agora são trinta e três
eu não sou uma merda,
gostaria de constatar isso
o meio pouco importa
e a cor da voz também
me chamavam de lerda
e eu chorava como neném
agora pobre menina
danço por um vintém
pobre mas rica
viajo e vou além
porque no final do dia
aqui conto minha estadia
e mesmo que me fatiga
canto a fiel cantiga
e ponho me a digitar
auto-fagocitose
fogo e excitação
que abranda e diminui
e para onde fui?
para um lugar em que pusesse trabalhar
desenhar
e o que foi que eu fiz
a história do homem que perdeu o nariz
e quero tomar banho de chafariz
e voltar, finalmente, ah que piegas
que clichê
a ser feliz
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