terça-feira, 5 de maio de 2026

Animais

 O colapso climático 

Tá quente né? 

São seus olhos, gato

Somos covardes, se não controlo eu mato

Se não possuo, violo

E não há música, e ficam surpresos 

Pelos gansos não quererem olhar

Os corpos suspensos dos irmãos degolados

Nada disso toca vocês 

"Foi Deus que fez"

Um Deus de sangue e morte 

Dar soco na cara de tubarão 

Cada um a mercê da própria sorte 

Não grito, nem me entupo de remédio 

Em angústia, me contorcendo entre civis 

Quando ficamos tão imbecis?

Escravizamos o boi, então 

O porco, A galinha, incessantemente 

A forçamos a produzir ovos ininterruptamente 

Forçamos hormônios no bicho 

Fazemos testes e os jogamos no lixo 

"Ratos de laboratório"

O mesmo que nada, corpos marcados para morrer

Em um sistema exploratório 

Uma vida não é nada

E os crentes condenam o aborto 

Que eu me castre e me isente 

Da responsabilidade de, nesse mundo parasitico

Largar mais um ovo, um verme 

A perfurar as entranhas da terra 

Homens caçam por diversão

Homens escravizam o sexo

Fazem tudo por dinheiro 

O estupro é normalizado 

Pessoas em cativeiro 

No meio da africana savana, uma mortalha

Um tiro

E comemoro

 quando um elefante pisoteia o canalha

Os pássaros presos em gaiolas 

Para serem mini troféus do ser humano 

Os homens, subordinados a outros homens 

São o retrato mais perverso da barbárie 

Tenho vergonha de me incluir nisso

Para começar um dia na metade, 

Só um café expresso, 

Sob a desculpa do desenvolvimento, 

Caminhando rumo ao regresso,

Vejo as árvores, em seus quadrados-celas

Delimitados no cimento 

Impossível diante muros 

Se adequar ou sentir pertencimento 

Tão impotentes quanto detentos 

Por informações , sedentos 

É mais fácil estar sedado 

Sob a sobriedade, cedo

É tarde 

 


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