quarta-feira, 1 de julho de 2026

Nas sombras do vale

 Nas sombras do vale 

No meu caminho 

O sangue nas mãos 

Condena ao exílio 

A mente perturbada 

Longe de todos

Num quarto fechado 

Manto manicômio

Destruo os laços 

Estes invisíveis 

Dinheiro é palco

Para inevitável barbárie 

Arte é lucro 

E pornografia 

O canto é silencioso 

Estoura as cordas vocais afora 

A tesoura ceifa dois caminhos 

O coma encerra a visão 

Os olhos enxergam o nada

Antes nada que desolação 

É de cacos de vidro a estrada

Apunhalam palma da tua mão

O apreço por ti um segundo 

Sua pele de pano de chão 

Enquanto prestar resta 

Sozinho protesta, pranto

A voz de esperança é muda

As árvores todas cortadas

Eles amam animais 

As vacas escravizadas

Eles são barulhentos demais.

Nas sombras do vale

No meu caminho 

O céu desaba sobre meus ombros 

Sorriso farto entre os escombros 

A brisa suave entre os espinhos 

O veneno inebria 

O breu esconde apodrecer 

A carne já vibrante um dia 

Almeja o adormecer.

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