Tem silêncio
Lá eu me alojo,
Lá eu vivo
Lá não tem grito
Lá não tem nojo
Não tem atrito
A pressão acaricia
Meu rosto
Entre algas
Este é meu posto
Pra família
Só trouxe desgosto
Sou um ser abissal
Corpo fosco
De tanta pressão
Me tornei oceano
Saiam otários
Procurando petróleo
Que as baleias afundem
Essas embarcações
Que as quimeras e os krakens acordem
Que os cthulus explodam os homens
Que as sereias comam seus corações
Que os tubarões sobrevivam
Que as marés tornem se selvagens
E no fundo do gelo cravando as unhas
Homens são decorados por ursos polares
Lindos ursos e o sangue vermelho encharca o branco
Só para em algum momento o restante de corpo se unir ao mar
Blocos de órgãos congelados
E a barriga cheia dos ursos
Viva o topo da cadeia alimentar
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