Dia 7 de novembro de 2017, eu saí de casa.
Agora estou sentada na mesma cadeira de computador, na minha confortável casa em Copacabana.
Vim aqui para colocar meu celular para carregar, perdi o carregador.
Morei um mês em Sao Joao de Meriti
E agora vou ficar três semanas aqui na casa de minha mãe, refletindo.
E mês que vem, vou para a Ilha do fundão, morar lá
É chato, galeras
Morar em um lugar em que voce nao se sente pertencente
E olhem
Sempre que eu piso em minha casa
A casa onde cresci
Nao penso em minha
Mas "deles"
A cama em que dormi
Ela que comprou
Nada é meu
As paredes?
Alvas como a minha pele
Sem um traco da minha existencia
E todo o resto eu fiz questao de jogar fora
Para que pequenezas
Para que bugingangas
Lembranças de alguém que não deseja-se lembrar?
Minha avó guarda os desenhos de quando eu tinha cinco anos
Ela gostava da Mariana criança
Que era doce e cantava e era obediente
Dormia no horário certo e era dedicada
A mariana cresceu e ficou rebelde
Pintou o cabelo de azul
Viajou por aí sem nem saber com quem
Se perdeu
O sentimento por essa casa
Nunca houve
As paredes alvas sao tao hostis
Que me sinto espremida nesse lugar que já me fez tao mal
Esse silencio que perdura
E que eu tentava, desesperadamente, substituir por música
Ou qualquer outro barulho
Que me fizesse sentir... em casa
Mas estava equivocada. Aqui não é minha casa.
A casa da minha avó não é minha casa.
A casa da minha mãe não é minha casa.
A casa da minha amiga não é minha casa.
Eu não tenho casa fixa, e as pessoas ao meu redor sempre mudam
Entenderam os problemas de se relacionar com mesmas pessoas?
Não consigo, é um sistema de rotacao
Eu olho para as pessoas e penso : Elas são todas iguais
Rostos diferentes e vozes também, mas iguais
Vao embora, todos sempre vão embora, e eu aprendi
A ir também
Por isso, só estou acabando de escrever esse texto, e vou ao hospital
Tratar de uma infecção aí, acontece
Enfim
Eu queria me sentir pertencente
Mas nada dá certo e já estou acostumada com isso
Meu lugar é na rua e a única coisa que eu tenho de verdade é minha mochila
E minhas paradinhas superficiais
Alguém taca fogo na minha estante, por favor
Para eu me desprender dos meus livros também
A gente se apega a coisas
Eu gosto dos livros, mas eles são só a ideia e o papel
Vou ver se vendo, mentira, não vou
Sou egoísta e eles vão ficar em minha estante, de decoracao
VIVA AS PESSOAS SUPERFICIAIS
domingo, 17 de dezembro de 2017
Furei contigo e vou furar mais
Cara
Primeiramente, me desculpem
Uilla
Névena
Sarah
Filipe
Josy e Gabriella
Galera da Eba ( o grupinho que eu falo lá)
E todas as pessoas
Com quem eu marco e digo
BORA
EU FALO ISSO
Muitas vezes eu vou
Mas muitas vezes furo
Eu chego na hora e falo
As pessoas não vão me querer lá
As poucas, que não são tao próximas de mim
Nao vao me querer lá
Insegurança, somada a uma série de fatos
Deixem eu dizer uma coisa
Eu gosto muito de vocês, galeras
Eu furei o aniversário da minha própria mãe
E a amo mesmo assim
Deixe-me dizer porque fiz isso
Porque sou uma pessoa medrosa
Eu tenho medo
De confrontar vocês
Não os que naturalmente gostam mais de mim
Mas sim os estranhos
Os que olham ligeiramente torto
Eu tenho muito medo das críticas
E dos tapas na cara
E do tédio
E do arrependimento
E eu canso
De socializar
De sempre precisar dizer a piada da hora
De sempre precisar "ser alguém"
De precisar inventar uma cara para a Mariana
Que virou...
Exagerada. Falante. Engraçada. Caótica.
Eu sou uma bola de energia constante e quando eu chegar
Como meus amigos já bem disseram
É, Tuti, você estava certo
A minha energia não acompanha a de vocês
Eu sou 8 ou 80
Conversa cinco minutos comigo e eu já estarei gritando e gesticulando
E interpretando, me empolgo
Mas depois, me veja ali, no canto
Eu vou estar parada, sentada e lendo
Fazendo nada.
Então, queridos
Voces estão no meu coração
Mas, ás vezes, ter que conviver tao intensamente
E nao ser acompanhada
Me cansa
Mas a culpa é minha
Faltam-me calmantes, ou remédios, ou sei lá
Já perceberam a energia que eu tenho para conversar com desconhecidos?
Eu me sinto muito mais confortável em um "role" com pessoas que eu não conheço
Eu desaprendi a ter laços, meus amigos
Virei volátil
Meus amigos viraram meus conhecidos
E meus conhecidos tornaram-se totais estranhos
E me sinto só e aí
Será que alguém volta?
Tudo a minha volta
Virou meio solitário
E aí
(referencia, hehehe)
Enfim, caras
Sao pessoas demais
Para desculpar desculpas de coisas que já foram
E muito sentimento em meu peito
Que nem de longe vou conseguir demonstrar
Mesmo com toda minha expressividade
Me chamaram de fria umas duas vezes essa semana
Arrogante, até
Quando amor brota do meu peito e eu quero poder expressa-lo
Entretanto, algo não é bem expressado e tudo dá errado
Ás vezes, não avanço por medo
E eu me tornei uma grande medrosa de pessoas
Menos dos desconhecidos
Com os desconhecidos eu posso ser quem eu quiser
Com os amigos, eu me desgasto
Cai a máscara, e nem eu me aguento mais
E vou embora
E furo
Ignoro meus pobres amigos, de vez em quando.
Tenho poucos, e cada vez mais tenho menos.
Mas isso preciso dar um crédito ao meu ódio ao celular e ao vício que ele submete as pessoas.
Porém isso é para outro texto.
Estou escrevendo isso no facebook para mostrar que não sou de pedra, como devem achar por aí.
Pelo contrário, isso era tudo que eu não queria me transformar.
Se você está lendo isso, é porque se importa de alguma maneira e ...
Obrigada pelos convites, lidar com eles e encarar as pessoas é difícil
Mas vou tentar mudar
Ou não
Eu queria pensar em socialização como qualquer um
Mas eu acabei racionalizando isso a um nível
Que nem eu entendo mais o que eu quero
Se é companhia ou solidão
E para terminar esse desabafo-poema
Uma rima, desistam de mim não
Primeiramente, me desculpem
Uilla
Névena
Sarah
Filipe
Josy e Gabriella
Galera da Eba ( o grupinho que eu falo lá)
E todas as pessoas
Com quem eu marco e digo
BORA
EU FALO ISSO
Muitas vezes eu vou
Mas muitas vezes furo
Eu chego na hora e falo
As pessoas não vão me querer lá
As poucas, que não são tao próximas de mim
Nao vao me querer lá
Insegurança, somada a uma série de fatos
Deixem eu dizer uma coisa
Eu gosto muito de vocês, galeras
Eu furei o aniversário da minha própria mãe
E a amo mesmo assim
Deixe-me dizer porque fiz isso
Porque sou uma pessoa medrosa
Eu tenho medo
De confrontar vocês
Não os que naturalmente gostam mais de mim
Mas sim os estranhos
Os que olham ligeiramente torto
Eu tenho muito medo das críticas
E dos tapas na cara
E do tédio
E do arrependimento
E eu canso
De socializar
De sempre precisar dizer a piada da hora
De sempre precisar "ser alguém"
De precisar inventar uma cara para a Mariana
Que virou...
Exagerada. Falante. Engraçada. Caótica.
Eu sou uma bola de energia constante e quando eu chegar
Como meus amigos já bem disseram
É, Tuti, você estava certo
A minha energia não acompanha a de vocês
Eu sou 8 ou 80
Conversa cinco minutos comigo e eu já estarei gritando e gesticulando
E interpretando, me empolgo
Mas depois, me veja ali, no canto
Eu vou estar parada, sentada e lendo
Fazendo nada.
Então, queridos
Voces estão no meu coração
Mas, ás vezes, ter que conviver tao intensamente
E nao ser acompanhada
Me cansa
Mas a culpa é minha
Faltam-me calmantes, ou remédios, ou sei lá
Já perceberam a energia que eu tenho para conversar com desconhecidos?
Eu me sinto muito mais confortável em um "role" com pessoas que eu não conheço
Eu desaprendi a ter laços, meus amigos
Virei volátil
Meus amigos viraram meus conhecidos
E meus conhecidos tornaram-se totais estranhos
E me sinto só e aí
Será que alguém volta?
Tudo a minha volta
Virou meio solitário
E aí
(referencia, hehehe)
Enfim, caras
Sao pessoas demais
Para desculpar desculpas de coisas que já foram
E muito sentimento em meu peito
Que nem de longe vou conseguir demonstrar
Mesmo com toda minha expressividade
Me chamaram de fria umas duas vezes essa semana
Arrogante, até
Quando amor brota do meu peito e eu quero poder expressa-lo
Entretanto, algo não é bem expressado e tudo dá errado
Ás vezes, não avanço por medo
E eu me tornei uma grande medrosa de pessoas
Menos dos desconhecidos
Com os desconhecidos eu posso ser quem eu quiser
Com os amigos, eu me desgasto
Cai a máscara, e nem eu me aguento mais
E vou embora
E furo
Ignoro meus pobres amigos, de vez em quando.
Tenho poucos, e cada vez mais tenho menos.
Mas isso preciso dar um crédito ao meu ódio ao celular e ao vício que ele submete as pessoas.
Porém isso é para outro texto.
Estou escrevendo isso no facebook para mostrar que não sou de pedra, como devem achar por aí.
Pelo contrário, isso era tudo que eu não queria me transformar.
Se você está lendo isso, é porque se importa de alguma maneira e ...
Obrigada pelos convites, lidar com eles e encarar as pessoas é difícil
Mas vou tentar mudar
Ou não
Eu queria pensar em socialização como qualquer um
Mas eu acabei racionalizando isso a um nível
Que nem eu entendo mais o que eu quero
Se é companhia ou solidão
E para terminar esse desabafo-poema
Uma rima, desistam de mim não
sábado, 2 de dezembro de 2017
fofinha
estou fofinha
Porque estou pegando um fulano fofinho
E ele me abraça
E me beija e tal
E eu me sinto mais ... sei lá
Leve?
Não vão ter muitos palavrões no texto, estou fofinha
O foda de pegar uma pessoa com um círculo social estável
É que a pessoa faz aquele programa há anos
E meio que não muda, é sempre isso
E eu gosto de caos
De mudança
De lugares novos
Meh.
Uma pena, a pessoa é legal
Mas é legalzinha
Não tem o carisma de um
Nem o conhecimento de outro
Ou a atitude de mais um
Nao
É meio sem sal
Mas eu estou arrastando com a barriga
Gente, já disse que eu sou uma pessoa horrível?
Sou uma pessoa horrível, é.
Estou tentando trabalhar nisso, mas é difícil. De verdade
Eu pareço até estar sendo legal e tal
É, eu finjo bem
................................................................................................
High adventures.
High. Just high. Not anymore. Not today.
This is the part of the role when everybody starts speaking english.
Porque estou pegando um fulano fofinho
E ele me abraça
E me beija e tal
E eu me sinto mais ... sei lá
Leve?
Não vão ter muitos palavrões no texto, estou fofinha
O foda de pegar uma pessoa com um círculo social estável
É que a pessoa faz aquele programa há anos
E meio que não muda, é sempre isso
E eu gosto de caos
De mudança
De lugares novos
Meh.
Uma pena, a pessoa é legal
Mas é legalzinha
Não tem o carisma de um
Nem o conhecimento de outro
Ou a atitude de mais um
Nao
É meio sem sal
Mas eu estou arrastando com a barriga
Gente, já disse que eu sou uma pessoa horrível?
Sou uma pessoa horrível, é.
Estou tentando trabalhar nisso, mas é difícil. De verdade
Eu pareço até estar sendo legal e tal
É, eu finjo bem
................................................................................................
High adventures.
High. Just high. Not anymore. Not today.
This is the part of the role when everybody starts speaking english.
Ontem
Ontem foi um dia legal
Eu fico feliz quando é um dia legal assim
Sabe
Que há pessoas
pessoas conhecidas
pessoas afetuosas
Alucinógenos
E todos trocando a maior ideia
E eu transitando entre os grupos de pessoas
Conversando sobre as mais aleatórias coisas
Conhecendo pessoas novas, e é isso
Eu
Bianca
Gostei de ontem, Bianca
Foi bom o role
Isso não é um texto legal nem nada
é só eu dizendo que gostei de ontem
É um daqueles encontroes raros
Onde vai a galera inteira
É bom
Estava regado
Comida, bebida e alucinógenos
Eu falava e não precisava me preocupar sobre o que era
Até as cinco da manha, todos nós em circulo
Comendo nutella com pedaços de chocolate
Economizar seu dinheiro ou fumá-lo
Eis a grande questão existencial da vida
Que dia lindo
Queria poder guardar o sentimento de acolhimento que eu senti nesse dia
Num pote
Ah.....................
Mas estamos melhores, eu e eu.
Eu fico feliz quando é um dia legal assim
Sabe
Que há pessoas
pessoas conhecidas
pessoas afetuosas
Alucinógenos
E todos trocando a maior ideia
E eu transitando entre os grupos de pessoas
Conversando sobre as mais aleatórias coisas
Conhecendo pessoas novas, e é isso
Eu
Bianca
Gostei de ontem, Bianca
Foi bom o role
Isso não é um texto legal nem nada
é só eu dizendo que gostei de ontem
É um daqueles encontroes raros
Onde vai a galera inteira
É bom
Estava regado
Comida, bebida e alucinógenos
Eu falava e não precisava me preocupar sobre o que era
Até as cinco da manha, todos nós em circulo
Comendo nutella com pedaços de chocolate
Economizar seu dinheiro ou fumá-lo
Eis a grande questão existencial da vida
Que dia lindo
Queria poder guardar o sentimento de acolhimento que eu senti nesse dia
Num pote
Ah.....................
Mas estamos melhores, eu e eu.
sexta-feira, 3 de novembro de 2017
quarta-feira, 25 de outubro de 2017
DOR DE CABECA E RAIVA
"Você está muito violenta"
Nao diz isso
Nao para mim
Sabe por que?
Porque aí que eu lembrarei que sei
Ser violenta
Que consigo emanar raiva
E VOCÊ FALOU ISSO
E AGORA EU ESTOU PUTA
NUNCA É SUFICIENTE
eu vejo pessoas rindo nas ruas
e tenho raiva delas
Eu me imagino socando a árvore
até meus punhos ficarem sangrando
Eu me imagino socando a garota dançando na minha frente
Eu me imagino socando um adversário no ringue
Até inundar a cara dele de sangue
É
Cara
será que eu me estraguei
ou foi influencia externa?
Já ouvi diversas coisas
minha avó acha que eu sou um monstro
e, sei lá
Agora minha mãe deve achar também
Eu acho que eu gostava de carinho
e coisas bonitinhas
Mas agora nao consigo sentir isso
Estou puta
Só sinto raiva
Vou jogar jogo de tiro
E ver se passa
É FODA
terça-feira, 24 de outubro de 2017
CHORAR
Me fala
Me fala quando
Me fala quando chorar virou sinônimo de fraqueza
Voce ter sentimentos significa ser fraco?
Sentimentos significa algo como força física?
Chorar é coisa de mulher?
Mulherzinha?
Que bom que sou mulher, mas não me chame de diminutivos
Que eu fico puta
Sou a pessoa mais fraca desse planeta
Eu choro
E choro bastante
Crianças são cruéis
Sabe por que?
Porque quando você chora perto delas
Elas param tudo e começam a apontar
Dizendo:
-Fulano está chorando
E dizem isso com um certo encantamento
Como se fosse algo inédito
Água saindo dos olhos de uma pessoa
Uau, como isso é legal
Mas enfim
Parem de criticar quem chora
Eu tenho vergonha
e tenho raiva
de chorar na frente de todas as pessoas
A melhor coisa
é chorar sozinha
Pois nao vai chegar
A PORRA DE UM FULANO
E DIZER
-OLHA, VOCÊ ESTÁ CHORANDO!
Me fala quando
Me fala quando chorar virou sinônimo de fraqueza
Voce ter sentimentos significa ser fraco?
Sentimentos significa algo como força física?
Chorar é coisa de mulher?
Mulherzinha?
Que bom que sou mulher, mas não me chame de diminutivos
Que eu fico puta
Sou a pessoa mais fraca desse planeta
Eu choro
E choro bastante
Crianças são cruéis
Sabe por que?
Porque quando você chora perto delas
Elas param tudo e começam a apontar
Dizendo:
-Fulano está chorando
E dizem isso com um certo encantamento
Como se fosse algo inédito
Água saindo dos olhos de uma pessoa
Uau, como isso é legal
Mas enfim
Parem de criticar quem chora
Eu tenho vergonha
e tenho raiva
de chorar na frente de todas as pessoas
A melhor coisa
é chorar sozinha
Pois nao vai chegar
A PORRA DE UM FULANO
E DIZER
-OLHA, VOCÊ ESTÁ CHORANDO!
domingo, 22 de outubro de 2017
TAVA DEMORANDO NÉ
Queria chorar
Por qual motivo?
Não sei
Tristeza eterna que me corrói
Queria chorar mas não tenho lágrimas mais
Estou colapsando.
Para variar.
Não quero comer, não consigo.
Não essa comida amaldiçoada.
Quero morfina ou algo que me apague.
Família, me desculpe.
Mas eu não consigo ver algo de legal em vocês.
Voces são estranhos.
Eu já fiz algo com voces no passado?
Porque eu nao me lembro.
Só um pouco.
Tios, tias, avós, avos. Para mim, é tudo uma grande mentira.
Uma grande piada, pessoas que realmente não ligam.
Eu queria ser uma pessoa apegada á família e atribuir
Algum valor real a ela
Mas não consigo
Me tornei uma pessoa amargurada.
Amanha volto a socar sacos de areia.
Espero que eu melhore
Porque tá foda
De verdade
Não tenho vontade de socializar.
Os estranhos que eu chamo de amigos
Vao indo embora, vao sumindo
Eu precisava de ajuda
Será?
Eu afasto tudo e todos
Minha mãe tá puta comigo.
Porque eu sou uma pessoa escrota
Que só pensa em si.
Alguém me mata.
Viu, voltaram os pensamentos suicidas.
Mas não em peso.
Já estive pior.
Será que dá tempo de melhorar?
Será que é apenas drama?
Pode ser.
Eu sou uma pessoa horrível
Só queria sei lá
Que alguém batesse na minha cara
E o gosto do sangue inundasse a minha boca
Para eu aprender a deixar de ser
Babaca
Por qual motivo?
Não sei
Tristeza eterna que me corrói
Queria chorar mas não tenho lágrimas mais
Estou colapsando.
Para variar.
Não quero comer, não consigo.
Não essa comida amaldiçoada.
Quero morfina ou algo que me apague.
Família, me desculpe.
Mas eu não consigo ver algo de legal em vocês.
Voces são estranhos.
Eu já fiz algo com voces no passado?
Porque eu nao me lembro.
Só um pouco.
Tios, tias, avós, avos. Para mim, é tudo uma grande mentira.
Uma grande piada, pessoas que realmente não ligam.
Eu queria ser uma pessoa apegada á família e atribuir
Algum valor real a ela
Mas não consigo
Me tornei uma pessoa amargurada.
Amanha volto a socar sacos de areia.
Espero que eu melhore
Porque tá foda
De verdade
Não tenho vontade de socializar.
Os estranhos que eu chamo de amigos
Vao indo embora, vao sumindo
Eu precisava de ajuda
Será?
Eu afasto tudo e todos
Minha mãe tá puta comigo.
Porque eu sou uma pessoa escrota
Que só pensa em si.
Alguém me mata.
Viu, voltaram os pensamentos suicidas.
Mas não em peso.
Já estive pior.
Será que dá tempo de melhorar?
Será que é apenas drama?
Pode ser.
Eu sou uma pessoa horrível
Só queria sei lá
Que alguém batesse na minha cara
E o gosto do sangue inundasse a minha boca
Para eu aprender a deixar de ser
Babaca
tiny conto
Ela estava em casa, e seus amigos iriam se divertir. O dinheiro era contado, e a diversão era incerta. Botara suas melhores roupas, uma calca preta de veludo e uma blusa vermelha decotada. Em contraste com sua pele branca, aquilo lhe parecia atraente aos olhos externos. Mas nenhuma maquiagem botou, por preguiça, por não gostar tanto de tinta em suas pálpebras e pele. Disse aos amigos que estaria sem celular, não conseguiria se comunicar com eles direito.
E lá foi ela, noite adentro, apenas com um dinheirinho, chave de casa e seu corpo brutal. Sem salto, sem maquiagem, sem joias, uma mulher simples.
Encaminhou-se para a floresta de prédios decadentes, bueiros abertos, mendigos cantantes e cerveja derramada. As estrelas eram encobertas pela poluição, o barulho dos carros lhe rasgava a calmaria, o engarrafamento inundava a paisagem com luzes vermelhas, brancas e amarelas, e lá estava ela, tao pequena no meio de uma imensidão cinza.
Chegando ao local, avistou um homem enorme, que fazia sombra nela mesmo que o brilho presente fosse da lua. Ele abriu a boca e começou a falar coisas estúpidas, e ela seguiu seu caminho.
Mas, primeiro, era necessário comprar uma garrafa de algo. Alguma coisa para realizar o famoso ato do "esquenta", e lá foi ela para a fila. Na fila, apenas homens, que deixaram suas fêmeas em segundo plano para escolher qual bebida comprariam. A fila apenas aumentara, e, assim, homens se esgueiravam pela lateral para tentar comprar mais rápido, furando fila. A garota ficara indignada, e, propositalmente, também se dirigiu para a lateral, bloqueando os homens com seu corpo. Comprou sua bebida e deixou que eles furassem, afinal, ninguém mais estava incomodado com isso.
No que ela bebeu, sentia a violência tomar conta de seu corpo, queria socar pessoas, e arreganhar os sorrisos tortos de todas elas, mas no fundo ela sentia uma completa inveja, inveja por essas pessoas conseguirem se aturar, conseguirem ficar juntas, pois para ela... não sobrara ninguém. Todos haviam ido embora. Mas ela se encontraria com os amigos, foi para a fila do recinto, com a garrafa na mão, e recebia diversos comentários:
-QUE ISSO!
-DIRETO DO GARGALO!
-MENINA ALTA!
Dentre outros. Chegando á fila, estavam todos empolgados, ansiosos para entrar.
Tao ansiosos que aguentariam uma hora em pé em uma fila, por algum motivo.
A garota não viu sentido nisso e foi beber na calcada.
Ela foi andando, com sua garrafa, e percebeu que não queria dançar.
Que ela odiava dançar.
Sentada na calcada, ela via todos passando, milhares de pessoas, ás vezes grupo de homens aparentemente solteiros que queriam "se dar bem", ás vezes casais, monogâmicos e firmes de mãos seladas, de vez em quando estrangeiros, que olhavam para tudo de maneira encantada e desconfiada.
-O que você está fazendo?
-OI? a garota respondeu ao nada.
-Isso, você, menina.
Ela olhou para a garrafa e havia uma pequena fada lá dentro. A mulher era gordinha e tinha asas de libélula e cabelos grisalho-arroxeados.
-O que você está fazendo da sua vida?
A menina ficou perplexa.
-Como assim, quem é você?
Ela começou a olhar para os lados, para ver se os outros lhe encaravam de maneira estranha. Mas depois, lembrou-se que nada disso importava, que nunca mais iria se deparar com os mesmos rostos, e mesmo que visse, nada fazia sentido mesmo.
-Meu nome é Juliana, e eu sou a sua Fada Madrinha até a sua bebida acabar.
E assim, a menina sempre que poria mais álcool para dentro, via aquela figura cada vez menos provida de líquido, menos provida de vida.
-Eu vou para casa quando a garrafa acabar...
Ela bebia, e bebia, gole após gole, e volta e meia conversava com a fada:
-Você também se sente sozinha, fada?
E ela, piscando, respondia:
-Eu sou você, então eu sempre me sinto só. Você está falando consigo mesma, sabe disso?
E a garota ria, mas ria de angústia, olhava para a garrafa e não via nada.
Em um piscar de olhos, a fada estava de volta.
-Nossa, você me assustou!
-Pois bem, minha doce amiga, mas daqui a pouco morrerei... Eu sou como se fosse sua energia e sua lucidez. E vou embora.
A menina bebia, bebia e tudo parava de fazer sentido, ela sentia tudo, desde raiva, solidão, tristeza, desamparo, mas depois ficava ligeiramente contente por estar se divertindo sozinha, de não precisar de pessoas. O problema, é que ela até queria as pessoas, mas aí quando ela via as pessoas, perdia a vontade, ela cansava, ela ficava de saco cheio.
Havia dois dedos de bebida restantes.
A menina queria chorar pela breve perda da amiga, mas não havia mais lágrimas.
-Fica comigo... dizia ela, segurando a garrafa com força.
-Adeus, criança, fique bem...
Nisso, ela bebeu os dois goles restantes, e com isso a fada se deixou evaporar, restando nada mais que ar dentro da garrafa vazia.
Ela estava sozinha agora. Teve raiva, e queria jogar a garrafa longe e ouvir todos seus cacos se estilhaçarem contra o concreto...
-Fada... me sinto mal...
Ela chegou em casa, triste, triste. Tirou os sapatos, a calca, a blusa, e ficou com medo.
Ficou com medo do próximo pesadelo.
Ela tremia, mas o doce álcool lhe embriagara a ponto de ter um sono pacífico, mudo e pesado. E ela deu boa noite a Fada, e prometeu a si mesma para na próxima segunda ir pedir o resultado de seus exames acerca esquizofrenia.
sábado, 21 de outubro de 2017
Meu vizinho do doze
Ele anda rápido
As baratas precisam desviar dele
Pois ele olha para o chão
Mas não as vê
Ou apenas não se importa
Eu tenho um vizinho
E ele mora no doze
Eu o consigo identificar
D`ele andando na rua
De cabeça baixa
Roupas pretas
Cabelo raspado
Maos nos bolsos
Feio, feio, feio
Lhe falta empatia, lhe falta alguma coisa
Fico perplexa pois
O vizinho do doze está sempre com pressa
Do que seria?
Ele anda rápido, com panturrilhas de quem anda de skate
Faz o tipo dele, marrento
Ele seria do meu tamanho
Mas anda encurvado
Parece menor
Eu fico com pena
Ou com ódio?
Dessa feição fechada
E de suas sobrancelhas franzidas
Será
Que ele nunca descansa?
Eu sinto uma aura negativa nele,
Uma raiva que é exalada em sua respiração
Preciso apressar meu passo
Pois ele não olha para trás
Ele olha para baixo
E ignora todos
Minto, ele murmurou algo indistinguível ao porteiro
Acho que nem ele entendeu
Bom, meu querido vizinho
Me desculpe
Mas eu não quero subir no mesmo elevador que você
Pois você é um otário
Bom, dizem que mau-humor é infelicidade que os outros sentem
Você não só é mal humorado, quanto mal educado
Mas quem somos nós
Eu fui mal educada também, ó vizinho
Eu fui instruída para minha mente caber em uma caixa
E ficar com medo de tudo
Competir com os outros
E me achar superior
Estou desconstruindo isso há muito, ó vizinho
É difícil, não vou negar.
Se você foi mal educado, há tempo de mudar isso
Você é jovem, deve ter um pouco mais que a minha ideia
Por que todo esse amargor?
Rebele-se, vizinho do doze.
Sorria uma vez na sua vida.
As baratas precisam desviar dele
Pois ele olha para o chão
Mas não as vê
Ou apenas não se importa
Eu tenho um vizinho
E ele mora no doze
Eu o consigo identificar
D`ele andando na rua
De cabeça baixa
Roupas pretas
Cabelo raspado
Maos nos bolsos
Feio, feio, feio
Lhe falta empatia, lhe falta alguma coisa
Fico perplexa pois
O vizinho do doze está sempre com pressa
Do que seria?
Ele anda rápido, com panturrilhas de quem anda de skate
Faz o tipo dele, marrento
Ele seria do meu tamanho
Mas anda encurvado
Parece menor
Eu fico com pena
Ou com ódio?
Dessa feição fechada
E de suas sobrancelhas franzidas
Será
Que ele nunca descansa?
Eu sinto uma aura negativa nele,
Uma raiva que é exalada em sua respiração
Preciso apressar meu passo
Pois ele não olha para trás
Ele olha para baixo
E ignora todos
Minto, ele murmurou algo indistinguível ao porteiro
Acho que nem ele entendeu
Bom, meu querido vizinho
Me desculpe
Mas eu não quero subir no mesmo elevador que você
Pois você é um otário
Bom, dizem que mau-humor é infelicidade que os outros sentem
Você não só é mal humorado, quanto mal educado
Mas quem somos nós
Eu fui mal educada também, ó vizinho
Eu fui instruída para minha mente caber em uma caixa
E ficar com medo de tudo
Competir com os outros
E me achar superior
Estou desconstruindo isso há muito, ó vizinho
É difícil, não vou negar.
Se você foi mal educado, há tempo de mudar isso
Você é jovem, deve ter um pouco mais que a minha ideia
Por que todo esse amargor?
Rebele-se, vizinho do doze.
Sorria uma vez na sua vida.
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