segunda-feira, 21 de julho de 2025
não olho mas para sua face terrível porque você morreu
Pais, aqueles seres que ficam em segundo plano, apenas observando enquanto a mãe tem uma relação mágica e indescritível com o recém nascido, dependendo dela, enquanto o pai fica á deriva, apenas esperando a hora de entrar em ação.
Uma criança doce, boba e inocente é fácil de cuidar, mas um adolescente é uma tarefa para poucos;
A mãe tenta entender a situação, tenta ajudar e ser doce mas ao mesmo tempo rígida, e o pai...
Então.
O filho distancia-se e cria uma relação de estranhamento, quase perguntando: "-Qual a função desse sujeito na minha vida?" normalmente, ajuda na criação e no financiamento do filho.
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Meu pai não sabe dar amor, não sabe expressar carinho, não sabe passar a mão nos cabelos da filha, dizer que está bonita hoje, seu modo de falar não mudou desde que tenho quatro anos, quando ouve uma música tocando em meu computador começa a dançar como um bobo da corte, sem mais nem menos; acha que a garotinha boba de antes é a mesma de agora.
Eu sei que você preferiria um filho homem, que gostasse de futebol e gritasse "-GOL!!" empolgado a cada ponto marcado pelo Chelsea, sei que gostaria de transmitir seus preconceitos, que gostaria até que eu tivesse seu nome. Queria uma miniatura de você para divertir-se e de vez em quando dividir uma cerveja.
Mas então, seus planos não deram certo. Nasceu uma garota estranha, que não gosta de futebol, mas prefere fazer castelos de cartas, desenhar e ler; uma garota que não consegue ver outros indivíduos como "diferentes" e que detesta julgar por aparência, uma garota que detesta cerveja, detesta sentir o cheiro do álcool por dentre os dentes podres de seu moribundo pai, com uma cara vermelha e pálpebras caídas, tenta dizer algo que faça sentido: agressões verbais como:
"- vagabunda, idiota, esclerosada, doida, maluca, etc etc."
Tenho problemas mentais, de acordo com ele. Será ele certo?
Sei que ele queria um garoto tranquilo, que estudasse e não desse "alteração". Um garoto que aceitasse todas suas ordens com indiferença, e que não questionasse nada.
Um garoto que não "enchesse seu saco".
Um garoto que valesse a pena investir; afinal, somos todos ações e os pais são os investidores...será?
Ele paga todos os cursos, todas minhas "mordomias" e viro esse fiasco?
Que investimento ruim, era melhor ter adotado!
Um garoto que risse de suas piadas machistas e de seus modos desleixados.
Infelizmente, saiu essa garota curiosa, que não atura desaforos, que cospe de volta o comentário maldoso, que não consegue ficar calada, que parte para a violência se essa for a única opção, e ás vezes, é. Luto com garras e dentes pela minha dignidade e digo tudo na cara dele.
Você é bipolar, quando tem dinheiro é um homem, quando não o tem é um monstro, que só sabe reclamar. Todos os dias tem algo para reclamar sobre mim, todos os dias tem uma razão para dizer:"-ela só complica minha vida."
Imagine você acordar com um "Porra por que você não botou aquela meia para lavar?" simplesmente assim, sem mais nem menos;
Um dia, eu sairei dessa casa e não olharei mais para sua face horrível.
alojamento coisas repost 15 08 2021
Você poderia ter me acordado
Oito e meia sim.
Mas você quer comprar meu desconforto
Faz parte do pacote catártico
Pra que depois você se masturbe em cima da minha imagem
Patético
Quero cuspir na cara de todos vocês
E devolver todos os supostos presentes
Cada suspiro de entre aspas alívio
E uma vontade minha de esganar vocês
Até não conseguir mais respirar pesado
Vocês se deleitam com o meu sofrimento
Porque sabem que não tenho nada a perder
Queria ter algo a perder
Que não fosse só a vida.
Ou que fosse violentada e morta de uma vez
Que me poupassem dessa poça de ácido que é a vida.
Todos os dias alguém tentando testar algo de mim
Todos os dias, sem descanso
Uma treta um problema
Quero dormir
Tive menos de uma hora e meia de sono
E esse filho da puta a arrumar tudo
Mãe, se eu fizer alguma música no teclado um dia não sei se vou tocar não
Eu também não esqueço de como você me violentou
Você e todos
O mundo inteiro
E é por isso que eu quero me matar
Mas a Luana ainda quer ser
Minha amiga
Parabéns ~~ repost 2021
Não te parabenizo
Por ser quem
Cujos miolos mói
questiona o que sabem
Sente, ama e dói.
Pressente o medo,
partilha meu jorrar
Aprisionado pranto por entre lençóis,
Perfura a dor.
Desliza o granizo
cristalizado nas pálpebras
Conforme a neve cai
Pelo trôpego riso
angústia se esvai
poupo perdidos pardais presos
pardas palavras ásperas.
Pelos córregos frios
Doces esferas poços rios
pelos dourados fios, esmeraldas
hálitos lunares, prata mineral
habitos e paladares, oscilando
a sombra alva dançando
por entre globos oculares
miragem alva
sangue em brasa
um passeio pelo adriático
saboreia o cobalto beijo
nublado desejo
tropeça em sofrer
quão pesadelo experienciar
os abismos insistentes
a busca pela falta
o extase desesperado
a faca por entre os dentes
Abrasivo astro - nauta
dentro de ti
Um deserto carmesim
Um homem procurando paz
cacos em uníssono
buscando se definir
seja,
Talvez esteja cá teu tesouro fugaz
quando a dez metros de ti
entalharem: Aqui jaz.
Quando o abismo etéreo
Entre nossos oceanos glaciais
Se esvair em vácuo
antes,
nos devorará, colérico
Aí encontrarás o sossego
estático, estique para alçar sonhos
enquanto nossas vísceras exponho
intestinos boiando sobre o mar.
quebra e range, metamorfoseia
Para mim, és como suturas
Alma esculpida, escapole, no entanto
Unhas dilaceradas de cavar, escuras
Me despo, não vejo nada que pranto
e todas estas armaduras
Partilha comigo teu enjoo
Navegar dá náusea
Sobre as andanças no catalão repost 2019
me senti um homem invasor, colonizador, depois de chegar no espaço e deixar todo seu rastro imundo por trás, me senti meio monstro
mas também me senti animal, olhei para os cachorros correndo livres e tive vontade de tirar minha roupa e correr com eles
mas acima de tudo , só queria o silêncio
pensei em ir lá mais vezes, mesmo com o cheiro e o lixo que se entulham e te fazem perceber a voracidade do homem que dá pouco pede muito e vai se deixando no caminho, morremos e nosso lixo continua
sente na pedra, queria me distanciar dos grupos de pessoas
queria me distanciar do próprio ser pessoa que sou
até que me é oferecido um croissant
e eu lembro que pessoas podem ser boas, se eu for boa com elas também
como um pouco do croissant, passo ele adiante para bru
eu, deitada na pedra, fechei os olhos, mesmo que o céu esteja limpo e lindo a frente
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tenho escrito pouco
tenho escrito pouco, e esse é um dos motivos pelo qual estou escrevendo. Tenho medo do ar condicionado explodir e eu morrer, ou de alguém vir com o machado do iluminado para quebrar a minha porta e entrar aqui, ás vezes. É duro dizer isso mas meu gato não vai me proteger. Talvez eu devesse ter alguma coisa, um alarme contra roubos. Deveria escrever mais, mas tenho medo de me confrontar com meus próprios pensamentos. E também tenho medo do ex marido da vizinha, e estou ouvindo uns estalos estranhos na casa do lado. Tenho medo de alguém só pular meu muro e invadir minha casa pelo outro lado... não sei se foi um gato que entrou. Ás vezes, é difícil descansar estando com medo. Ou inseguro. Inseguro acerca de toda uma vida tentando provar que cabe na... paranóia.
Que me fez sair do meu quarto, vestir meu cobertor. Não era nada. Sou uma engrenagem feita de carne, somos todos. Estou lendo um livro sobre a exaustão para tentar me sentir menos exausta. Parabéns pra você, blog. São dez anos de escritos. E não fui muito longe. Tive banda, tive oportunidades, hoje tenho árvores, tenho gato, tenho relacionamento estável. Minha carreira depende de uma pessoa instável. Sinto saudades de escrever. Têm sido difícil lidar com meu relacionamento, na intensidade que ele se dá, mas ao mesmo tempo eu consigo enxergar uma avalanche de calor e carinho onde só tinha, sei lá, gelo. O deserto é gelado mas a orquestra toca grindcore.
Ás vezes acho que sou um corpo morto, só a música me rescussita. Mas ás vezes, eu prefiro estar morto. Ás vezes, como o Hyakimaru, a minha propria voz ensurdece os meus ouvidos. É difícil viver enclausurado em si, mas a arte está aí para alargar essas fronteiras. Me sinto como um pato, não mais na lama, mas ainda coberto de lama. Acho que a lama foi toda minha vida até, tipo, meus 23 anos. Sinto que comecei a viver a partir dos 23, 24, por aí. Porque até aí era um grande e terrível espetáculo de horror e perseguição sombria que eu sofria no alojamento, e antes na minha família. Fui um grande bode expiatório. E o pior de tudo, minha mãe diria que eu teria precisado passar por isso, sabe, mas eu só colecionei traumas nesse caminho. Teria sido melhor não ter passado por isso, é óbvio. Mas já passou. Eu tenho medo da instabilidade, medo da impotência, porque precisamos nos aprimorar mais rápido que os celulares de 43034038x câmeras. Eu estou contente comigo sendo um celular só de 3 câmeras, sabe. Talvez o mercado não. Mas a imagem é boa, eu tento insistir para mim mesmo.
Eu tento respirar. Já é um primeiro passo. Mas hoje eu não quero andar, só repousar e me fingir de morto até eu acreditar.
Sou um morto que, silenciosamente, respira.