quarta-feira, 1 de julho de 2026

No fundo do oceano

 Tem silêncio 

Lá eu me alojo,

Lá eu vivo

Lá não tem grito

Lá não tem nojo

Não tem atrito

A pressão acaricia

Meu rosto

Entre algas 

Este é meu posto

Pra família 

Só trouxe desgosto

Sou um ser abissal 

Corpo fosco 

De tanta pressão 

Me tornei oceano

Saiam otários

Procurando petróleo 

Que as baleias afundem 

Essas embarcações 

Que as quimeras e os krakens acordem

Que os cthulus explodam os homens 

Que as sereias comam seus corações 

Que os tubarões sobrevivam

Que as marés tornem se selvagens 

E no fundo do gelo cravando as unhas 

Homens são decorados por ursos polares 

Lindos ursos e o sangue vermelho encharca o branco

Só para em algum momento o restante de corpo se unir ao mar

Blocos de órgãos congelados 

E a barriga cheia dos ursos 

Viva o topo da cadeia alimentar

 

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No fundo do oceano

 Tem silêncio  Lá eu me alojo, Lá eu vivo Lá não tem grito Lá não tem nojo Não tem atrito A pressão acaricia Meu rosto Entre algas  Este é m...