Gosto de brincar com crianças porque elas são super imaginativas, espontâneas e originais.
Dandara está no ponto, com sua mãe, e um cabo de vassoura na mão.
Ela está tocando com o cabo de vassoura em tudo:
É a minha espada, Iáaaaaaaa.
E eu fui cair na pilha.
Ela me oferece a espada e diz:
-Toma, é pra você matar pessoas.
Ela deve ter cinco anos.
Acho engraçado. Chegando no terminal de ônibus, Dandara não está mais com a espada, então inventa uma feita de ar, e eu puxo a minha de ar também, e a gente começa a lutar lá mesmo, com nossas espadas. Dandara cava um buraco imaginário no chão, e eu caio nele.
Eu fico ajoelhada e digo que ela precisa me ajudar a me tirar do buraco.
Ela me tira, e fala que, na verdade, eu sou a irmã dela.
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Hoje, estava eu indo pegar comida, e ela estava lá embaixo, abraçou sua mãe, abraçou a amiga de sua mãe, e me abraçou. Ela pegou um balãozinho murcho da mulher maravilha e disse que essa era a nova espada dela, e eu pedi a ela que me ajudasse a achar uma espada. Ela pegou um vaso de flores de plástico, usei de espada. Ela se jogou no chão, se fingiu de morta, e eu fiz um drama:
Oh não, o que pode ter acontecido? E agora?
Nisso, a mãe dela e a amiga já estavam querendo ir embora há um tempo. Ela disse:
-Vamos, Dandara.
E ela:
-Eu tô brincandooooooo.
E eu pensando: eu preciso legendar o documentário, mas super estou me divertindo mais com ela.
Apostamos uma corrida, eu a pé, ela com o triciclo dela, ela diz que ela ganhou, ha ha.
Subimos as escadas, elas moram no primeiro andar, eu moro no terceiro, e a mãe dela diz:
chegamos, vamos lá com a mamãe, tirar uma soneca depois de comer.
E a filha não estava nem um pouco a fim de dormir, ela queria brincar mais.
A filha disse:
-Nãaaaaaaaaaaaaaaaao, eu quero brincar com a minha irmã.
E ela (não me chamou de tia) segurou a minha mão e disse:
-vem, vem pra minha casa.
E eu pensando:
Sua mãe não deve me achar uma companhia tão legal assim , ha.
E a mãe disse pra mim:
-A Dandara vai dormir agora.
E eu olhando pra ela, que não estava nem um pouco com cara de quem iria dormir.
Num lugar ilhado, quase sem crianças, pra sair da Ilha em que moramos, tem que pegar pelo menos dois ônibus, ou seja, ela passa uma boa parte do tempo nesse alojamento de concreto, quente, em que os quartos tem 2x5 metros, fechada, sem amigos da idade dela pra brincar, é só um bando de intelectulixo que não dá bola pra coisas tipo... brincar.
Eu realmente queria brincar com ela.
Ela ficou irritada com a mãe, por dizer isso, e deu um mini soco na barriga da amiga da mãe dela.
Aí eu pensei:
-Nãooo, irmã, aí é que estraga o rolê.
-VAI FICAR DE CASTIGO, VAMOS AGORA , DANDARA, NÃO PODE, CASTIGO JÁ.
Eu subi as escadas pensando:
-Ela só queria brincar. Ela não tem aula, não tem amigos perto, o máximo são os cachorros, mas mesmo os cachorros ficam lá embaixo, e a mãe não deixa ela ir pra lá só, claro, uma criança de cinco anos.
Carai. Entendo a parada do soco, realmente, mas isso foi uma válvula de escape pra frustração de estar submetido a pessoas com interesses extremamente contrários aos seus. Fico triste quando vejo cenas assim , que são a coisa mais natural do mundo. Por que pais são tão megeros? Acho que é porque eu nunca estive próxima do supportive tipo de pai, ou era o pai distante e foda-se, ou era o pai distante e foda-se. Mas o oposto disso também é doentio.
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