença
É que eu continuei
Eu nunca disse: ``ain, eu desenho mal``
Enquanto pessoas ficavam dizendo:
``Ah, ela vai desenhar bem``, ``ah, mas isso não dá dinheiro``
Eu continuava desenhando
É não perder o foco
Você pode ir além do boneco de palito
PARA DE PENSAR NO QUE OS OUTROS VÃO PENSAR
OU SE A TUA ARTE VAI DAR DINHEIRO
Se for do seu coracao
Não tem quem precise gostar mais
Do que você mesmo
Para de ficar com medo de gastar material
Material vem e vai, é a vida
Gasta mesmo, transborda
Se expressa, deixa a arte entrar na sua vida
Escreve, canta, desenha, pinta, dança, lê
Não seja só essa casca
Essa máquina
Se você puder
Se você quiser
Se você tiver coragem
Você pode ser humano
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Mal-feitor

Mal-feitor
Meus avós tem medo de bandido
Os que espreitam, madrugada nua
É, ele está na Europa, escondido
Povo acuado mal sai na rua
Pega do teu bolso minguado
Some com teu imposto
Te bota contra a parede, pressionado
Bate no teu rosto
Quem vos escreve tem pele branca
E nunca sofreu agressão policial
Linha de pensamento franca
A disparidade é surreal
Cessa essa tortura, ditadura
Ce tá espancando teu povo, teu irmão, policial
Dizer que o pobre é bandido
E esconder o celular
Parece um destino escolhido
Óh, como é bom roubar
Falando em injustiça
Quer fazer uma base espacial
Poe uma cara postiça
E o discurso igual
Aparece brando na tela
Na igreja, acende vela
Quanto falta para deixar de faltar?
Quando falta escoar enchente
Quando falta remédio no hospital
Quando falta educar gente
Num país desigual
Te digo, e te digo de maneira informal
Ser humano precisa pensar
De tuas origens, tenha ciência
Qual bandido tu quer derrubar?
A causa ou a consequência?
Aperta tua gravata, fala bonito, tenha clemencia
Desvia aqui, empresta ali
SOS, estado de emergência

As angústias do jovem Ino

 Me perco em mim  Me afundo em mim  Perco meu corpo de vista  O oceano é um universo  Me perdi e talvez não queira me encontrar  Quando eu c...