Nas sombras do vale
No meu caminho
O sangue nas mãos
Condena ao exílio
A mente perturbada
Longe de todos
Num quarto fechado
Manto manicômio
Destruo os laços
Estes invisíveis
Dinheiro é palco
Para inevitável barbárie
Arte é lucro
E pornografia
O canto é silencioso
Estoura as cordas vocais afora
A tesoura ceifa dois caminhos
O coma encerra a visão
Os olhos enxergam o nada
Antes nada que desolação
É de cacos de vidro a estrada
Apunhalam palma da tua mão
O apreço por ti um segundo
Sua pele de pano de chão
Enquanto prestar resta
Sozinho protesta, pranto
A voz de esperança é muda
As árvores todas cortadas
Eles amam animais
As vacas escravizadas
Eles são barulhentos demais.
Nas sombras do vale
No meu caminho
O céu desaba sobre meus ombros
Sorriso farto entre os escombros
A brisa suave entre os espinhos
O veneno inebria
O breu esconde apodrecer
A carne já vibrante um dia
Almeja o adormecer.
Nenhum comentário:
Postar um comentário