O colapso climático
Tá quente né?
São seus olhos, gato
Somos covardes, se não controlo eu mato
Se não possuo, violo
E não há música, e ficam surpresos
Pelos gansos não quererem olhar
Os corpos suspensos dos irmãos degolados
Nada disso toca vocês
"Foi Deus que fez"
Um Deus de sangue e morte
Dar soco na cara de tubarão
Cada um a mercê da própria sorte
Não grito, nem me entupo de remédio
Em angústia, me contorcendo entre civis
Quando ficamos tão imbecis?
Escravizamos o boi, então
O porco, A galinha, incessantemente
A forçamos a produzir ovos ininterruptamente
Forçamos hormônios no bicho
Fazemos testes e os jogamos no lixo
"Ratos de laboratório"
O mesmo que nada, corpos marcados para morrer
Em um sistema exploratório
Uma vida não é nada
E os crentes condenam o aborto
Que eu me castre e me isente
Da responsabilidade de, nesse mundo parasitico
Largar mais um ovo, um verme
A perfurar as entranhas da terra
Homens caçam por diversão
Homens escravizam o sexo
Fazem tudo por dinheiro
O estupro é normalizado
Pessoas em cativeiro
No meio da africana savana, uma mortalha
Um tiro
E comemoro
quando um elefante pisoteia o canalha
Os pássaros presos em gaiolas
Para serem mini troféus do ser humano
Os homens, subordinados a outros homens
São o retrato mais perverso da barbárie
Tenho vergonha de me incluir nisso
Para começar um dia na metade,
Só um café expresso,
Sob a desculpa do desenvolvimento,
Caminhando rumo ao regresso,
Vejo as árvores, em seus quadrados-celas
Delimitados no cimento
Impossível diante muros
Se adequar ou sentir pertencimento
Tão impotentes quanto detentos
Por informações , sedentos
É mais fácil estar sedado
Sob a sobriedade, cedo
É tarde
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